Mercado de trabalho vai ficar ainda pior, diz Fipe

desempregoO ano começou amargo para o mercado de trabalho brasileiro – e, ao que tudo indica, a situação ainda não chegou ao seu ponto mais crítico.

É o que sugere a mais recente edição do índice Catho-Fipe de Novas Vagas de Emprego, calculado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) a partir do número de oportunidades anunciadas no site de empregos Catho.

O relatório quantifica um impacto da crise já sentido por muitos profissionais brasileiros no início de 2016: a quantidade de vagas de emprego geradas em janeiro deste ano foi 11,4% menor do que a registrada no primeiro mês de 2015.

O tombo não é isolado. Janeiro foi o 19º mês seguido em que o índice mostrou queda na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Nunca houve um período de declínio tão prolongado quanto o atual em toda a série histórica do estudo, que teve início em 2004.

A queda também ocorreu na passagem do ano. Segundo o relatório, o número de oportunidades abertas em janeiro de 2016 foi 2,7% mais baixo do que o registrado em dezembro de 2015.

Para o economista Raone Costa, pesquisador sênior da Fipe, uma guinada em direção à melhora da empregabilidade ainda está longe de acontecer.

Responsável pela elaboração dos indicadores Catho-Fipe, ele falou com o portal da revista  EXAME sobre o estado atual do mercado de trabalho brasileiro, as consequências mais imediatas da crise para o profissional brasileiro e perspectivas para o futuro.

EXAME.comEm janeiro de 2016, o Índice Catho-Fipe de Novas Vagas de Emprego teve queda de 2,7% em relação a dezembro de 2015. Como você avalia esse resultado para o início do ano?

Raone Costa – O resultado mostra que o mercado de trabalho segue em ritmo de declínio em 2016. Janeiro é tipicamente um mês em que há aumento na geração de vagas na economia, comparado ao mês anterior. Isso acontece porque dezembro é um mês sazonalmente muito fraco em termos de contratações.

Em média, o índice mostra um aumento de 3,2% na passagem entre dezembro e janeiro, o que revela como essa queda de 2,7% na virada de 2015 para 2016 de fato é bem ruim. Nem mesmo na passagem de 2014 para 2015, quando a economia já estava fortemente em recessão, tivemos queda entre dezembro e janeiro. Na época, o índice subiu 3,5%.

EXAME.comJá chegamos ao “fundo do poço” do mercado de trabalho ou a situação ainda pode piorar?

Raone Costa – Infelizmente acredito que ainda não chegamos ao fundo do poço. Nossos dados mais recentes não mostram nenhum indício de estabilização no mercado de trabalho: o ritmo de vagas geradas continua caindo e a quantidade de vagas por trabalhadores também. Dessa forma, creio que 2016 deve ser outro ano desafiador para o profissional brasileiro.

O outro lado da moeda é que o mercado de trabalho está ficando cada vez melhor para o empresariado brasileiro. Se antes era difícil encontrar mão de obra qualificada a um preço justo para a maior parte das profissões, hoje com certeza a situação é outra.

É claro que a situação ainda é crítica para as empresas. Se até pouco tempo atrás o problema eram os custos trabalhistas elevados, o desafio agora é a falta de demanda interna por produtos e serviços, já que a crise faz com que pessoas comprem menos.

Mas essa distinção é importante, porque significa que, quando esta crise passar, as empresas se verão em um cenário muito positivo, com receitas subindo e custos controlados. Nesse ambiente, certamente podemos pensar que elas voltarão a contratar, melhorando o cenário para o profissional brasileiro. Infelizmente, porém, tudo indica que ainda estamos distantes desse ponto.

 

Fonte: Exame.com

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