Pelo fim da “Rádio Peão”

Não há como negar que a boa e velha “Rádio Peão” (ainda) é um dos grandes desafios de comunicação das empresas.

Pode parecer banal, mas ela é um problema que existe na maior parte das organizações, e não deve ser deixado de lado. O diretor executivo da Innovia, Ricardo Barbosa, diz que são muitos os problemas dessa comunicação, e a gravidade pode variar conforme a situação. Geralmente estão ligados à desmotivação de colaboradores e a problemas de lideranças. “A ‘Rádio Peão’ é uma informação que não é oficial da empresa, sendo assim, na maioria das vezes, ela é alvo de interpretações equivocadas. Os problemas podem ser desde simples desencontros até descontrole total da equipe e queda da produtividade. Podem também gerar demissões e brigas no ambiente de trabalho. Enfim, uma ‘Rádio Peão’ descontrolada ocasionará na empresa um grande número de problemas.”

O especialista em comunicação Reinaldo Passadori diz que a “Rádio Peão” é um tipo de comunicação comum em todas as organizações, mesmo porque uma empresa é formada por pessoas que têm pensamentos e ideias diferentes – consequentemente, opiniões e interpretações diversas diante dos mesmos acontecimentos.
Ela pode ser um comentário, uma crítica, uma fofoca, uma interpretação de um fato qualquer que, compartilhado e comentado, pode se tornar uma informação negativa, podendo gerar até grandes prejuízos para a empresa, tais como desmotivação, desinteresse, boicotes, desentendimentos, brigas. Pode ainda culminar em um ambiente ruim para se trabalhar, hostilidades nos relacionamentos e prejuízos para a companhia.

Passadori explica que duas são as causas principais que originam as informações que passam a ser compartilhadas entre os colaboradores em todos os níveis. Uma é a fofoca ou opinião sobre algo que possa ter ocorrido, a decodificação de uma ocorrência qualquer ou maledicência mesmo. “Há pessoas que gostam de falar mal de outras ou inventar boatos para se divertir, sem medir as consequências do seu ato”, comenta. Outra causa é a inércia da empresa em processos de comunicação, ou seja, ela não se preocupa em se antecipar para fornecer informações aos seus colaboradores, gerando com isso uma omissão de dados ou de detalhes que seriam úteis se compartilhados do jeito e no momento certo.

Nesse sentido, uma das funções principais do RH é criar um clima organizacional favorável para que haja harmonia, proatividade, colaboração, produtividade, responsabilidade e comprometimento entre os colaboradores. E sabendo que a “Rádio Peão” pode prejudicar essas características, Passadori indica a criação de um sistema de comunicação interna que seja transparente, verdadeiro, respeitoso, com as informações certas e na linguagem apropriada à capacidade de entendimento dos colaboradores.

Para isso, pode se utilizar desde circulares para os diversos departamentos, sistemas de intranet, jornais murais, jornais internos, sistemas internos de TV, até, e principalmente, a realização de reuniões com os líderes, com a missão de disseminar as informações necessárias e adequadas para o bom entendimento entre as pessoas, eliminando, consequentemente, as informações que surgem por outros meios.

Um cuidado especial é identificar aquelas pessoas que tendem a gerar informações desencontradas, criadoras da “rádio” interna – normalmente líderes informais. Passadori indica conversar com essas pessoas, procurar utilizar a sua capacidade de “liderança” em um sistema colaborativo, valorizando-as, ajudando-as a perceber que podem colaborar, ao invés de prejudicar a organização.
Barbosa ressalta que o RH tem papel fundamental no controle desse ruído de comunicação. “Embora seja quase impossível eliminar a ‘Rádio Peão’, pois sempre há alguém querendo ser o novidadeiro e passar informações ‘em primeira mão’, a maneira de atenuar o problema é o RH e as demais áreas agirem de forma clara e transparente, sem tentar ocultar informações dos seus pares e colaboradores, exceto nas situações que exijam sigilo. Se o RH souber se comunicar de maneira eficiente, ampliará as chances de impedir que informações equivocadas sejam disseminadas”, diz.

Identificando os locutores

De acordo com Barbosa, há várias estratégias para quando se localiza quem é a fonte geradora da “Rádio Peão”. Podem ser desde simples conversas até severas punições. Como o mercado de profissionais é complexo, ele recomenda chamar essas pessoas para o lado da empresa, isto é, se aproximar desse profissional e fazer com que ele passe de um problema para uma solução. “Se uma pessoa passa informações negativas, um dos principais pontos deve ser a desmotivação; assim, ao motivar esse profissional, ele poderá passar a ser uma fonte de informações positivas. Contudo, caso isso não ocorra, recomendo que se usem advertências, e, se não houver melhorias, a solução pode ser a demissão.”
Para Passadori, cada caso é um caso, e se há essa ocorrência de informações não oficiais e prejudiciais, a primeira atitude seria a criação de uma estrutura de comunicação interna, oficial, cuidada apenas pelas pessoas responsáveis por isso.
“Sempre entendo que nada é melhor do que uma boa conversa. Pode ser que as ocorrências sejam decorrentes de insatisfações, de alguma revolta de uma ou mais pessoas ou algum outro problema. Nesses casos é preciso explicar os prejuízos que isso pode gerar, pedir que a pessoa mude seus comportamentos, dar um feedback adequado, tratando do comportamento da pessoa, e não a criticando por seus atos. E, claro, a empresa deve fazer todo esforço para manter em seu quadro colaboradores que compartilham dos mesmos valores. Se alguém errou – ou a empresa, por ter contratado pessoas erradas, ou a pessoa, que entrou na empresa errada para ela –, nada mais simples do que corrigir o erro, voltando a novos processos seletivos, só que desta vez com um pouco mais de cuidado em relação a isso.”

Como combater a “Rádio Peão”

Estabeleça políticas claras de comunicação na empresa; quanto menos dúvidas aparecerem, menores serão os problemas de entendimentos errados.
Proponha à empresa um sistema eficiente de comunicação interna. Na sequência, é preciso treinar as pessoas para os procedimentos de comunicação.
Tenha líderes bem treinados, para que possam intermediar a comunicação entre empresas e empregados.
Localize pessoas que tenham características de comunicação mais fortes e busque chamá-las para que tenham um discurso próximo ao da empresa.
Evite posicionamentos reticentes por parte do RH, das lideranças ou da diretoria, bem como discursos desencontrados, pois isso é campo para interpretações equivocadas.
Caso a “Rádio Peão” já esteja estabelecida, busque localizar o foco e dispersá-lo, evitando grupinhos fechados na empresa e muita conversa durante os cafés.

Cuidado com ferramentas de comunicação online, tenha política de utilização e alerte com ferramentas internas que elas podem gerar ruídos de comunicação e queda de rendimento. Tenha políticas para esses usos.
É importante que o porta-voz da empresa ou quem irá escrever mensagens em um sistema de intranet esteja devidamente preparado para falar (ou escrever) de maneira simples, direta e objetiva, com uma linguagem adequada para o entendimento de todos os colaboradores, dizendo assertivamente o que tem de ser dito, sempre de maneira respeitosa e transparente.

Em último caso, parta para medidas punitivas (são necessárias regras claras), uma advertência ou uma postura mais firme para mudar a situação.
É importante, primeiro, que haja definição de políticas e critérios para isso, propondo à empresa um sistema eficiente de comunicação interna; na sequência, procede-se à implantação desse sistema, treinando as pessoas para os procedimentos de comunicação – da diretoria, de novas práticas ou de mudanças que ocorrem a cada momento.

Fonte: Profissional & Negócios

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