esq. para direita) Gabriela Floripes, advogada; Andrea Nascimento, engenheira civil; Carolina Marini, publicitária; Valéria Marretto, diretora de RH do banco Itaú; Vanda Bragato, da estatística; Marcuz Silva, psicólogo. (Omar Paixão/VOCÊ RH)

Especialista explica como identificar diferentes formas de reconhecimento e aplicá-las no dia a dia para melhorar o desempenho da equipe

A diversidade ocupa um espaço relevante nas organizações — e isso representa um avanço importante. No entanto, existe um aspecto muito relevante, que diferencia empresas diversas de ambientes genuinamente inclusivos: a maneira como as pessoas são reconhecidas e valorizadas no dia a dia.

Não basta compor equipes diversas se, na prática, todas as pessoas recebem o mesmo tipo de reconhecimento.

A inclusão se fortalece quando a liderança compreende que cada pessoa carrega motivações, expectativas e formas distintas de perceber a valorização. E é justamente nesse ponto que surgem desalinhamentos, mesmo quando há boa intenção.

Nos treinamentos de liderança inclusiva utilizo os conceitos apresentados no livro “As 5 Linguagens da Valorização Pessoal no Ambiente de Trabalho”, de Gary Chapman.

O erro silencioso das lideranças

As lideranças, em geral, reconhecem a importância de valorizar suas equipes. No entanto, um dos principais erros é assumir que aquilo que funciona para você também funcionará para o outro.

Na prática, você pode estar elogiando publicamente quem prefere discrição, oferecendo bônus para quem valoriza tempo de qualidade ou delegando tarefas desafiadoras acreditando que isso é uma forma de reconhecimento.

Ou seja, valorizamos com base na nossa própria linguagem — não na da outra pessoa.

Sem perceber, você pode estar investindo energia em ações que não geram o impacto esperado. Não por falta de intenção, mas por ausência de alinhamento com a individualidade de cada um.

Vamos conhecer, então, as cinco formas de perceber a valorização no trabalho. O modelo das cinco linguagens oferece uma lente prática para torná-la mais assertiva e conectada à individualidade de cada pessoa.

  1. Palavras de afirmação

Essa é a minha principal forma de valorização. Nós nos sentimos valorizados com reconhecimento por meio da comunicação clara e genuína. Um exemplo são mensagens de agradecimento após entregas importantes: “Cris, parabéns pelo seu treinamento” ou “Excelente o censo de diversidade e inclusão que você entregou”.  

Também pode acontecer por meio de feedbacks específicos, que destacam contribuições reais e impactos concretos. Mais do que elogios genéricos, o que gera valor é a autenticidade.

  1. Tempo de qualidade

Aqui, o diferencial está na presença. Pessoas que se identificam com essa linguagem valorizam interações com atenção plena: conversas individuais sem interrupções, escuta ativa e interesse verdadeiro pelo seu desenvolvimento.

Em rotinas aceleradas, dedicar tempo com qualidade se torna um sinal poderoso de respeito.

  1. Atos de serviço

Nessa linguagem, o reconhecimento se materializa em atitudes. A liderança demonstra valorização ao apoiar em momentos críticos, remover obstáculos, facilitar processos ou compartilhar responsabilidades quando necessário.

São ações que comunicam parceria e consideração de forma concreta.

  1. Presentes

Costumo dizer que essa é uma linguagem que agrada a todas as pessoas. Pode ser o seu principal canal de valorização, mas também um secundário. Afinal, quem não gosta de um bônus? No meu caso, porém, apenas o bônus não funcionaria.

Pode ser também pequenos gestos, como uma lembrança alinhada ao interesse da pessoa ou o reconhecimento de um momento importante – aquilo que sinaliza atenção e cuidado. São formas simbólicas de demonstrar que alguém foi lembrado de maneira individual.

  1. Toque físico (apropriado)

No ambiente profissional, essa linguagem deve sempre ser conduzida com sensibilidade. Aqui pode ser um gesto simples, como um aperto de mão ou uma celebração espontânea – eles poderão ser bem recebidos por algumas pessoas, desde que respeitem limites pessoais e culturais.

A inclusão se manifesta na forma como as pessoas se sentem valorizadas e respeitadas nas práticas do dia a dia.

E, como eu gosto de destacar: ser uma liderança inclusiva, que valoriza as pessoas de forma individual, dá trabalho, mas traz um resultado significativo tanto nas entregas do time quanto na performance individual.

A liderança inclusiva desenvolve a capacidade de observar, escutar e ajustar. Não parte de suposições, mas da curiosidade genuína em entender o que faz cada pessoa se sentir reconhecida.

Esse movimento exige intenção e consistência, mas gera impactos diretos no engajamento, na confiança e na qualidade das relações.