Estudo da Robert Half indica que a retenção passa a ser influenciada por fatores mais subjetivos com avanço da carreira

São Paulo, maio de 2026 — Em um mercado de trabalho dinâmico e multigeracional, compreender o que engaja ou afasta talentos tornou-se uma prioridade estratégica. Um estudo da consultoria global de soluções em talentos Robert Half mostra que, enquanto 78% dos profissionais da Geração Z permanecem nas empresas por oportunidades de crescimento, mais de 50% dos mais experientes apontam a cultura tóxica como principal motivo para sair.

“Há um ponto de virada claro ao longo da carreira. No início, a decisão de permanecer está mais relacionada a oportunidades de desenvolvimento. Com o tempo, passa a depender das vivências no dia a dia, ou seja, relações de confiança, liderança consistente e um ambiente saudável”, explica Erika Moraes, gerente da Robert Half.

Embora o salário permaneça relevante, não sustenta a permanência quando aspectos estruturais da experiência de trabalho não acompanham.

Motivos para permanecer

FatorZYXBoomers
Oportunidades de crescimento78%47%44%23%
Remuneração e benefícios69%64%68%51%
Cultura organizacional31%34%36%38%
Liderança inspiradora25%27%26%26%
Flexibilidade (local/horário)22%43%35%38%
Estabilidade22%21%19%16%

Motivos para sair

FatorZYXBoomers
Baixos salários64%46%45%35%
Falta de oportunidades de avanço47%27%21%14%
Cultura tóxica39%54%50%53%
Liderança ruim42%44%52%47%
Desequilíbrio vida pessoal/trabalho25%30%37%41%

A diferença entre a intenção e aquilo que efetivamente sustenta a retenção está diretamente relacionada à experiência vivida do profissional dentro da organização. Profissionais podem valorizar determinados fatores, mas tendem a permanecer onde conseguem vivenciá-los de forma consistente.

Com equipes multigeracionais, as empresas mais bem posicionadas são aquelas que conseguem adaptar sua gestão sem fragmentar a cultura. Entre as práticas mais eficazes, a Robert Half destaca: 

  • Comunicação clara e adaptável a diferentes perfis 
  • Feedback estruturado conforme o momento de carreira 
  • Reconhecimento individualizado 
  • Flexibilidade com responsabilidade 
  • Escuta ativa como prática consistente de gestão

“Companhias que concentram seus esforços apenas em remuneração correm o risco de construir relações frágeis com seus colaboradores. A retenção sustentável exige equilíbrio entre desenvolvimento e experiência, oferecendo oportunidades de aprendizado contínuo aos profissionais em início de carreira e, ao mesmo tempo, reconhecimento, flexibilidade e qualidade de gestão para os mais experientes”, complementa Moraes.

MetodologiaO estudo combina dados da Sondagem ICRH – 32ª edição, pesquisa proprietária da Robert Half com profissionais empregados, desempregados e líderes, e do Guia Salarial 2026, levantamento conduzido com 1.000 profissionais das áreas de finanças, tecnologia, suporte administrativo, jurídico e engenharia. Para fins de análise, foram considerados os seguintes recortes etários: Geração Z (18 a 25 anos), Geração Y (26 a 43 anos), Geração X (44 a 59 anos) e Baby Boomers (60+).