Adoção de pet leva profissional a ganhar licença como benefício de empresa

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Foto por Samson Katt em Pexels.com

Folga, que vai de 8h a 2 dias de afastamento para cuidar de animal de estimação, é vista como forma de ampliar benefícios e melhorar saúde mental na carreira do profissional

Para além das já tradicionais discussões sobre a existência ou não da entidade mãe e pai de pet, que entra ano e sai ano tomam conta das redes sociais, algumas empresas passaram a reconhecer a responsabilidade que seus colaboradores têm como tutores de animais. Com isso, incorporaram em seu pacote de benefícios a licença ‘peternidade’, que permite ao funcionário se ausentar do trabalho – sem prejuízo na remuneração ou nas férias – para cuidar de animais de estimação recém-adotados.

GIF Sertec_JackelyneB_300x300O movimento tem sido incentivado por uma campanha criada pela Petz – empresa do setor animal – e a agência de publicidade Ogilvy Brasil. Do lado das criadoras, o objetivo principal é promover mais adoções e ampliar o bem-estar animal, mas o mundo corporativo também viu uma oportunidade de ampliar a cartela de benefícios e trabalhar o tema da saúde mental na empresa. O tempo de licença fica a critério das corporações, mas oscila entre oito horas e dois dias.

“Nós estamos vivendo um momento particular da gestão de pessoas com muitos profissionais trancados em casa. Boa parte das práticas que tínhamos eram vinculadas ao espaço físico do escritório, mas desde o começo da pandemia estamos 100% em home office. Então, é um trabalho meu olhar para as práticas e tentar atualizá-las para que elas atendam o momento que a gente está vivendo agora. Nós temos um olhar especial em relação à saúde mental e sabemos que o contato com animais têm impacto positivo na vida das pessoas”, explica a diretora de RH da Great Place to Work (GPTW), Lilian Bonfim. 

A consultoria é uma das empresas que aderiu à campanha da licença ‘peternidade’, após observar um movimento de adoções entre os colaboradores no ano passado. A partir desta semana, todos os 101 funcionários que desejarem adotar um animal têm direito a dois dias de licença.

Ao longo da pandemia, a empresa também tomou outras iniciativas para diminuir o aumento significativo que registrou em casos de problemas de saúde mental, como acompanhamento médico e psiquiátrico, terapia e a possibilidade de tirar uma semana de folga (sem descontar no salário ou nas férias) para cuidar da saúde mental e física. 

“O nosso trabalho é avaliar empresas. Se a gente olhar ao longo da história nós temos mudanças no tipo de benefício ao colaborador. A licença ‘peternidade’ combina muito com o momento de gestão personalizada de pessoas, deixa de ser algo massificado. A adoção não vai pegar todo mundo, mas vai causar impacto profundo em quem decide adotar. A gente vê uma toada de práticas criativas e customizadas, que é uma tendência das melhores empresas para trabalhar. A gente se inspira nessas práticas e, se cabe para a gente, por que não?”, destaca Daniela Diniz, diretora de relações institucionais da GPTW.

A adoção e a saúde mental 

De acordo com o Instituto Pet Brasil, o mercado pet brasileiro faturou R$ 40,8 bilhões em 2020, uma taxa de crescimento de 15,5% em relação ao ano anterior, o que indica uma maior preocupação com os animais na pandemia. O órgão também estima que, nas capitais do Sudeste – área monitorada pelo instituto – houve um aumento de cerca de 50% na adoção de animais de estimação.

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Em São Paulo, o número de adoções realizadas diretamente na Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (Cosap), entre janeiro e abril deste ano, está abaixo de 2020: 104 contra 125, entre gatos e cachorros. 

Em nota, o órgão informou que “no início da pandemia houve um aumento expressivo no número de visitas de famílias à sede, entretanto, foi notada que a intenção das visitas era somente o passeio ao local, e não a adoção de animais”. Para proteção, a Cosap fechou a sede para visitas e implantou um sistema virtual de adoção. Atualmente, há 247 animais – 165 cães e 75 gatos – disponíveis para adoção.

