
Com a saúde mental no centro da agenda corporativa, dados da Gallup e da Twygo reforçam a importância de treinamentos para preparar líderes e apoiar ações preventivas
Apenas 1 em cada 5 trabalhadores do mundo estão engajados em suas empresas. A informação é da última edição da State of the Global Workplace 2026, da Gallup. Segundo o estudo, o número é o menor desde 2020 e aponta a necessidade de uma mudança no cenário global.
O levantamento também mostra que 40% dos profissionais relataram ter sentido muito estresse no dia anterior, enquanto o baixo engajamento teria gerado uma perda de US$10 trilhões (R$50,3 trilhões na atual cotação do dólar) em produtividade global, o equivalente a 9% do PIB mundial.
Os números reforçam como a saúde mental passou a influenciar diretamente a rotina das empresas, afetando produtividade, clima organizacional e a capacidade das lideranças de manter equipes conectadas ao trabalho.
No entanto, a adesão dos colaboradores aos treinamentos ainda é um gargalo. O levantamento Benchmarking do T&D no Brasil 2026, realizado pela Twygo, plataforma de gestão de aprendizagem (LMS), apontou que 57% dos profissionais do setor consideram o baixo engajamento dos colaboradores o principal desafio dos treinamentos corporativos no Brasil.
O dado indica que a prevenção também depende da capacidade das empresas de envolver pessoas nos processos de aprendizagem. Não basta oferecer treinamentos sobre saúde mental, assédio, liderança ou comunicação se os colaboradores não participam de forma consistente ou não conseguem aplicar o conteúdo na rotina.
Em um ambiente marcado por estresse elevado, a baixa adesão pode limitar justamente as ações que ajudam a identificar problemas antes que eles se transformem em crises. Nesse sentido, a formação de lideranças pode apoiar gestores na identificação de sinais de sobrecarga, na condução de conversas difíceis e no encaminhamento adequado de situações de conflito, assédio ou adoecimento emocional. Esse movimento já aparece entre as prioridades das empresas.
Segundo a pesquisa da Twygo, fortalecer a cultura organizacional e desenvolver lideranças estão entre os principais objetivos do T&D nas empresas. O fortalecimento da cultura foi citado por 48,35% dos profissionais, enquanto o desenvolvimento de lideranças apareceu com 47,99%.
Os dados reforçam a importância de programas estruturados, com adesão real dos colaboradores, para apoiar lideranças, orientar comportamentos e ampliar a capacidade das organizações de prevenir situações que afetam o bem-estar e a produtividade.
As ações também podem incluir orientações sobre organização do trabalho, prevenção ao assédio, canais internos de acolhimento e denúncia, gestão de conflitos e práticas de comunicação. Quando integrados ao RH, à segurança do trabalho e à gestão, esses treinamentos deixam de ser iniciativas isoladas e passam a apoiar a construção de ambientes mais seguros.
