Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre e Região

Protesto em frente a entrada da fábrica chinesa em Pouso Alegre cobra apuração sobre caso de trabalhador que foi agredido por gerente de qualidade vindo da China. Empresa alega que ele foi afastado e caso está sendo apurado

Pouso Alegre (MG) – Liderados por organizações sindicais, os trabalhadores da multinacional chinesa Midea, em Pouso Alegre, fizeram um protesto em frente a planta fabril da companhia na manhã desta terça-feira, 23. O movimento teve início por volta das 4h30 da manhã e bloqueou o acesso à portaria da empresa, que conta com um quadro de aproximadamente 2.500 colaboradores.

O motivo da manifestação, segundo os organizadores, foi uma denúncia de agressão física por parte de um gerente de qualidade da fábrica, vindo da China, contra um trabalhador brasileiro. O episódio gerou forte indignação entre as lideranças representativas, que classificaram o ato como “inaceitável”.

O caso teria ocorrido em 15 de junho, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre e Região. Um boletim de ocorrência foi registrado e o Ministério Público do Trabalho foi acionado. A categoria cobra que a empresa inicie uma apuração rigorosa sobre o caso, sob pena de entrar em estado de greve nos próximos dias.

O presidente do sindicato, Francisco Pereira, o Piauí, deu detalhes da denúncia enviada pelo trabalhador. “Houve uma denúncia por parte de um trabalhador via áudio, falando que foi agredido na produtividade, onde estava exercendo suas funções e, ao mesmo tempo, um gestor, que veio da China, começou a dar um soco nas costelas dele e em seguida, não satisfeito, veio bater com a gaxeta. Hoje, a gente pode estar silenciando as máquinas aqui na empresa por tempo indeterminado se a empresa não tomar ação cabível contra esse gestor que veio da China”, afirmou.

Ainda conforme o líder sindical, um documento será protocolado nesta quarta-feira, alertando para a possibilidade de a categoria entrar em estado de greve caso a empresa não atenda às suas reivindicações em até 72 horas.

Mobilização em frente à fábrica

A mobilização na entrada da planta industrial contou com o apoio de diversas entidades de classe, incluindo Sindicato dos Metalúrgicos local, a Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM/Fentac) e a Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG).

De acordo com as lideranças presentes no local, a estratégia do movimento para o dia de hoje era de bloqueio total das atividades. “Hoje não entra ninguém”, afirmou um dos representantes do ato, destacando que o objetivo é realizar um processo de convencimento junto aos 2.500 trabalhadores da Midea, abrindo um debate amplo na porta da fábrica sobre as condições de trabalho e a gravidade do ocorrido.

“Nós vamos fazer um debate aqui na porta sobre condições de trabalho e o absurdo que aconteceu aqui na fábrica”, declarou o presidente da CUT Minas, Jairo Nogueira, em transmissão para as redes sociais direto do local do protesto.

Ao final, o movimento na porta da empresa atrasou o início das atividades na planta fabril por cerca de uma hora.

Midea diz que afastou envolvido e apura os fatos

A Midea se manifestou sobre o caso por meio de nota. A empresa diz estar ciente das alegações da categoria, e afirma que “o envolvido” no caso foi afastado e um processo de apuração teve início “à data do evento”.

A companhia argumentou ainda que “não compactua com quaisquer formas de violência, assédio, discriminação”.

Confira a íntegra da nota divulgada pela Midea

A Midea Indústria do Brasil informa que está ciente das alegações veiculadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre e Região, tendo adotado, à data do evento, as medidas previstas em nossos protocolos internos, afastando o envolvido enquanto os fatos são apurados com seriedade e imparcialidade.

A companhia reforça que não compactua com quaisquer formas de violência, assédio, discriminação ou conduta incompatível com seus valores, Código de Conduta e políticas internas, permanecendo à disposição para os esclarecimentos necessários