Baixa objetividade nas interações comprometem a eficiência da comunicação e a tomada de decisão

A comunicação, principalmente no ambiente de trabalho, tem se tornado cada vez mais complexa, marcada pelo excesso de informação e pela baixa objetividade, aponta um estudo de 2025 publicado pela Harvard Business Review. Isso compromete a eficiência das trocas e a qualidade das decisões. Para Fabiana Bertotti, maior especialista em oratória do Brasil atualmente, o problema não está na ausência de conteúdo, mas na dificuldade de organizá-lo e transmiti-lo com clareza.

Ela comenta que esse cenário revela uma desconexão frequente entre o que profissionais sabem e a forma como conseguem comunicar esse conhecimento. “As pessoas têm repertório, têm experiência, dominam seus assuntos, mas, na hora de falar, não conseguem estruturar isso de maneira que o outro compreenda com facilidade”, afirma.

No cotidiano, esse padrão aparece em reuniões, apresentações e conversas decisivas, onde ideias consistentes acabam diluídas por falas desorganizadas. Isso impacta diretamente a forma como competência e credibilidade são percebidas. Fabiana observa que, nesse contexto, a comunicação deixa de cumprir sua função central, que é gerar entendimento. “Quando a mensagem não é clara, ela falha, independentemente da qualidade do conteúdo”, diz.

A especialista destaca que o primeiro desafio está na organização do pensamento antes da fala. Estruturar a ideia principal, assim como o caminho lógico que será percorrido é o que garante objetividade. “A clareza não nasce quando você fala, ela começa antes, na forma como você organiza o que quer dizer”, explica.

Outro elemento fundamental é a construção de narrativa. Em vez de apresentar informações soltas, é necessário encadear ideias de forma coerente, criando um fluxo que facilite a compreensão. “A narrativa dá sentido à comunicação. Sem isso, a fala vira uma sequência de informações desconectadas”, afirma. Esse encadeamento ajuda a prender atenção e aumenta a retenção da mensagem.

A presença ao falar também é apontada como fator decisivo. Mais do que postura ou entonação, trata-se da capacidade de transmitir segurança e coerência entre discurso e atitude. Para Fabiana, isso altera diretamente a forma como a mensagem é recebida. “Quando existe presença, a fala ganha força. As pessoas passam a escutar com mais atenção e atribuem mais valor ao que está sendo dito”, observa.

Ela também chama atenção para a linguagem utilizada no dia a dia. Vícios de fala, repetições e insegurança verbal enfraquecem a mensagem e reduzem seu impacto. Ajustar a comunicação não significa torná-la artificial, mas mais consciente e precisa. “A linguagem precisa servir à ideia, não competir com ela”, diz.

O posicionamento completa esse conjunto de habilidades. Ele envolve clareza sobre o que se quer comunicar e qual espaço se deseja ocupar em determinado contexto. Essa definição orienta escolhas e dá intencionalidade à fala. “Quando há posicionamento, a comunicação deixa de ser reativa e passa a ser estratégica”, afirma Fabiana.

Na avaliação da especialista, esses elementos, como clareza mental, narrativa, presença, linguagem e posicionamento, determinam a forma como um profissional é percebido. Mais do que falar bem, trata-se de ser compreendido e gerar confiança.

É nesse contexto que se insere o curso “O poder da narrativa – online”, conduzido por Fabiana Bertotti no dia 2 de agosto, das 9h às 16h, voltado ao desenvolvimento dessas habilidades de clareza, narrativa, presença e posicionamento na comunicação profissional.