O que o primeiro ano da Covid ensinou ao mercado e o que está por vir?

Foto por Anna Shvets em Pexels.com

Há aproximadamente um ano, a Organização Mundial da Saúde decretava a pandemia do novo coronavírus e forçava milhares de empresas a trabalhar de forma remota. O último ano abalou a maioria dos setores de alguma forma, alguns para pior, outros para melhor. E embora a pandemia ainda não tenha acabado, a Covid-19 continua sendo, em grande escala, responsável pela disrupção do modelo de negócios que imperava até o início de 2020. A pandemia foi capaz de modificar percepções a respeito de como ou onde trabalhar, além de impactar economias ao redor do mundo.

“Já se passou um ano desde que a pandemia desestruturou a economia brasileira e nos isolou pela primeira vez. Para a maioria das empresas, mesmo que não soubessem disso naquele momento, o surgimento da Covid-19 marcou o início de uma curva única de aprendizado, em que líderes de negócios e suas forças de trabalho precisaram se unir para superar os muitos e variados obstáculos que a pandemia apresentou, tornando-os mais fortes, como indivíduos, times e empresas”, comenta Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half.

No momento em que muitas comunidades estão marcando o primeiro aniversário das medidas de isolamento, a Robert Half sugere que uma pausa seja feita para que se possa refletir e compreender o quão longe cada organização chegou, quais foram os aprendizados e, principalmente, planejar como navegar ao longo dos próximos meses neste mundo que mudou tanto.

Aprendizados COVID-19: Os últimos 12 meses em avaliação

Resiliência = Confiança

A pandemia afetou rapidamente a confiança dos negócios e as perspectivas de crescimento das organizações. Em todos os lugares, literalmente da noite para o dia, muitas empresas precisaram paralisar ou readequar suas operações de uma forma brusca, sem precedentes. A resiliência dos profissionais e dos negócios se tornou uma missão crítica. Neste contexto, líderes e liderados entenderam na prática a importância da agilidade, adaptabilidade e inovação ao direcionar operações e objetivos durante a pandemia.

No entanto, a confiança nos negócios está voltando. Embora a incerteza ainda persista, um ano após o início da pandemia, 88% dos 300 líderes brasileiros entrevistados pela Robert Half afirmam terem algum nível de confiança com relação ao crescimento das empresas na qual atuam, no primeiro semestre de 2021.

O trabalho remoto e híbrido não são apenas medidas de contingência, são o futuro para muitas organizações

Houve uma grande mudança nos padrões de trabalho híbrido em resposta à Covid-19, que fez com que gerentes e funcionários dividissem seu tempo entre trabalhar remotamente em casa e no escritório nos últimos meses. Pesquisas da Robert Half indicam que 95% dos executivos acreditam em forças de trabalho híbridas como parte permanente do cenário de empregos e 71% dos profissionais gostariam que as vivências flexíveis (horário, local, jornada) estabelecidas ao longo da pandemia se mantivessem ao final dela.

Os benefícios do trabalho remoto/híbrido incluem maior agilidade em tempos mutáveis e oportunidades de equilíbrio entre vida pessoal e profissional para colaboradores. Empregadores agora também podem acessar um “pool” mais amplo de profissionais e reter talentos que estão em busca de arranjos de trabalho mais flexíveis, exercendo uma atenção cuidadosa ao monitoramento das cargas de trabalho, manutenção da cultura organizacional e se atentando ao bem-estar dos funcionários, mesmo em ambientes fora do escritório.

As práticas de recrutamento evoluíram

As práticas de recrutamento, que sempre dependeram muito de interações pessoais, se adaptaram rapidamente para atender às demandas de contratação e integração de empresas ansiosas por garantir os candidatos certos em um mercado tão competitivo. Após o final da pandemia, 92% dos 387 líderes entrevistados acreditam que os processos seletivos permanecerão híbridos, conforme aponta a 14ª edição do Índice de Confiança da Robert Half.

Mesmo durante a pandemia, muitas empresas continuam contratando devido ao aumento das atividades consideradas essenciais para a sobrevivência das pessoas e dos negócios. As equipes de tecnologia, por exemplo, cresceram de maneira acelerada, impulsionada pela digitalização das operações, enquanto as equipes financeiras, orientadas por dados, também foram essenciais para o planejamento e a preparação de estratégias de negócios. As equipes de RH, por sua vez, precisaram lidar com excesso de carga de trabalho, seja por contratações, demissões, suporte ao bem-estar dos colaboradores, mudanças nas políticas internas ou protocolos de saúde.

