O plano de saúde está entre os benefícios mais relevantes oferecidos pelas empresas aos seus colaboradores. Ao mesmo tempo, sua gestão pode representar um desafio para o RH: custos crescentes, reajustes, sinistralidade, utilização do benefício e necessidade de equilibrar qualidade assistencial com sustentabilidade financeira.

Por isso, a gestão do plano de saúde empresarial não deveria começar apenas quando chega a proposta de reajuste.

Um RH mais estratégico acompanha o contrato durante todo o ano, conhece seus principais indicadores e utiliza essas informações para tomar decisões mais fundamentadas.

O RH precisa conhecer os números do benefício

Para administrar bem um plano de saúde empresarial, não basta conhecer o valor mensal pago à operadora.

É importante acompanhar informações como:

evolução da sinistralidade;
utilização do plano;
quantidade e perfil das vidas;
custos do contrato;
regras de coparticipação;
condições comerciais;
histórico de reajustes;
principais fatores que pressionam os custos.

Esse acompanhamento permite que o RH entenda melhor o comportamento do benefício antes mesmo de iniciar uma negociação.

Sinistralidade merece atenção durante todo o ano

A sinistralidade é um dos indicadores mais importantes na gestão de contratos de saúde empresarial.

Quando a empresa deixa para analisar esses dados somente próximo à renovação, pode perder tempo importante para compreender o que está acontecendo com o contrato.

O ideal é que o RH acompanhe periodicamente os relatórios fornecidos pela operadora ou seguradora e procure entender as tendências de utilização.

Mais do que olhar um percentual isolado, é necessário interpretar o cenário.

Existem eventos pontuais de alto custo? Há aumento recorrente da utilização? O número de beneficiários mudou? Existem situações que merecem acompanhamento?

Essas informações ajudam a transformar dados em decisões.

Reajuste não deveria ser uma surpresa

Um dos momentos mais delicados para o RH é a renovação do plano de saúde.

Quando a discussão começa apenas após a apresentação do percentual de reajuste, a empresa entra na negociação com pouco tempo para analisar alternativas.

Uma gestão preventiva permite chegar a esse momento conhecendo o histórico do contrato, seus indicadores e os principais pontos que precisam ser discutidos.

Isso dá ao RH melhores condições para questionar, analisar e negociar.

O objetivo não deve ser simplesmente buscar o menor percentual possível, mas construir uma solução sustentável para a empresa e para os colaboradores.

Custo e qualidade precisam caminhar juntos

Reduzir despesas é importante, mas uma decisão baseada exclusivamente em preço pode trazer consequências para a experiência dos colaboradores.

Mudanças de rede credenciada, coparticipação, abrangência, reembolso ou categoria de plano podem afetar diretamente a percepção do benefício.

Por isso, antes de qualquer alteração, o RH deve avaliar duas perspectivas:

Financeira: qual será o impacto no orçamento da empresa?

Pessoas: qual será o impacto para colaboradores e dependentes?

A melhor decisão tende a estar no equilíbrio entre essas duas necessidades.

Saúde preventiva também faz parte dessa estratégia

Outro ponto importante é deixar de enxergar o plano de saúde apenas como uma ferramenta utilizada quando alguém adoece.

Programas de prevenção, acompanhamento de saúde e iniciativas voltadas ao bem-estar dos colaboradores podem fazer parte de uma estratégia mais ampla de gestão da saúde corporativa.

A empresa passa a olhar não somente para o custo atual do benefício, mas também para os riscos que podem surgir no médio e longo prazo.

Isso aproxima ainda mais as áreas de RH, benefícios, saúde ocupacional e financeiro.

Informação aumenta o poder de decisão do RH

Quanto mais o profissional de RH conhece o contrato, menor sua dependência de informações apresentadas somente no momento da renovação.

Por isso, algumas perguntas deveriam fazer parte da rotina:

Como está nossa sinistralidade?

O que está pressionando nossos custos?

As condições atuais ainda fazem sentido para o perfil da empresa?

Estamos acompanhando os indicadores ao longo do ano?

Existe espaço para uma negociação melhor?

O benefício continua atendendo às necessidades dos colaboradores?

Essas perguntas ajudam o RH a assumir uma posição mais estratégica na gestão do benefício.

Plano de saúde empresarial é gestão contínua

Um contrato de saúde não deveria ficar esquecido durante onze meses para voltar à pauta apenas na renovação.

Acompanhamento de indicadores, análise contratual, prevenção, planejamento e negociação fazem parte de um mesmo processo.

Quando o RH trabalha dessa forma, ganha mais informações para tomar decisões, aumenta sua capacidade de planejamento e pode buscar melhores condições para equilibrar custos, qualidade do benefício e cuidado com as pessoas.

No final, uma boa gestão do plano de saúde empresarial não beneficia somente o orçamento.

Ela contribui para uma política de benefícios mais sustentável e para uma relação mais equilibrada entre empresa, colaboradores e assistência à saúde.

Sobre o autor

Marcelo Furquim atua com consultoria em contratos de saúde empresarial, auxiliando empresas e profissionais de RH na análise de contratos, acompanhamento de sinistralidade, negociações e gestão estratégica do benefício saúde.