Saiba como o banheiro da empresa pode afetar engajamento dos seus funcionários

Transformar o sanitário de empresa em banheiros de shopping aumenta o engajamento e a produtividade dos trabalhadores. Confira:

Tem empresa que até hoje vê com maus olhos a ida dos funcionários ao banheiro. Resquício de uma época em que o tempo gasto ali era sinônimo de produtividade menor. “No passado recente, havia a visão, que prevalece em alguns setores, de que os banheiros corporativos não deveriam ser locais de estímulo à permanência das pessoas. Tinha até supervisão do tempo de uso”, diz o professor Anderson Sant’Anna, gerente do Núcleo de Desenvolvimento de Liderança da Fundação Dom Cabral (FDC), em Minas Gerais. “Por que, no Brasil, a empregada doméstica tem de usar o lavabo reservado a ela e não o banheiro social? Isso é muito simbólico e representa uma visão patrimonialista, do passado.” Um passado que algumas companhias já começaram a enterrar.

O escritório da fabricante de bebidas Bacardi em Montevidéu, no Uruguai, passou por uma reforma anos atrás e os sanitários ganharam jeito de toaletes de balada, com música rolando solta e espelho enorme e translúcido que reflete um painel com uma foto retrô.

Em Londres, na Inglaterra, o grupo de investimento imobiliário Enstar Capital anunciou em 2015 a criação do mais luxuoso complexo de escritórios da cidade, com banheiros com design de hotel cinco estrelas e revestimento de paredes, torneiras e acessórios de metal dourado reluzente. A ideia da companhia era fazer do local de trabalho um lugar tão incrível quanto uma casa de alto padrão, para que os profissionais se sentissem especiais, já que passam mais tempo ali do que com a família.

Mas os sanitários não precisam ser extravagantes nem refletirem um ambiente festivo. Basta que entreguem o básico. “Uma reforma que deixe esses locais mais amplos, bem iluminados, com decoração cuidadosa, passa a mensagem de que a empresa se preocupa com o empregado como indivíduo, não somente como alguém que trabalha ali”, afirma Sant’Anna. Segundo ele, a prática aumenta a autoestima dos profissionais e contribui para a satisfação deles com o empregador. E funcionários felizes produzem até 12% mais, indica um estudo da universidade de Warwick, no Reino Unido.

Básico bem feito

Em 2016, a fabricante de papel e celulose Suzano, sediada em São Paulo, modernizou todos os ambientes de trabalho, tanto do escritório quanto das fábricas. “Fizemos um projeto de transformação cultural que envolveu desde a melhora da infraestrutura, com novos layouts, até ações que estimulam mudanças comportamentais, como o aumento da autonomia das equipes”, afirma Júlia Fernandes, diretora executiva de gente e gestão da Suzano. “Quando o funcionário está em um ambiente em que se sente bem, demonstra mais engajamento e orgulho do trabalho.”

Incluir banheiros e vestiários no projeto foi uma forma de valorizar um espaço tão íntimo – e que diz tanto sobre a empresa, até para o público externo. “Quem visita companhias em que esses espaços são bonitos e bem cuidados tende a pensar: ‘se os banheiros são assim, imagine o resto’, ‘se existe esse cuidado incomum com os funcionários, imagine com os clientes’”, diz o professor da Dom Cabral.

Na assessoria de gestão financeira e corporativa Tiex, a mudança da sede paulistana para um novo prédio, no início do ano, foi precedida por uma pesquisa para saber o que os funcionários gostariam de ter nesse local. “O banheiro com chuveiro foi um dos pedidos”, conta Samuel Lopes, sócio da Tiex. A companhia agora fica em uma região com acesso a ciclofaixas. E a possibilidade de tomar banho no escritório incentiva as pessoas a fazerem o trajeto para o trabalho de bike. No final do dia, quem vai para a faculdade ou para uma festa pode se arrumar ali mesmo. “De todas as coisas em que a gente investiu aqui, o banheiro com chuveiro é o que eles mais usam”, afirma Lopes. “É interessante que todo mundo que nos visita, de clientes a candidatos a uma vaga, comenta que acha essa prática muito diferente. A boa repercussão foi acima do esperado.”

Engajar os funcionários na construção desses espaços é fundamental para a iniciativa dar certo. “Recentemente, uma grande empresa com academia interna para atender a equipe administrativa resolveu ampliar o benefício para os funcionários do operacional e, sem consultá-los, construiu também para eles uma unidade de primeira linha, com tudo de mais moderno, nos mesmos moldes da primeira”, diz Sant’Anna. “Só que era tudo tão sofisticado que o pessoal da produção se sentiu constrangido de entrar lá”, conclui, exemplificando por que entender o desejo e as necessidades de quem trabalha na empresa é o primeiro passo para não mirar em um banheiro de shopping e acertar um elefante branco.

Fonte: Você RH

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