Cultural organizacional segue sendo essencial 

Em 2020, os líderes de negócios entenderam que a mudança é a única constante real. A habilidade de se manter ágil e flexível, portanto, é agora vital para uma empresa permanecer competitiva no mercado de trabalho.

Um dos aspectos mais positivos da pandemia é que as empresas encontraram novas maneiras de apoiar e encorajar valores essenciais no time, como colaboração, engajamento, produtividade e inovação. Sem dúvida, essas características não foram apenas cruciais para sobreviver à pandemia, mas também estão ajudando a preparar os funcionários para o futuro do trabalho, que provavelmente será baseado em ambientes mais solidários, empáticos e inclusivos, sendo eles presenciais ou remotos.

O que esperar de 2021?

Este ano continuará sendo de recuperação e reconstrução. Atualmente, prioridades estratégicas começam a se traduzir em novos projetos e novas iniciativas. O recente relatório Demanda por talentos no cenário atual revela que existem oportunidades para empresas e indivíduos, apesar dos desafios e turbulências relacionados à pandemia.

Embora a redução de custos e o equilíbrio de orçamentos continuem sendo prioridades para muitos líderes de negócios, as empresas também estão vendo oportunidades de crescimento ao implementar iniciativas para aumentar a eficiência e impulsionar a competitividade. De acordo com a pesquisa, 33% dos líderes pretendem contratar e apenas 1% planeja reduzir o quadro.

Os CIOs estão priorizando iniciativas de segurança cibernéticaBig Datatransformação digitalinovação e novas tecnologias, prioritariamente na nuvem. Já os CFOs estão focados em automatizar processos, atendendo aos padrões de relatórios financeiros e contábeis, análise de dados e requisitos regulamentares.

A tendência é que haja também o aumento da demanda por especialistas em segurança cibernética, engenheiros de sistemas e de nuvem, além de desenvolvedores, à medida que aceleram a transformação digital. Da mesma forma, os profissionais de finanças, que atuam como parceiros de negócios, serão essenciais para ajudar líderes das empresas a prever e aumentar a eficiência do negócio, enquanto desenvolvem estratégias ágeis. Planejadores financeiros, gerentes de análise, analistas de negócios e gerentes de projeto também serão muito procurados na área de Finanças.

Períodos de crise: seis maneiras de apoiar a equipe

  1. Promova treinamentos e aprendizagens virtuais: Aproveite as diversas opções de desenvolvimento profissional on-line acessíveis, mesmo se os orçamentos forem menores.
  2. Estimule o equilíbrio entre vida pessoal e profissional: Mantenha ou desenvolva políticas flexíveis e/ou práticas de trabalho em janelas para melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
  3. Mapeie o bem-estar e a saúde mental da equipe: Comunique-se com os membros da equipe de 2 a 3 vezes mais para avaliar seus sentimentos e oferecer recursos de bem-estar ou aconselhamento psicológico.
  4. Demonstre interesse pelas metas de carreira dos colaboradores: Mostre aos membros da equipe quais opções de plano de carreira estão disponíveis para mantê-los mais engajados, produtivos e leais.
  5. Mantenha atenção a sobrecargas de trabalho: Caso note sobrecarga na equipe, veja se há má administração de tempo ou se é necessário aumentar a equipe. Se a questão for falta de mão de obra por uma demanda temporária ou emergencial, um profissional temporário costuma ser uma excelente opção para aumentar a equipe sem inflar o quadro de colaboradores permanentes.
  6. Cuide de si (para poder ajudar os outros): É muito provável que gerentes também estejam enfrentando um aumento das pressões e carga de trabalho. Tome medidas para cuidar de suas próprias necessidades – pessoais e profissionais – para que você esteja em melhor posição para ajudar os outros.

“A incerteza, as recessões e as mudanças nas metas de 2020 exigiram níveis sem precedentes de agilidade de negócios, resiliência e perspicácia de planejamento, mas vimos em primeira mão quantas empresas enfrentaram o desafioAo desenvolver suas capacidades tecnológicas, adaptando suas operações e processos, fazendo o trabalho remoto funcionar, bem como otimizando as habilidades do quadro de funcionários para o mundo atual e pós-pandêmico, as empresas que usaram os últimos meses para fazer um balanço e direcionar operações e objetivos estarão mais bem posicionadas para abraçar as novas oportunidades que vêm pela frente”, finaliza Mantovani.

Fonte: Rh pra Você

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