Espiritualidade nas empresas: gestão baseada em valores humanitários é tendência no engajamento de equipes

O que espiritualidade tem a ver com o mundo dos negócios? Para quem está por dentro da evolução da liderança ou simplesmente quer gerar melhores resultados para a sua organização, a resposta é simples: tudo.

Antes de continuar, vale explorar um pouco o conceito de espiritualidade em si. A primeira coisa que deve ficar clara é que espiritualidade não tem nada a ver com religião. Sim, as duas coisas são muito diferentes, e é muito difícil encontrar consenso nos seus significados. Talvez essas sejam as definições com mais adeptos:

Religião é um sistema de protocolos, rituais e crenças, restritos ou abertos, que formaliza a relação de um grupo com uma fé específica e compartilhada entre essas pessoas.

Já a Espiritualidade pode ser definida como uma relação com aquilo que é do espirito humano.

Ou seja, essa última definição trata de algo muito mais abrangente. Entre aquilo que pode ser qualificado como espiritualidade estão, por exemplo, compaixão, tolerância, harmonia com o ambiente, responsabilidade pessoal e social, humildade, empatia, veracidade, justiça e comprometimento.

Segundo o consultor organizacional da 22 Human Capital, Paulo Aziz Nader, muita gente o interrompe quando ele tenta explicar a importância da espiritualidade na rotina das organizações. “As pessoas costumam falar: ‘isso tudo é muito bonito, mas, na vida real, as organizações só pensam em lucro…nada mais”, conta.

“Faz o seu, que eu faço o meu”: mudança de cultura beneficia empresas

Nader cita Louis Fry, pesquisador organizacional e PhD pela universidade do Texas, que define a “Liderança espiritual” como um conceito que envolve motivar e inspirar colaboradores por meio de uma cultura corporativa baseada nos valores da espiritualidade, para desenvolver uma força de trabalho altamente motivada, comprometida e produtiva.

“E é o que vemos nas empresas que adotam tais valores: times mais comprometidos em torno de uma visão compartilhada e admirada, mais motivados, mais satisfeitos e determinados à gerar bons resultados para todos, incluindo para si”, detalha o especialista.

Segundo Nader, o último ponto é especialmente importante. Isso porque nas últimas décadas reinou um mundo corporativo claramente egocêntrico, criando sistemas distorcidos, que recompensam resultados individualistas quase à qualquer preço”, explica. É o famoso “faz o seu, que eu faço o meu”, no qual pessoas e grupos colhem frutos individuais “positivos”, enquanto geram consequências negativas para o todo.

“O problema é que esquecemos que não somos 100% autônomos e vivemos dentro deste mesmo ‘todo’”, afirma o consultor organizacional. Ele exemplifica ainda citando casos de empresas que continuam poluindo o meio ambiente para não comprometer seus lucros, cujos dirigentes respiram este mesmo ar contaminado, “passando por políticos ou empresários que roubam da própria sociedade na qual vivem seus filhos e netos, ou simplesmente um chefe que maltrata seus funcionários, só por que ele também foi maltratado na sua época”.

De acordo com Nader, essas ações formam o paradoxo descrito pelo chefe do departamento de desenvolvimento humano do MIT, Otto Scharmer. “Segundo Scharmer, vivemos num sistema egocêntrico, no qual pensamos apenas no bem-estar individual, coletivamente gerando resultados que ninguém quer”, explica. Seguindo esse conceito, os resultados que queremos (individuais e coletivos) serão frutos da atitude ecocêntrica, onde pensamos no bem-estar de todos, incluindo o nosso próprio.

Tudo isso impacta – e muito – a performance de uma organização, já que os valores e princípios ajudam a determinar o comportamento profissional de uma pessoa (e uma organização nada mais é do que um grupo de pessoas). Quando falamos de liderança, o impacto é ainda maior. Líderes são corresponsáveis por criar e sustentar a cultura de uma empresa que, por sua vez, influenciará a maneira que as coisas serão feitas por lá.

Lucratividade e engajamento: espiritualidade nas companhias impulsionam marcas

Culturas que favorecem pensamento individualista (ou com pouca espiritualidade, de acordo com a definição oferecida no início deste texto), correm mais risco de gerarem comportamentos desonestos, deceptivos e gananciosos. “Alguns exemplos disso são empresas como Enron, WorldCom, Odebrecht, Lehman Brothers, para citar só algumas. Obviamente a maioria das empresas ainda opera de forma egocêntrica, basicamente por que não se muda uma realidade de décadas, em poucos anos”, conta Nader.

Mas tudo isso está mudando mais rapidamente do que se esperava. Cada vez mais clientes priorizam produtos e serviços de empresas egocêntricas e colaboradores buscam ambientes corporativos com valores ligados à espiritualidade (por mais que, muitas vezes, usem outras palavras para descreve-los).

É o que o mercado chama de “Triple bottom line” (em inglês, resultado final triplo, que se refere à Lucro, Pessoas e Planeta) ou até de capitalismo consciente. “As organizações que apostam nisso estão saindo na frente. Como se não bastasse oferecerem produtos e serviços que contribuem de alguma forma para a sociedade, elas também viram seu faturamento aumentar”, aponta o consultor da 22 Human Capital.

Além disso, colhem frutos diversos como melhor imagem de marca e clientes mais fiéis. Internamente, os resultados são também expressivos. “Organizações que adotam liderança espiritual (ou ecocêntrica), apresentam melhores níveis de acerto nas suas decisões, menor turnover, menor desperdício de recursos, maior produtividade laboral e maior comprometimento dos seus colaboradores”, finaliza Nader.

Obviamente, tudo isso tem um impacto positivo direto nos seus lucros atuais e futuros, perpetuando esta dinâmica positiva para todos.

FONTE- Profissional e Negócios

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