Com desemprego em mínima histórica, demora nos processos seletivos, “ghosting” e contrapropostas ampliam o risco de perda de profissionais
São Paulo, maio de 2026 — Em um mercado aquecido e com escassa disponibilidade de talentos qualificados, processos de contratação lentos estão se consolidando como um risco latente para as empresas. De acordo com dados do IBGE analisados pela Robert Half, a taxa de desemprego alcançou o menor patamar da série histórica, com 5,1% na população geral e apenas 2,5% entre profissionais qualificados.
Nesse cenário, organizações que não avançam com agilidade nos processos seletivos dificilmente terão acesso aos melhores talentos. A competição por profissionais qualificados se intensificou, colocando maior ênfase na experiência do candidato. Processos longos, pouco transparentes ou mal estruturados aumentam a probabilidade de os candidatos abandonarem o processo (“ghosting”) e ampliam a exposição a contrapropostas de seus empregadores atuais.
Um levantamento da Robert Half destaca as principais preocupações dos gestores de contratação para 2026:
- Encontrar candidatos qualificados (80%)
- Atrair profissionais com habilidades especializadas ou de nicho (72%)
- Contratar com mais rapidez quando necessário (64%)
Ao mesmo tempo em que os desafios para encontrar talentos variam conforme o porte das organizações, todos convergem para a necessidade de revisão dos modelos de recrutamento:
Pequenas empresas
- Fortalecer marca empregadora e cultura corporativa (81%)
- Simplificar e melhorar o processo de recrutamento (80%)
- Aumentar a transparência, como faixas salariais e prazos (79%)
Médias empresas
- Simplificar e melhorar o processo de recrutamento (85%)
- Fortalecer marca empregadora e cultura corporativa (82%)
- Aumentar a transparência, como faixas salariais e prazos (82%)
Grandes empresas
- Fortalecer marca empregadora e cultura corporativa (83%)
- Simplificar e melhorar o processo de recrutamento (81%)
- Aumentar a transparência, como faixas salariais e prazos (77%)
De acordo com Leonardo Berto, gerente regional na Robert Half, o tempo de contratação virou um fator decisivo. “Profissionais qualificados não ficam disponíveis por longos períodos. Muitas vezes estão em mais de um processo simultaneamente e, quando a decisão demora, outra empresa avança primeiro. Trata-se de uma mudança clara na dinâmica do mercado, na qual o poder de escolha está muito mais nas mãos das pessoas candidatas”, afirma.
A revisão das estratégias de recrutamento tornou-se uma prioridade estratégica para a liderança. Organizações que investirem em processos mais ágeis e bem estruturados, alinhados às expectativas dos candidatos, estarão melhor posicionadas para atrair e reter talentos essenciais.
“Não se trata apenas de velocidade”, acrescenta Berto. “Oferecer clareza, feedback e engajamento contínuo ao longo de todo o processo é fundamental. Sem isso, aumenta o risco de desistência ou de aceitação de uma contraproposta. Um processo bem estruturado faz toda a diferença, seja ele conduzido internamente pelo RH ou por meio de uma consultoria externa”.
