Uma em cada 6 mulheres se demite após sofrer assédio sexual na empresa

Foto por Masha Raymers em Pexels.com

Silêncio… Essa é a principal reação das vítimas de assédio sexual tanto no trabalho quanto na internet. Apenas 5% das mulheres recorrem ao RH das empresas para reportar um caso. Metade delas divide o ocorrido somente com pessoas próximas e 33% não fazem nada. O baixo índice de queixas está associado ao senso de impunidade (78,4%), ineficiência de políticas internas (63,8%) e ao medo (63,8%), além do sentimento de culpa pelo assédio sofrido.

Os números fazem parte da pesquisa inédita elaborada pelo LinkedIn e a consultoria Think Eva, que traça o cenário do assédio sexual contra mulheres on e offline, no universo profissional. O resultado dá início a uma campanha de promoção de um ambiente de trabalho seguro para mulheres dentro e fora da internet. A pesquisa inédita priorizou a perspectiva racial e econômica para a busca de insights e traz como foco as mulheres, uma vez que o maior número de ocorrências se dá neste gênero. Uma em cada 6 vítimas pede demissão do trabalho após passar por um caso de assédio. Além disso, afirmam viver sob constante medo (35,3%), cansaço (31,7%) e falta de confiança em si e nos outros (30,3%).

A consultoria ouviu 381 mulheres presentes na internet no Brasil para uma avaliação quantitativa e análise de percepção sobre como os casos de assédio são detectados e tratados.

“Além de falar sobre, queremos trazer a discussão para um nível de consciência para quebrar um sistema que pouco age em casos de denúncia. Temos como objetivo chamar lideranças empresariais a assumirem um compromisso público e aberto de combate ao assédio sexual no ambiente de trabalho, conclamando para a adoção de ações preventivas de contenção e proporcionando, assim, um ambiente mais seguro, afirma Ana Plihal, diretora de soluções de talentos  e líder do Comitê de Mulheres para o LinkedIn Brasil.

Mais de 95% das entrevistadas afirmam saber o que é assédio sexual no ambiente de trabalho, mas pouco mais de 51% falam com frequência sobre o tema. Neste universo de discussão, a maioria (54%) são de mulheres pretas ou pardas (segundo nomenclatura oficial do IBGE) com renda entre dois e três salários das regiões Nordeste e Centro-Oeste. Quase a metade das entrevistadas já sofreu alguma forma de assédio sexual no ambiente de trabalho (47,12%). Há ainda quem tenha presenciado uma cena de assédio, ou ouviu o relato de uma colega de trabalho, porém, cerca de 15% auxiliaram diretamente ou emocionalmente a vítima e 10% não fizeram nada.

As mulheres que ganham menos de 2 salários mínimos declaram ter sua performance prejudicada pelo assédio sexual. O índice é 11% maior que a média. O resultado mostra também que, apesar do aumento das conversas públicas sobre o tema, o entendimento sobre o que caracteriza assédio ainda é muito literal, associado à violência física apenas.

A banalização de pequenos gestos de assédio também confunde as mulheres. 10% afirmam não saber se já passou por um assédio e outros 10% disseram não saber identificar casos como esse no trabalho. Como consequência, mulheres vítimas de assédio relatam sentir raiva e nojo, sentimentos seguidos pela sensação de impotência e humilhação. Trata-se de um problema de larga escala (atinge uma em cada duas mulheres).

Os números mostram ainda que 15% sentem confusão e dúvida e 10% sentem culpa. O medo de perder o trabalho leva ao silêncio. No Brasil, a taxa de desemprego entre as mulheres é 40% maior do que a dos homens, gerando uma sensação de insegurança e vulnerabilidade ainda maior.

O levantamento mostra que, apesar de haver um debate da sociedade, no universo do trabalho, o que se vê é a reprodução do status quo masculino. Perguntadas sobre quais caminhos podem levar a uma solução, as respondentes apontam:

  • adotar tolerância zero para os casos de assédio denunciados;
  • responsabilizar os agressores;
  • monitorar constantemente os casos e as estatísticas;
  • ouvir e acolher as vítimas;
  • assumir publicamente o seu papel na luta contra o assédio;
  • atribuir maior responsabilidade às empresas para conter o assédio.

O assédio sexual era, até pouco tempo, naturalizado e legitimado no ambiente de trabalho. Graças a muitas mulheres e campanhas comprometidas com tal questão, esse comportamento foi exposto à sociedade pelo que ele realmente é: uma violência de gênero que traz danos profundos e traumas irreversíveis para as profissionais. Mas, com esta pesquisa inédita, fica claro que o ambiente corporativo ainda encontra dificuldades em assumir sua parte nessa mudança cultural. Ao fechar os olhos para este problema, reproduz os mesmos comportamentos que, direta ou indiretamente, protegem o agressor e reforçam um cenário perverso em que ele, por sinal, é o único que não sai perdendo. A vítima é revitimizada e excluída do mercado, a própria empresa perde talentos e a diversidade de seu corpo de funcionários, e a comunidade segue vendo a violência ser perpetuada”, destaca Maíra Liguori, diretora de impacto da Think Eva.

A campanha de educação conta ainda com o lançamento de um vídeo para demonstrar quais comportamentos não são considerados profissionais e também mostrando como denunciar esse ato antiprofissional. O LinkedIn apresenta em sua ferramenta de denúncia uma opção dedicada ao registro de assédios para garantir a segurança dos usuários contra comportamentos indesejáveis. Como empresa, o LinkedIn está comprometido em combater a discriminação nos ambientes de trabalho, em todas as questões que a envolvem, incluindo o assédio. Além de possuir políticas anti-assédio, discriminação e retaliação, realiza treinamentos online regulares obrigatórios para os funcionários.

Veja a pesquisa completa em: https://thinkeva.com.br/pesquisas/assedio-no-contexto-do-mundo-corporativo/

Vídeo da campanha: https://www.youtube.com/watch?v=l56lw8tb8z8&feature=youtu.be&ab_channel=Link

Fonte: Rh pra Você

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