Pesquisa aponta que salários em 2016 podem cair

salario rhA previsão divulgada pela Korn Ferry (NYSE: KFY), destacada empresa global de consultoria organizacional e de pessoas, revela que os trabalhadores de todo o mundo devem esperar aumentos salariais reais de 2,5%. Esse valor, o mais alto em três anos, combinado com a histórica baixa da inflação deixa uma situação mais confortável para a maioria dos colaboradores em 2016.

Apesar de um cenário global interessante, o Brasil é uma das economias que diferem da média. Assim como a perspectiva para 2015 foi de aumentos salariais abaixo da inflação, para 2016 o cenário não é muito diferente. Apesar de aumentos esperados em torno de 7,7%, os brasileiros deverão ver apenas um corte de 1,2% nos salários reais no próximo ano. A pesquisa indica que não será possível ver a recuperação do poder de compra do trabalhador, por conta da desaceleração do mercado, da economia e também pela inflação, que ultrapassou a previsão de muitas empresas.

“O que temos visto é que quem é elegível a acordos coletivos não é tão impactado. Já os demais trabalhadores estão sendo muito afetados com a forte retração econômica e o crescimento do mercado abaixo da inflação, este ano. Para 2016 a perspectiva é que esse cenário se mantenha”, afirma Gustavo Tavares, diretor Korn Ferry Hay Group.

“Esse é um fenômeno que afeta a América do Sul, principalmente Brasil, Argentina e Venezuela onde você tem mais evidente a questão da inflação realmente deteriorando o poder de compra do trabalhar”, completa Tavares.

Turbulência econômica afeta os trabalhadores na América Latina

Para os trabalhadores na América Latina há a previsão de serem vistos os maiores aumentos salariais anunciados em 2016, 11,4%. No entanto, devido à alta inflação na região (12,8%), se espera ver cortes dos salários reais de 1,4%. Isto é especialmente evidente na Argentina, onde apesar dos aumentos salariais de 31%, os argentinos só perceberão um aumento de 3,6%.

Já Venezuela está marcada a sofrer o corte mais significativo na renda real em todo o mundo. Os aumentos salariais são elevados e chegam a 70%, mas como a inflação prevista é consignada em 122,6%, os funcionários podem esperar cortes nos salários reais de 52,6%.

Mercado de trabalho aquecido na América do Norte

Esta tendência ascendente também pode ser vista na América do Norte, onde o mercado de trabalho é flutuante. Nos EUA, com a inflação baixa (0,3%), os trabalhadores vão experimentar um crescimento da renda real de 2,7%. Trabalhadores canadenses, entretanto, veem aumentar os salários em 2,6%, com um crescimento real de 1,3%. Em todo o continente, os salários vão aumentar em 2,8% – o mesmo que no ano passado.

Previsão se mantém positiva na Europa

De acordo com a previsão da Korn Ferry Hay Group, os trabalhadores de toda a Europa estão marcados para ver um aumento salarial médio de 2,8% em 2016 e uma inflação de 0,5%, tendo um aumento real de salários de 2,3%. Abastecido por um ambiente de baixa inflação, a Europa Ocidental vai ver um aumento de 2% nos salários reais em comparação com um aumento de 2,9% na Europa Oriental.

As perspectivas são positivas no Reino Unido, França e Alemanha. Enquanto aumentos salariais irão permanecer em 2,5% no Reino Unido (o mesmo que nos últimos dois anos), a inflação baixa significa que os salários reais estão crescendo 2,3% em 2016 – acima da média da Europa Ocidental. Trabalhadores na França e Alemanha também devem ver aumentos dos salários reais de 1,9% e 2,9%, respectivamente. O quadro é semelhante na Grécia, onde, apesar de questões econômicas, os salários vão aumentar 2% (em comparação com a previsão de 1,3% no ano passado), com a deflação levando a aumentos salariais reais de 3,4% em 2016.

Dois países estão excluídos das médias regionais devido a questões políticas específicas que causam uma inflação elevada impactando nos aumentos salariais reais. Trabalhadores na Ucrânia devem ver os maiores aumentos salariais na Europa (11,5%), mas devido à inflação elevada (48,3%) os salários reais devem reduzir drasticamente 36,8%. O panorama é semelhante na Rússia já que o impacto das sanções econômicas e a queda dos preços do petróleo atingiram a economia. Apesar de um aumento salarial médio de 7%, com inflação de 14,5%, os salários reais devem cair 7,5%. Isto é significativamente mais do que a diminuição de 0,7% nos salários reais observados no ano passado.

Philip Spriet, Diretor Global de Productized Services na Korn Ferry Hay Group, disse: “a previsão salarial mundial deste ano mostra que, para a maioria dos países, os aumentos salariais reais em 2016 devem ser os mais altos em três anos. As diferentes condições macroeconômicas significam que existem fortes variações globalmente, mas em geral aumentos salariais significativos, juntamente com a extremamente baixa (e, em alguns casos, zero) inflação, significa que as perspectivas são positivas para os trabalhadores”.

Maior crescimento dos salários reais na Ásia

Na Ásia, os salários deverão aumentar 6,4% – queda de 0,4% em relação à previsão do ano passado. No entanto, os salários reais devem crescer 4,2% – valor mais alto do mundo. Os maiores aumentos dos salários reais estão previstos no Vietnã (7,3%), China (6,3%) e Tailândia (6,1%). Na verdade, apesar da desaceleração econômica da China, juntamente com a queda dos mercados de ações e da redução das exportações, os trabalhadores do país irão ver um aumento salarial de 8% em 2016, enquanto as taxas de emprego continuam a crescer devido à necessidade crescente de trabalhadores qualificados e o aumento sustentado da classe média emergente.

Vendo a vantagem de ser parte de uma economia gigante em rápido crescimento, os indianos também devem ver o aumento mais elevado dos salários reais nos últimos três anos, atingindo 4,7% em comparação com a projeção de 2,1% do ano passado e 0,2% em 2014.

O forte crescimento no Oriente Médio e África

O ano de 2016 parece positivo para os trabalhadores no Oriente Médio e África. Apesar da queda dos preços do petróleo, caos político e econômico em toda a região, os salários no Oriente Médio e na África deverão aumentar 5,3% e 6,5%, respectivamente. A inflação relativamente baixa significa que os trabalhadores terão aumentos salariais reais de 3,8% e 1,6%.

No Oriente Médio, o Líbano (11,5%) e a Jordânia (5,3%) devem ver os maiores aumentos dos salários reais, com os Emirados Árabes Unidos vendo o mais lento crescimento real dos salários (0,9%) – 2,8% menor que as previsões do ano passado. A inflação alta no Egito significa que ele é o único país da região marcado para ver um corte nos salários reais de 0,4%.

Philip Spriet conclui: “A Ásia continua a impulsionar o crescimento dos salários globalmente assim como as empresas parecem estar prontas para aumentar os salários. No entanto, o mercado de trabalho global está mudando, com o envelhecimento da população ativa nas economias mais fortes começando a dominar. Nos mercados emergentes, o desenvolvimento das competências dos trabalhadores é fundamental para as empresas manterem uma vantagem competitiva e os empregados qualificados podem esperar para ver os salários subirem com o impulso da escassez de talentos em certas regiões”.

Os aumentos médios dos salários reais são baseados em 73 países (banco de dados do Hay Group) – excluindo a Ucrânia e Venezuela, onde o tumulto político e alta inflação levaram a uma diminuição dos salários reais de 36,8% e 52,6%.

 

Fonte: Profissional & Negócios

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