Saúde Mental no Trabalho: menos tabu, mais ação e Gestão de Pessoas

Foto por Alexander Dummer em Pexels.com

Esse artigo reúne alguns números sobre depressão, ansiedade e angústias que as pessoas estão vivendo agora. Abordo algumas boas práticas que podem ajudar seu time.

Saúde mental no trabalho é um tema espinhoso, desses que muitos preferem colocar debaixo do tapete.

Longe de mim dizer que é fácil. Estamos falando de questões muito pessoais e de difícil abordagem no ambiente de trabalho. Portanto, é, sim, desafiador lidar com isso no comando de uma equipe.

Mas isso não significa que ignorar terá um efeito melhor do que encarar e aprender formas de gestão e liderança que contribuam para a saúde mental dos liderados, concorda? Na verdade, a saúde mental no trabalho precisa fazer parte das habilidades que tanto buscamos desenvolver na gestão de pessoas.

Como fazer? Bom, sou tão aprendiz quanto alguns que leem esse texto. Como estamos juntos, vou compartilhar alguns ensinamentos que estão fazendo muito sentido para mim e que espero que façam sentido para você.

Pandemia e saúde mental

Já há muitos anos, os números estão escancarando a necessidade de desmistificar transtornos mentais como depressão, ansiedade, Síndrome de Burnout, entre muitas outras.

 

Um relatório da OMS de 2002 – ou seja, quase 20 anos atrás –, revelou que as perturbações mentais e comportamentais afetam mais de 25% da população, em algum momento da vida. Você realmente acha que esse número mudou para melhor?

Mais recentemente, o órgão passou a projetar que a depressão seria, até 2020, a maior causa de afastamento no mundo. Ou seja, se já sabíamos que esse ano tinha tudo para ser desafiador nesse ponto, imagine isso somado a um contexto inesperado de pandemia, que transformou nossas relações pessoais e de trabalho.

Números da saúde mental na pandemia

Principal medida de prevenção à covid-19, o distanciamento social acabou separando encontros de famílias, amigos, colegas de trabalho e nos levou a ficar cada vez mais isolados, em casa, muitas vezes sozinhos e sem apoio para lidarmos com as incertezas do presente e do futuro.

 

Se o tópico da saúde mental era frágil antes, hoje esse assunto precisa ganhar força entre nós, gestores. Uma pesquisa do LinkedIn acendeu o alerta para isso durante a pandemia:

  • 62% dos colaboradores remotos estão mais ansiosos e estressados.
  • 39% se sentem sozinhos;
  • 33% disseram ter o sono afetado negativamente;
  • 43% praticam menos atividades físicas;
  • 30% se dizem estressados pela ausência de momentos de descontração no trabalho;
  • 20% estão inseguros porque têm dificuldades em saber o que está acontecendo com seus colegas de trabalho e a empresa.

Para os espaços físicos que foram adaptados, a convivência continua, ainda que restrita e diferenciada. Então, vou abordar mais especificamente as questões relacionadas ao home office, pois é justamente nesse contexto que o isolamento é mais significativo.

 

Trabalhar de casa é normal quando não é improvisado

Trabalhar de casa tem muitos lados positivos, e diversas empresas mundo afora já estavam adotando esse modelo muito antes da covid, principalmente em países da Europa, como Holanda.

Um dos motivos para isso é bem relacionado à produtividade. Inclusive, hoje, 33% das pessoas estão se sentindo mais produtivas, já que não são tão interrompidas como presencialmente.

Mas, em situações normais, estamos falando de um contexto em que o trabalho remoto precisou ser imposto e, em inúmeros casos, improvisado. Trabalhar de casa não significa pular da cama para o sofá, ligar o laptop e ficar conectado por horas, sem definição de início e fim de expediente. Isso é impensável em termos de qualidade de vida, saúde e produtividade.

Ou seja, empresas precisam ter boas práticas e limites claros para as atividades remotas. Mas o que acontece também é que muitas que adotaram a modalidade não tinham estrutura nem mesmo planos para levar o escritório para a “nuvem”. Adaptação tem tudo a ver com evolução.

