Closeup of resume of a job candidate being reviewed by someone during virtual meeting with manager. Selective focus on CV of female applicant, held by a person attending videoconference with HR staff.

Falta de feedback, demora nas respostas e processos pouco acessíveis fazem candidatos desistirem da vaga e impactam a marca/empresa empregadora

Nunca foi tão fácil contar como foi participar de um processo seletivo. Em poucos minutos, candidatos compartilham no LinkedIn e em outras redes, ampliando o alcance de experiências positivas e também de falhas como demora nas respostas, falta de feedback e processos desorganizados. Nesse contexto, o recrutamento passou a influenciar diretamente a reputação das empresas. 

Mais do que avaliar salário ou benefícios, os candidatos observam como a empresa conduz entrevistas, se comunica, oferece feedback e trata as pessoas ao longo de toda a jornada. Essa percepção influencia não apenas a decisão de aceitar uma proposta, mas também a forma como a organização será vista no mercado. Esse cuidado se torna ainda mais importante em processos seletivos voltados à contratação de Pessoas com Deficiência, em que acessibilidade, comunicação e respeito influenciam diretamente a percepção sobre a empresa.

Para Flávia Mentone, CEO da Reponto, empresa especializada em recrutamento e seleção de Pessoas com Deficiência, esse movimento mostra que a experiência no processo seletivo deixou de ser apenas um detalhe operacional e passou a fazer parte da estratégia de atração de talentos. “O processo seletivo comunica muito sobre a empresa. Cada interação, retorno e etapa ajudam a construir a percepção dos candidatos e podem fortalecer ou comprometer a imagem da empresa. Por isso, essa jornada precisa ser tratada como parte da estratégia de atração de talentos”,  afirma Flávia.

Segundo a especialista, o processo seletivo funciona como uma “vitrine” da cultura da empresa. Mesmo antes da contratação, o candidato já observa sinais sobre como aquele ambiente trata as pessoas, lida com diversidade, o que prioriza, seus valores, e se há coerência entre discurso e prática. Quando a experiência é transparente e respeitosa, cresce a chance de atrair perfis alinhados à cultura. Quando há ruídos, bons profissionais podem ser afastados. 

No médio prazo, isso também pode resultar em frustração, desligamentos precoces, reabertura de vagas e um turnover mais alto, com impacto direto nos custos, no tempo do RH e na continuidade das equipes. 

Na avaliação da especialista, esse é um ponto que merece atenção especial das lideranças e dos times de RH. “Não basta atrair candidatos com uma vaga atrativa. É preciso sustentar a promessa feita na divulgação com uma experiência coerente ao longo de todo o processo. A forma como a empresa conduz essa jornada diz muito sobre sua cultura e sobre a relação que ela quer construir com as pessoas”.  

A partir disso, a Flávia Mentone traz algumas dicas para transformar a experiência do candidato em um ativo estratégico para a marca empregadora:

  1. Mapear a jornada do candidato como um funil de experiência: a empresa precisa olhar para cada etapa do processo seletivo, desde a candidatura até o retorno final, para identificar pontos de atrito, abandono e percepção de valor. A experiência não é construída só na entrevista, mas em todo o processo 
  2. Definir critérios objetivos e transparentes: quando os parâmetros de avaliação são claros, a empresa reduz ruídos, evita vieses e reforça credibilidade. Transparência no processo aumenta a percepção de justiça e fortalece a imagem da marca empregadora; 
  3. Estruturar uma comunicação consistente entre employer branding e RH: o que a empresa comunica sobre si nas vagas, redes sociais e campanhas precisa estar alinhado com a experiência real vivida pelo candidato. Quando há desalinhamento entre promessa e prática, a reputação é afetada imediatamente; 
  4. Usar feedback como ferramenta de relacionamento e posicionamento: dar retorno não é apenas uma questão de gentileza, mas de estratégia. Um feedback bem conduzido contribui para manter a conexão com talentos, melhora a percepção sobre a empresa e amplia as chances de recomendação, mesmo entre candidatos não aprovados. 

O processo seletivo deixa, então, de ser apenas uma etapa do recrutamento e passa a ser também um fator de reputação. Em um mercado em que a imagem da empresa circula cada vez mais rápido a partir da vivência real das pessoas, tratar bem o candidato se torna não apenas uma boa prática de RH, mas uma decisão estratégica para atrair talentos e fortalecer a reputação da empresa.

Sobre Flávia Mentone

Flávia é especialista em inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Ela fundou a Reponto com o propósito de transformar a inclusão profissional de forma significativa, criando metodologias próprias para recrutamento e seleção. Ela já impactou a vida de mais de 5 mil pessoas com deficiência ao longo de sua trajetória profissional e ajudou grandes empresas a adotarem práticas inclusivas efetivas.