A presença de animais de estimação em casa e sua relação com a saúde mental e emocional das pessoas durante a pandemia tem sido objeto de estudos ao redor do mundo. Em um material publicado no ano passado pela revista britânica Journal Of Veterinary Behaviour, três a cada quatro entrevistados afirmaram que os pets os ajudaram a superar o confinamento. 

“Os bichinhos de estimação podem trazer muitos benefícios a todos que convivem com eles, estimulando a produção de substâncias como endorfina e serotonina, o que proporciona a sensação de bem-estar e relaxamento. Há estudos que já mostraram que ter um bichinho de estimação contribui para diminuir o estresse mental durante a pandemia. Os pets dão a oportunidade do ser humano estabelecer uma relação de laço afetivo, gerando uma conexão muito valiosa para a nossa saúde mental e até com a organização de uma rotina, algo que ficou um pouco bagunçado no último ano”, destaca a psicóloga Luciene Bandeira. 

Mas a especialista ressalta que, em casos de doenças mentais, só ter um animal não basta. É preciso o acompanhamento de um profissional da área. 

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A licença na prática

Criadora da licença, a Petz também implantou o benefício entre os seus colaboradores. Para usufruir, o funcionário deve comunicar ao RH com cinco dias de antecedência da data da adoção. Assim que levar o animal para a casa, ele tem direito a dois dias de licença remunerada e sem desconto nas férias. Para informar os colaboradores de como o programa funciona, a empresa também criou uma cartilha de perguntas e respostas.

“A gente começou a perceber que a adoção aumentou durante a pandemia. Antes dela, a gente já tinha os animais no nosso escritório no dia a dia. Temos funcionários que trazem o cachorro, o gato, o furão, a calopsita, o hamster, enfim, todos os pets, todos os dias para o escritório e tem gente que, às vezes, empresta algum deles para outro funcionário passar o final de semana”, conta a diretora de RH da empresa, Fernanda Fernandes.

Engrossando o coro das empresas que aderiram à licença, a Royal Canin, multinacional de alimentação e saúde de cães e gatos, já oferece desde 2018 aos funcionários que adotarem um animal a possibilidade de tirar uma licença de oito horas – equivalente a um dia de trabalho – para cuidar da adaptação. 

“Essas oito horas podem ser tiradas ao longo de um ano, mas elas são, geralmente, tiradas no início da adoção para que os funcionários possam cuidar do animal. A licença já existia em alguns outros países e, fazendo benchmarking, nós decidimos implementá-la”, explica a diretora de recursos humanos da empresa, Juliana Gonçalves. 

total-grupo-gif-180x180A Royal Canin tem atualmente 370 funcionários no Brasil, divididos entre escritórios em São Paulo e Campinas e a fábrica em Descalvado, no interior do estado de São Paulo. A licença vale para todo mundo, mesmo para quem já está em home office – caso de 100% dos colaboradores dos escritórios. Mesmo antes da pandemia, a empresa já incentivava a presença dos animais no ambiente de trabalho e cada funcionário já podia levar o seu bichinho para trabalhar com ele mediante agendamento. 

A funcionária Maiara Ribeiro, especialista em controle de qualidade na empresa, já utilizou a licença por duas vezes nos últimos dois anos. “Quando eu me mudei para Descalvado, eu não conhecia ninguém e morava sozinha, além de sempre ter amado animais, porque sou veterinária. Então, em 2019, decidi adotar um gato, que por si só já tem necessidades diferentes de um cachorro. No começo, ele estava amuado, sem querer comer e beber água, então eu dividi essas oito horas em vários momentos de interação”, conta. 

Um ano depois, em 2020, Maiara adotou uma cachorra e, dessa vez, decidiu tirar as oito horas de licença de uma vez. “Antes da adoção, ela sofria maus tratos e foi muito difícil de lidar, então peguei a licença próxima a um final de semana para ter mais tempo de adaptação”, comenta. 

Fonte: Estadão

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