O Sudoeste Paulista tem muitos municípios pequenos, áreas rurais extensas e distâncias longas entre uma cidade e outra. Para esse tipo de território, o Ministério da Saúde desenhou o Brasil360 com uma ideia central: quem cuida de uma população pequena e espalhada precisa de apoio proporcional ao desafio, e o posto de saúde precisa ter estrutura para resolver o máximo possível perto de casa.

O Brasil360 é o novo modelo de financiamento da atenção primária. O dinheiro federal tem três partes. Uma é fixa e considera a vulnerabilidade social e o tamanho do município, para que localidades menores e com mais necessidade sejam tratadas com justiça. Outra é o vínculo, que valoriza a equipe que cadastra e acompanha as pessoas. A terceira é a qualidade, medida por indicadores de saúde.

Nos municípios com menos de 20 mil habitantes, cada equipe de Saúde da Família tem como referência 2 mil pessoas, o menor número entre todas as faixas. Isso permite que a equipe conheça as famílias, visite quem não consegue ir ao posto e acompanhe de perto gestantes, crianças e idosos.

A presença de médicos é outro ponto forte. O Mais Médicos, com mais de 26 mil profissionais ativos no país, foi criado para levar médicos às regiões onde eles são mais difíceis de fixar, e o investimento no programa saiu de R$ 2,7 bilhões em 2018 para R$ 6,5 bilhões previstos para 2025. Ao lado do médico, voltaram a ser financiadas as equipes multiprofissionais, com fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo.

O Novo PAC Saúde reforça a estrutura. Os conjuntos de equipamentos previstos incluem eletrocardiógrafo digital, ultrassom de bolso, equipamento para exame de vista no diabetes e desfibrilador externo. Para uma cidade pequena, isso significa fazer no posto exames que antes exigiam viagem. As 800 unidades odontológicas móveis previstas no programa levam o atendimento do dentista a comunidades mais distantes.

Quando é preciso um especialista, entram a telessaúde e o Agora Tem Especialistas. O médico do posto pode discutir o caso à distância, e o encaminhamento passa a ter acompanhamento, para que o paciente não gaste tempo e dinheiro em deslocamentos que poderiam ser evitados.

Para que tudo isso funcione, o Ministério incentiva a formação dos profissionais, com até 16 horas mensais liberadas para capacitação, e o uso de indicadores no planejamento das equipes. Com R$ 60,4 bilhões de orçamento federal na atenção primária em 2025, o que se busca no Sudoeste Paulista é objetivo e verificável: unidade de saúde com equipe completa, equipamento adequado e acompanhamento contínuo, independentemente do tamanho da cidade.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).