Dificuldade da indústria para pagar o 13º é a maior desde 2009

industriaCom a expectativa de vendas em baixa no final do ano, a maioria das indústrias paulistas terá dificuldade para obter os recursos necessários para o pagamento do 13º salário. E aumentou o número das que terão que apelar aos bancos, mostra pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No levantamento foram entrevistadas 499 empresas paulistas, entre os dias 6 e 27 de outubro. Para 81% delas, o movimento de final de ano será menor que o do ano passado. Segundo as expectativas das empresas, as vendas de 2015 devem fechar com queda de 14%, em média, em relação ao ano passado.

A dificuldade para pagar o 13º salário será maior este ano que no ano passado para 45,5% das empresas que pagarão o 13º este ano principalmente com recursos provisionados no ano, para 65,9% das empresas que utilizarão principalmente as vendas do último trimestre e para 83,3% das empresas que utilizarão crédito. Esses percentuais são os maiores desde 2009.

Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, avalia que 2015 é o pior ano há décadas. “É o pior ano que muitas pessoas já viveram até hoje”, afirma. “Não se trata de pessimismo ou otimismo”, diz. “Nós temos um ano péssimo, a indústria cai cerca de 8% ou 9%, o emprego nunca caiu tanto quanto neste ano, ou seja, estamos num ano péssimo, e o Natal em um ano péssimo vai ser um Natal péssimo”, complementa.

Das indústrias pesquisadas, 38,5% informaram que terão de recorrer às instituições financeiras para cobrir o valor total ou parcial do 13º salário. O valor médio dos recursos pretendidos equivale a 81% da folha de pagamento das empresas que recorrerão a bancos. Dessas, 90% afirmaram que o crédito está mais caro ou muito mais caro do que no ano passado, e 39% informaram que os prazos de pagamento estão mais curtos ou muito mais curtos. Os resultados são os piores da série histórica, iniciada em 2008.

A pesquisa da Fiesp indica redução do número de empresas que utilizarão o provisionamento feito ao longo do ano como principal fonte de recursos para pagar o 13º salário. Este ano, serão 42%, o menor número na série histórica. Em 2014, 46% optaram por esta fonte de recursos.

O pessimismo no setor também gerou aumento da busca de crédito bancário pelas indústrias como principal forma para obter verba. Esta foi a alternativa de 35% das empresas pesquisadas, sendo que 83% delas responderam ter encontrado mais dificuldades para conseguir os recursos do que no ano anterior, o pior resultado dos últimos sete anos. No ano passado, 69% das empresas apontaram o mesmo problema.

Foram 18% as empresas que apostaram nas vendas do último trimestre como principal fonte para pagar o 13º – e para 66% delas, vai haver mais dificuldades para atingir a meta do que no ano anterior, pior resultado dos últimos sete anos. No ano passado, 40% das indústrias paulistas registraram a mesma resposta na pesquisa.
FONTE: Agência Indusnet Fiesp

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