Saúde mental na gestão de pessoas

A pandemia chegou, não tem data para ir embora, e precisamos agir. Se você é gestor e ainda não sabe por onde começar a cuidar da saúde mental de seus colaboradores, comece pelo simples. Trabalhar a favor da saúde mental dos colaboradores não requer, necessariamente, recursos elevados. Pequenas ações podem ter grandes resultados.

O que fazer para descobrir como anda a saúde mental? Um exemplo que não vai ter impacto para o seu bolso: um questionário online de avaliação das condições de trabalho e da vida pessoal podem trazer insights reveladores para os gestores. As respostas podem servir para reavaliar posturas, demandas, condutas, entre muitos outros aspectos que podem ser ajustados da cultura corporativa.

Além disso, contar com a ajuda, ou melhor, a consultoria de especialistas em bem-estar corporativo, como psicólogos, pode ser transformador para a empresa.

Técnicas para o bem-estar mental da sua equipe

Como em tudo na área da saúde, é melhor prevenir que remediar. Ou seja, se algum leitor acredita que a equipe está bem da cabeça, isso não significa que técnicas que favoreçam corpo e mente não precisem ser colocadas em prática, certo? Por isso, as orientações a seguir são para você também que acredita que está tudo bem.

Cada empresa tem uma realidade específica, então, não há receita de bolo. Os exemplos a seguir podem servir para você ou não. Avalie seu contexto e encontre uma forma de levar seus colaboradores a um caminho com mais satisfação e equilíbrio no trabalho nesse cenário atual.

Muitas vezes, pode ser difícil lidar com essas agendas internamente nas companhias, e hoje há empresas 100% especializadas em saúde e bem estar corporativo, como é o caso da BeeCorp, que gentilmente colaborou com alguns exemplos para esse artigo.

1. Reunião 1-1

Para desmistificar os transtornos mentais, precisamos estudar, reconhecer e, claro, conhecer pessoas que lidam com isso. E só vamos saber se alguém lida com isso se tivermos a oportunidade de uma conversa privada, como nos encontros 1-1, por videochamada.

Esses momentos costumam ter foco nas questões de produtividade individual, alinhamento de metas e objetivos. Mas é nessas horas que precisamos deixar o colaborador à vontade para expor algo que esteja vivenciando e impactando sua vida pessoal e profissional.

Acredito que bons gestores são ótimos ouvintes. Não é sessão de terapia, é empatia como estratégia de gestão de pessoas.

2. Ergonomia

Faça o possível para que cada integrante do seu time esteja trabalhando em um espaço adequado – dentro do possível de cada um, claro. Oriente as pessoas sobre a importância de manter um espaço exclusivo para o trabalho, com cadeira com encosto, tela na altura dos olhos, apoio para os pés, entre outros itens.

Algumas empresas chegaram a enviar equipamentos para a casa dos colaboradores. Talvez você não tenha recursos para isso, mas tenha consciência daquilo que está nas suas mãos para garantir um conforto corporal e, consequentemente, mental às pessoas.

3. Técnicas de respiração e automassagem

Para enfrentar situações de estresse, ansiedade e angústia, existem técnicas de respiração e de automassagem capazes de promover alívio, relaxamento e foco. Com tantas atividades ao longo do expediente, além do “malabarismo” com as diversas calls que foram somadas à rotina, o trabalhador invariavelmente vai se sentir sobrecarregado.

Essas técnicas são muito eficazes quando conduzidas por um profissional especializado.

4. Ginástica laboral e ioga

Atividade física tem um poder transformador em todos os humanos, especialmente entre aqueles que enfrentam questões de saúde mental. Não sou médico nem especialista em saúde, mas sei que uma boa dose de neurotransmissores do bem são liberados durante as práticas.

Assim como técnicas de respiração podem ser ensinadas, uma forma de favorecer o bem-estar da equipe é promover aulas online de ginástica laboral, ioga, entre outras atividades que busquem conectar mente e corpo. Mindfulness, o foco no agora, é um alívio para as incertezas do futuro.

Bom, espero que esse artigo tenha feito algum sentido para você e possa te ajudar de alguma forma. Saúde mental não pode ser tabu. É nossa responsabilidade aprender a lidar com isso e promover bem-estar no trabalho.

Artigo de Marcelo para o portal Administradores

 

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