Mercado de trabalho: o que esperar de 2021

Foto por Pixabay em Pexels.com

Costuma-se dizer que, após uma crise, o tempo de recuperação de um País ou empresa é três ou quatro vezes superior ao período que a situação demorou para chegar ao fundo do poço. Por essa lógica, o Brasil teria chance de se ver em uma situação econômica mais confortável até o final do primeiro semestre de 2021. A questão é que estamos nos recuperando de uma pandemia, algo bem mais sério que uma ‘crisezinha’ qualquer. O que me faz crer que, talvez, só retornaremos ao patamar do início de 2020 no segundo semestre de 2021. 

Essa é a minha percepção, algo que também venho escutando de especialistas e líderes do mercado e que se confirmou com as informações da 13ª edição do Guia Salarial da Robert Half, que acabamos de lançar. Pelo estudo, a tendência é de que permaneçam em alta os setores de saúde, agronegócio, infraestrutura, logística e tecnologia – este último, segue aquecido há tempos e ganhou ainda mais força diante da aceleração da transformação digital impulsionada pela pandemia. Porém, o estudo não apresenta surpresas com relação às remunerações: a maior parte das posições e áreas permanecem com os salários estáveis.

Entre as mensagens-chave para o ano de 2021, mapeadas durante a produção da 13ª edição do Guia Salarial da Robert Half, eu destaco quatro:

1) Habilidades comportamentais são fundamentais

Você já deve ter ouvido em algum momento o seguinte mantra: “pessoas são contratadas pelas habilidades técnicas e demitidas pelo comportamento”. Essa afirmação se torna cada vez mais verdadeira a medida em que cresce a humanização de empresas e da gestão. Então não perca oportunidades de fazer avaliações sinceras sobre os seus pontos de melhoria, com especial atenção para desenvolver ou aprimorar a comunicação, o pensamento estratégico, a agilidade, a inovação e a adaptabilidade.

2) É hora de buscar a própria alfabetização digital

Independentemente da área de atuação e do nível hierárquico, todo profissional deve se manter atualizado sobre a existência de ferramentas tecnológicas que possam ser utilizadas para melhorar a forma como o trabalho é desempenhado. Aqui, não falamos de desenvolvedores, mas de pessoas que buscam informações por conta própria sobre como otimizar a operação, seja para apresentar uma novidade à liderança ou não serem pegas de surpresa diante de alguma atualização nos processos.

3) Cresce o desafio na retenção de talentos

Com o home office testado e aprovado por muitos, em tese, o mundo inteiro está aberto para os profissionais. Essa realidade exige que as organizações repensem os seus planos de atração, recrutamento e seleção, com processos rápidos, assertivos e completos. Além disso, é preciso revisar as políticas de retenção de talentos, lembrando que entre os atuais benefícios mais valorizados estão notebook e auxílio financeiro para montar o home office. A assistência médica segue liderando a lista.

4) A contratação por projetos deve aumentar

Metade dos gestores que contrataram profissionais por projetos durante a pandemia disseram que vão explorar mais esse modelo de contratação no futuro. Aqui, estamos falando de cargos que vão de analistas a diretores, cujas contratações acontecem para auxiliar a equipe permanente durante o aumento pontual de demanda, equilibrar o headcount da empresa ou suprir a ausência temporária ou emergencial de um profissional-chave. Há excelentes oportunidades em diversas áreas.

Na virada do ano, a pandemia terá deixado aprendizados a empregados e empregadores, mas também consequências que podem perdurar por muito tempo, sejam elas financeiras ou psicológicas. Muitas incertezas e inseguranças abalaram a confiança dos empresários e da população, algo que é extremamente normal diante do que estamos vivendo. Mas se tivermos planejamento, em relação à nossa carreira e aos negócios, sairemos disso tudo como especialistas em reinvenção, mesmo diante do caos. O que é ótimo para desafios futuros!

Aqui neste Blog, você encontra outros artigos sobre carreira, gestão e mercado de trabalho. Também é possível ter mais informações sobre os temas na Central do Conhecimento do site da Robert Half.

*por Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half

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