Levantamento aponta lacuna na gestão emocional de altos cargos; despreparo impacta clima organizacional e eleva riscos trabalhistas em meio às novas exigências da NR-1

No Brasil, dois terços dos executivos e gestores em cargos de decisão ocupam suas funções sem nunca ter sido submetidos a um processo de avaliação psicológica formal. O dado, extraído de um levantamento nacional da Heach RH, acende um alerta sobre a governança corporativa e a maturidade emocional nas organizações. 

A carência de diagnósticos estruturados ocorre em um momento de endurecimento regulatório da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que passa a exigir das companhias uma gestão rigorosa de riscos psicossociais. Nesse cenário, fica claro a responsabilidade das empresas. É a organização que precisa capacitar seus líderes e prepará-los para lidar com esses riscos, garantindo a compreensão da gravidade de cada situação no ambiente de trabalho.

De acordo com dados do Ministério da Previdência, o país registrou 4 milhões de licenças de trabalho no ano, elevando o número total de afastamentos motivados pela saúde mental. 

A falta de critérios na escolha e no acompanhamento de lideranças reflete diretamente no clima organizacional e na retenção de talentos. Sem o suporte de ferramentas de análise de perfil e saúde mental, o despreparo emocional de quem comanda equipes torna-se um catalisador de conflitos internos. 

O Papel Estratégico e Cultural da Organização

Para que exista uma cultura real de combate aos riscos psicossociais, a iniciativa deve partir institucionalmente da empresa. As organizações devem buscar ferramentas, programas e suporte técnico para auxiliar os líderes no dia a dia, transformando a gestão de pessoas em um pilar estratégico internamente. A mudança deve ser cultural e envolver toda a empresa.

O cenário é agravado pelo desconhecimento técnico. Dados de mercado indicam que a maioria das empresas afirma ter dificuldades para interpretar as mudanças nas diretrizes de segurança e saúde no trabalho.

A ausência de avaliação não é apenas um problema de gestão de pessoas, mas um risco financeiro latente para as empresas. O despreparo da liderança para lidar com questões emocionais eleva a probabilidade de casos sobre pressão psicológica, esgotamento profissional e doenças ocupacionais. 

A especialista Heloísa Moraes, Head de Gente e Gestão da Contato Seguro, ressalta que “tais episódios, quando negligenciados, alimentam o passivo trabalhista e expõem a empresa a sanções previstas na NR-28” que trata das fiscalizações e penalidades em segurança do trabalho.

Para mitigar esses riscos, as organizações começam a investir em estruturas de suporte que permitam identificar desvios de conduta e sofrimento psicológico de forma precoce. O uso do Canal de Acolhimento da Contato Seguro tem sido uma das estratégias centrais nessa jornada. Diferentemente de um canal de denúncias comum, a ferramenta é  focada na escuta ativa e humanizada, servindo como uma ferramenta de monitoramento contínuo dos riscos psicossociais solicitados pela NR-1. Isso permite que a gestão atue sobre o foco do problema de forma cultural e preventiva.

A urgência da NR-1 e o papel do gestor

A nova redação da NR-1 estabelece que as empresas devem implementar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), incluindo obrigatoriamente os fatores psicossociais. Isso significa que a saúde mental deixou de ser uma pauta de bem-estar para se tornar uma obrigação legal de conformidade. No entanto, o mercado ainda patina na implementação prática. Ainda hoje, quase 70% das companhias admitem não compreender totalmente as novas exigências normativas.

A maturidade da liderança é o elo mais fraco dessa corrente. Líderes que não conhecem seus próprios limites emocionais ou que não foram avaliados quanto à resiliência e empatia têm dificuldade em gerir qualquer risco psicossocial da sua equipe. 

A especialista Heloísa Moraes, Head de Gente e Gestão da Contato Seguro destaca que o primeiro passo para adequação da conformidade e estruturação interna de sucesso para uma boa gestão de pessoas vem da importância de profissionalizar a gestão emocional das lideranças.

A solução passa pela revisão dos processos de sucessão, promoção e cuidado com a saúde emocional das pessoas. A transição de um modelo baseado apenas em metas técnicas para um sistema que prioriza a saúde mental, amparado por soluções como o Canal de Acolhimento da Contato Seguro,  é o caminho para evitar as multas severas da NR-28 e garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo.