O avanço da ocupação no Brasil convive com um gargalo persistente: há trabalhadores disponíveis, mas nem sempre preparados para vagas que exigem qualificação específica.

 O mercado de trabalho brasileiro vive um aparente paradoxo: o desemprego recua, a ocupação avança, mas empresas que dependem de mão de obra técnica continuam enfrentando dificuldade para contratar profissionais preparados. A taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor resultado para o mês desde o início da série de mão de obra técnica continuam enfrentando dificuldade para histórica da PNAD Contínua, em 2012. A população ocupada chegou a 102,7 milhões de pessoas, enquanto a subutilização caiu para 13,3%, também no menor patamar da série. Ainda assim, o país mantém 15,1 milhões de pessoas subutilizadas e 38,3 milhões de trabalhadores na informalidade, mostrando que a melhora do emprego não resolve, sozinha, a distância entre quem precisa trabalhar e o nível de preparo exigido por determinadas funções. O gargalo é especialmente sensível em áreas que lidam com operação, segurança, saúde e resposta rápida, nas quais a contratação não depende apenas de disponibilidade, mas de formação, treinamento prático, controle emocional e capacidade de agir sob pressão. O Brasil precisará qualificar cerca de 14 milhões de profissionais entre 2025 e 2027, sendo 2,2 milhões em formação inicial e 11,8 milhões demanda do mercado.

       Esse descompasso ajuda a explicar por que setores essenciais passaram a tratar formação profissional como parte da estratégia de operação. No atendimento pré-hospitalar, a falta de preparo não é apenas um problema de produtividade ou preenchimento de vagas. É uma questão de segurança, padronização e qualidade no atendimento. A função de resgatista ou socorrista exige mais do que interesse em ingressar no mercado. Exige domínio técnico, leitura rápida de risco, preparo físico, disciplina operacional, comunicação clara e treinamento para atuar em situações críticas, muitas vezes em rodovias, ocorrências com vítimas e ambientes de alta pressão. A tentativa de reduzir essa distância entre interesse profissional e preparo técnico levou o Grupo Med+ a estruturar uma formação específica em atendimento pré hospitalar. A Academia de APH foi pensada para pessoas que desejam ingressar na área e realizar uma carga de 200 horas de capacitação, combinando conteúdo teórico e prática operacional. A iniciativa também poderá abastecer um banco de talentos para futuras contratações nas bases e regiões atendidas pela companhia, de acordo com a demanda local. O treinamento será conduzido por 10 profissionais da própria operação, todos com experiência em APH, enquanto a Unicorp ficará responsável pela organização do conteúdo aplicado aos participantes. “O mercado de trabalho melhorou, mas ainda existe uma distância grande entre querer uma oportunidade e estar preparado para ocupar uma função técnica. No atendimento pré-hospitalar, essa distância precisa ser reduzida com formação séria, prática e padronizada, porque estamos falando de profissionais que atuam diretamente em situações de risco e emergência”, afirma Victor Reis, CEO do Grupo Med+.

       A proposta também dialoga com um desafio regional: em muitas cidades, há muitas pessoas em busca da 1ª oportunidade ou de recolocação profissional, mas sem acesso a uma formação técnica capaz de abrir portas para setores mais especializados. A divulgação da Academia será direcionada a candidatos com vacinação em dia e interesse em se qualificar para atuar como resgatistas ou socorristas. Conforme a necessidade da operação e o perfil dos candidatos, o Grupo Med+ poderá apoiar inclusive o desenvolvimento para mudança de categoria da CNH, ampliando as condições de empregabilidade para funções que exigem deslocamento e atuação operacional. Mais do que formar uma turma, a iniciativa tenta organizar uma ponte entre demanda real por profissionais e capacitação local, reduzindo a dependência de contratações prontas em um mercado onde esse tipo de mão de obra é escasso. “Quando uma empresa investe na formação de pessoas nas regiões em que atua, ela ajuda a criar uma base profissional mais preparada e aumenta a chance de contratação qualificada. Isso fortalece a operação, mas também oferece uma possibilidade concreta para quem precisa trabalhar e ainda não teve acesso ao treinamento certo”, completa Reis. Interessados devem ser direcionados para Wanessa Rosa pelo e-mail wanessa.silva@medmais.com ou pelo telefone (61) 99632-1134.