
Especialista explica como identificar diferentes formas de reconhecimento e aplicá-las no dia a dia para melhorar o desempenho da equipe
A diversidade ocupa um espaço relevante nas organizações — e isso representa um avanço importante. No entanto, existe um aspecto muito relevante, que diferencia empresas diversas de ambientes genuinamente inclusivos: a maneira como as pessoas são reconhecidas e valorizadas no dia a dia.
Não basta compor equipes diversas se, na prática, todas as pessoas recebem o mesmo tipo de reconhecimento.
A inclusão se fortalece quando a liderança compreende que cada pessoa carrega motivações, expectativas e formas distintas de perceber a valorização. E é justamente nesse ponto que surgem desalinhamentos, mesmo quando há boa intenção.
Nos treinamentos de liderança inclusiva utilizo os conceitos apresentados no livro “As 5 Linguagens da Valorização Pessoal no Ambiente de Trabalho”, de Gary Chapman.
O erro silencioso das lideranças
As lideranças, em geral, reconhecem a importância de valorizar suas equipes. No entanto, um dos principais erros é assumir que aquilo que funciona para você também funcionará para o outro.
Na prática, você pode estar elogiando publicamente quem prefere discrição, oferecendo bônus para quem valoriza tempo de qualidade ou delegando tarefas desafiadoras acreditando que isso é uma forma de reconhecimento.
Ou seja, valorizamos com base na nossa própria linguagem — não na da outra pessoa.
Sem perceber, você pode estar investindo energia em ações que não geram o impacto esperado. Não por falta de intenção, mas por ausência de alinhamento com a individualidade de cada um.
Vamos conhecer, então, as cinco formas de perceber a valorização no trabalho. O modelo das cinco linguagens oferece uma lente prática para torná-la mais assertiva e conectada à individualidade de cada pessoa.
- Palavras de afirmação
Essa é a minha principal forma de valorização. Nós nos sentimos valorizados com reconhecimento por meio da comunicação clara e genuína. Um exemplo são mensagens de agradecimento após entregas importantes: “Cris, parabéns pelo seu treinamento” ou “Excelente o censo de diversidade e inclusão que você entregou”.
Também pode acontecer por meio de feedbacks específicos, que destacam contribuições reais e impactos concretos. Mais do que elogios genéricos, o que gera valor é a autenticidade.
- Tempo de qualidade
Aqui, o diferencial está na presença. Pessoas que se identificam com essa linguagem valorizam interações com atenção plena: conversas individuais sem interrupções, escuta ativa e interesse verdadeiro pelo seu desenvolvimento.
Em rotinas aceleradas, dedicar tempo com qualidade se torna um sinal poderoso de respeito.

- Atos de serviço
Nessa linguagem, o reconhecimento se materializa em atitudes. A liderança demonstra valorização ao apoiar em momentos críticos, remover obstáculos, facilitar processos ou compartilhar responsabilidades quando necessário.
São ações que comunicam parceria e consideração de forma concreta.
- Presentes
Costumo dizer que essa é uma linguagem que agrada a todas as pessoas. Pode ser o seu principal canal de valorização, mas também um secundário. Afinal, quem não gosta de um bônus? No meu caso, porém, apenas o bônus não funcionaria.
Pode ser também pequenos gestos, como uma lembrança alinhada ao interesse da pessoa ou o reconhecimento de um momento importante – aquilo que sinaliza atenção e cuidado. São formas simbólicas de demonstrar que alguém foi lembrado de maneira individual.
- Toque físico (apropriado)
No ambiente profissional, essa linguagem deve sempre ser conduzida com sensibilidade. Aqui pode ser um gesto simples, como um aperto de mão ou uma celebração espontânea – eles poderão ser bem recebidos por algumas pessoas, desde que respeitem limites pessoais e culturais.
A inclusão se manifesta na forma como as pessoas se sentem valorizadas e respeitadas nas práticas do dia a dia.
E, como eu gosto de destacar: ser uma liderança inclusiva, que valoriza as pessoas de forma individual, dá trabalho, mas traz um resultado significativo tanto nas entregas do time quanto na performance individual.
A liderança inclusiva desenvolve a capacidade de observar, escutar e ajustar. Não parte de suposições, mas da curiosidade genuína em entender o que faz cada pessoa se sentir reconhecida.
Esse movimento exige intenção e consistência, mas gera impactos diretos no engajamento, na confiança e na qualidade das relações.
