O Império contra ataca: aprendendo estratégia com a Disney

star wars 22Aceitar que estava sendo superada foi o ponto chave para a companhia retomar a liderança de seus mercados

O editor é fã declarado do sistema Disney e não poderia deixar de compartilhar esse artigo super interessante!

Há muito tempo, um sujeito resolveu que iria transformar a experiência de ir ao cinema em algo mais próximo do mundo real. Inventou, assim, o parque de diversões moderno, com atrações que transportavam os visitantes para o mundo que estava preso atrás das telas. Algum tempo depois, esse mesmo senhor começou a usar programas de televisão para gerar interesse em seus parques, enquanto continuava revolucionando o mundo com suas obras primas no cinema.

Falar de estratégia é fácil. O sujeito joga uns termos como “sinergia”, “escala”, entre outros, e consegue gerar uma boa impressão. Ver uma bela estratégia executada no mundo real, no entanto, é outra coisa. Por isso que a Disney virou um dos maiores exemplos de estratégia bem feita. Mesmo que você não goste de desenhos, super heróis e Jedis duelando em uma galáxia distante (você não tem coração?), os últimos anos dessa empresa merecem sua atenção.

A coisa era muito diferente com o antigo presidente, quando a empresa nos brindava com coisas fantásticas como “Mogli 2” e outras porcarias, em que a ordem era cortar custos e usar a propriedade intelectual já existente para ganhar dinheiro o mais rápido possível. A coisa estava tão mal que o sobrinho do fundador Walt Disney se envolveu em uma campanha para, em 2005, colocar Robert (Bob) Iger no topo da companhia.

Diz a lenda que no segundo dia de trabalho Bob estava na sala de reunião convencendo seu board a comprar a Pixar, responsável por sucessos como Toy Story. O estúdio Disney, pela primeira vez desde sua fundação, teria que confessar ao mundo que já não era o melhor em fazer desenhos animados. Nos próximos anos viriam a Marvel e a Lucasfilm (pouca gente sabe mas, como Steve Jobs era o dono da Pixar e a vendeu por ações da Disney, quando morreu ele era mais rico por causa da sua participação no império do rato do que por suas ações da Apple). Segundo a lenda, até hoje o CEO mantém uma lista de nomes “preferidos”, em que fica de olho caso surja a oportunidade de uma nova aquisição.

A partir do momento em que aumentou e melhorou a qualidade de sua propriedade intelectual, Iger colocou a empresa para fazer o que ela faz melhor. Os filmes passam da tela do cinema para os parques de diversão, alimentam e são alimentados por seus canais de TV e, por último, servem de base para a enxurrada de brinquedos e produtos que vemos surgir no mundo inteiro quando a empresa acerta a mão. Em 2014, um ano após o filme, as bonecas de Frozen tiraram o trono da Barbie como a mais procurada pelas meninas nos Estados Unidos.

Não satisfeita em apenas explorar o que possuía, a empresa passou a usar seus sucessos em uma área para melhorar as atividades de outras. O próprio estúdio da Disney renasceu com processos antes usados somente na Pixar, e agora vemos a LucasFilm tentar levar para Star Wars o conceito de “universo” que a Marvel inventou e agora todos querem copiar (filmes, programas de televisão, quadrinhos e um universo aparentemente interminável de produtos à venda).

Por fim, não podemos esquecer seus canais de televisão, que ainda são parte importante da empresa. Ali, a jóia da coroa continua sendo a ESPN. Mesmo em um mundo em que as pessoas querem mais saber de downloads e Netflix, os fãs de esporte acabam pagando para assistir a seus times preferidos ao vivo. Você pode viver sem mais um canal de filmes, mas, por enquanto, é mais difícil cancelar sua temporada favorita se você realmente acompanha um time. Em 2016, veremos a inauguração de um parque próximo a Shangai.

Com isso tudo, a empresa ganhou um momento que seus adversários ainda estão correndo atrás para copiar. A Universal, bufando em seu pescoço, corre atrás com seus parque do Harry Porter e Sequências de Velozes e Furiosos. Ainda assim, essa rival é propriedade da Comcast, uma provedora de TV a Cabo. A Disney, por não possuir estrutura de distribuição, pode focar seus esforços na propriedade intelectual, que parece ser seu ponto forte.

Se tudo isso parece bom demais, é porque é difícil imaginar que foi nos últimos 10 anos que todo esse movimento aconteceu para diferenciar a empresa de seus rivais. Há apenas uma década, a empresa estava perdida, ex-executivos abondonavam o barco e fundavam concorrentes (foi assim que a Dreamworks, de Shrek, surgiu), e uma briga bastante pública precisou acontecer para trocar o CEO.

Então, caro leitor, enquanto você se senta na sua cadeira para assistir novamente a Han Solo e Chewbacca na tela do cinema, ou coloca em dia seu “Demolidor” e “Jessica Jones” durante as férias, pare por um segundo e sorria. Belas estratégias devem ser admiradas.

 

Artigo de Fabio Zugman para o Administradores

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