Liderança: SABER DELEGAR – Nossos líderes estão preparados para descentralizar tarefas no dia a dia?

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A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 vêm mexendo com todos os setores da economia brasileira. Com uma estimativa de investimentos da ordem de 33 bilhões de reais, executivos de diversos setores se movimentam para reorganizar estruturas, departamentos e até mesmo iniciar obras e construções, que exigem preparo, liderança e boa administração. Porém, diante de tamanha mobilização, surge uma dúvida: será que nossos gestores e líderes estão preparados para atender a essa demanda que tem o tempo como o seu maior rival? De acordo com a coach e especialista em desenvolvimento organizacional Eliana Dutra, para dar conta dessas metas é preciso que se avalie (e mude se for o caso) o estilo de liderança.

Os pontos principais que precisam ser observados e repensados são a centralização na tomada de decisões por parte dos gestores – que em muitos casos se confunde com autoritarismo. De acordo com pesquisas do mercado sobre o perfil do executivo, o brasileiro tem um dos estilos mais autoritários e centralizadores, dando ao Brasil 75 pontos em uma escala de zero a cem. “Todos sabemos que, ao assumir as tarefas, o líder acaba deixando de exercer seu papel estratégico na organização”, diz Eliana, acrescentando que isso gera desconforto entre seus subordinados e bloqueia seu desenvolvimento.

“Líderes precisam se especializar em delegar funções e permitir que as decisões estejam nas mãos de quem realmente faz o negócio, ou seja, está na ponta da operação do processo. Claro que é preciso estar atento e acompanhar o andamento das atividades, mas é um movimento que exige centralizar e descentralizar as tarefas para que haja crescimento”, conta. A pesquisa revela ainda que a centralização exagerada é uma marca registrada de muitas pequenas empresas e da maioria das empresas familiares. “A centralização é necessária, na visão dos centralizadores, porque ‘o olho do dono engorda a boiada’. É claro que todo negócio precisa ser monitorado de perto pelos executivos, mas o excesso de controle, muitas vezes, pode gerar inúmeros problemas que prejudicam a eficiência da organização”, pontua. Para a coach, a centralização excessiva é sinal de uma administração ineficaz, de um problema na qualidade de gestão.

Um bom exemplo disso é o segmento da construção civil, que lidera com 6,91 bilhões de reais os 22,8 bilhões de reais que serão investidos para garantir infraestrutura e organização à Copa. “Imagine se cada gerente de obra precisar ligar para o seu gestor na matriz para tomar uma decisão referente ao canteiro de obras. Não há tempo para isso, é preciso delegar e deixar a decisão a cargo de quem está no dia a dia do problema”, pondera Eliana. Além disso, segundo ela, esse tipo de comportamento e cultura ultrapassados podem dificultar a retenção de talentos na empresa, o que, diante da conjuntura atual, precisa ser evitado devido à falta de mão de obra qualificada.