O Noroeste Paulista tem economia baseada na agropecuária e na agroindústria, com muitas cidades pequenas e médias e trabalhadores que passam boa parte do dia no campo. Nessa realidade, ter um posto de saúde que conhece a população e resolve problemas simples sem enrolação faz diferença. É isso que o Ministério da Saúde busca reforçar com o Brasil360.

O Brasil360 é o novo modelo de financiamento federal da atenção primária. O repasse tem três partes: um valor fixo, que considera a situação de cada município; um valor de vínculo, que reconhece as equipes com população cadastrada e acompanhada; e um valor de qualidade, medido por indicadores de saúde. Com isso, a equipe que organiza melhor o cuidado é reconhecida.

O modelo também corrige o tamanho das equipes. Nas cidades de 20 mil a 50 mil habitantes, cada equipe de Saúde da Família tem como referência 2.500 pessoas. Nas de 50 mil a 100 mil, 2.750. Antes, a exigência nas áreas urbanas chegava a 4 mil. Menos pessoas por equipe significa mais tempo de consulta, agenda mais organizada e retorno mais fácil.

Na estrutura, o Novo PAC Saúde prevê a entrega de conjuntos de equipamentos a 10 mil unidades básicas em 5.126 municípios, num total de 180 mil aparelhos. Entre eles, espirômetro digital para exames dos pulmões, dermatoscópio para observar lesões de pele, ultrassom de bolso, eletrocardiógrafo e câmara fria para vacinas. Para quem trabalha exposto ao sol, à poeira e a produtos do campo, esses exames no próprio posto ajudam a descobrir problemas cedo.

O Ministério também apoia a chegada de mais profissionais. O Mais Médicos tem mais de 26 mil médicos atuando no país, e as equipes multiprofissionais foram retomadas, com mais de 6 mil equipes financiadas. Esses profissionais ampliam o atendimento em áreas como saúde mental, nutrição e reabilitação.

Quando o paciente precisa de especialista, o objetivo é que o caminho seja claro. As regras federais pedem que os serviços especializados se liguem a territórios definidos, compartilhem informações e combinem protocolos com o posto. O Agora Tem Especialistas e a telessaúde ajudam a diminuir a espera e a evitar viagens desnecessárias.

Há ainda o investimento em informação. Prontuário eletrônico e sistema de informação da atenção primária estão sendo aprimorados para que a equipe saiba quem está sem consulta, quem precisa de vacina e quem deve voltar. O orçamento federal da atençãoção primária chegou a R$ 60,4 bilhões em 2025, alta de 71,1% sobre 2022. No Noroeste Paulista, o resultado esperado é um posto mais equipado, que acompanha a população de perto e resolve mais perto de casa.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).