Em um cenário marcado por alto desemprego e escassez de talentos qualificados, realidade em que cerca de 8 em cada 10 empresas brasileiras enfrentam dificuldade para encontrar profissionais com as competências necessárias, segundo estudo da McKinsey & Company, a inclusão produtiva se torna uma agenda estratégica para empresas que buscam crescimento sustentável. Mais do que uma pauta social, o tema passa a ser uma resposta direta às demandas do mercado de trabalho.

No centro dessa discussão está a necessidade de conectar pessoas em situação de vulnerabilidade a oportunidades reais de emprego. Para Andrea Matsui, CEO da Generation Brasil, ONG global criada pela McKinsey com foco em empregabilidade, o avanço nessa agenda depende de uma mudança estrutural na forma como empresas e organizações encaram a formação profissional. “Não basta treinar talentos, é preciso garantir que as pessoas consigam acessar e permanecer no mercado de trabalho formal. Isso exige uma abordagem integrada, que vai da capacitação ao acompanhamento pós-contratação”, completa.

Os cinco pilares da inclusão produtiva

A experiência da Generation Brasil, organização sem fins lucrativos presente em mais de 17 países e atuante no país desde 2019, aponta cinco pilares fundamentais:

1. Formação orientada à empregabilidade

Programas intensivos, com foco em áreas de alta demanda e aprendizado prático, aumentam significativamente as chances de inserção no mercado.

2. Integração entre habilidades técnicas e comportamentais

Soft skills como comunicação, adaptabilidade e trabalho em equipe são cada vez mais determinantes para contratação e permanência no emprego.

3. Apoio integral ao aluno

Diagnóstico de vulnerabilidades e suporte contínuo, incluindo apoio financeiro e psicológico, são essenciais para garantir a permanência nos programas.

4. Conexão ativa com empregadores

A empregabilidade é tratada como parte central da jornada, com preparação para processos seletivos e indicação para vagas.

5. Foco em vínculos formais de trabalho

A priorização de empregos com maior estabilidade contribui para inclusão econômica sustentável.

Pesquisa da Generation reforça impacto

Levantamento de 2025 da ONG com 461 ex-alunos formados entre dois e cinco anos atrás mostra que 84% estão em empregos permanentes ou com contrato fixo, evidenciando a eficácia de modelos que combinam formação prática com foco direto em empregabilidade.

“A inclusão produtiva é uma agenda de longo prazo, mas com resultados concretos. Empresas que investem nisso transformam vidas de profissionais e fortalecem sua própria competitividade”, finaliza Andrea.