Multinacional demite mais de 100 funcionários que deram atestados de clínica denunciada por fraude

Atestado falso pode levar a justa causaClínica de acupuntura, ginecologia e obstetrícia, em Sorocaba (SP), foi flagrada oferecendo o documento sem nenhum tipo de consulta. Donos negam irregularidades; sindicato dos Metalúrgicos acompanha a situação

Uma multinacional que atua no setor automotivo demitiu nesta quinta-feira (11) mais de 100 funcionários, na sede de Sorocaba (SP), por apresentarem atestados médicos da clínica particular denunciada por fraude.

Em junho deste ano, a equipe da TV TEM flagrou que a clínica de acupuntura, ginecologia e obstetrícia entregava atestados fraudados para os pacientes. O caso foi denunciado pelo Fantástico no dia 23.

Com uma câmera escondida, quatro produtores foram até a clínica cinco vezes. Nenhum deles estava doente ou sentindo dores, mas conseguiram atestados.

Ao portal  G1, a empresa ZF informou que a quantidade de atestados emitidos pela clínica chamou a atenção da empresa.

Após uma auditoria, ainda segundo a nota, em 18 meses, entre 2018 e 2019, foram encontrados cerca de quatro mil atestados para aproximadamente 100 empregados, que abonaram as faltas.

Os funcionários que foram desligados e não estavam de carros foram levados com transporte da empresa.

A nota também afirma que procurou o Ministério Público com outras empresas da região para denunciar a situação.

À TV TEM, o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba afirmou que teve conhecimento de demissões por justa causa nas empresas ZF do Brasil e Robert Bosch e que está averiguando a situação das demissões.

O caso dos mais de 100 funcionários também é acompanhado pela Associação dos Trabalhadores Lesionados de Sorocaba (ATL).

Conforme a entidade, a situação do desligamento de alguns colaboradores é “ilegal e discriminatória”.

Ainda segundo a ATL, entre o grupo estão pessoas que têm estabilidade por conta do quadro de saúde que apresentam e estiveram no consultório denunciado por meio de convênio médico.

A denúncia foi feita pela TV TEM no Fantástico. Os produtores estiveram na clínica várias vezes e em todas elas saíram do local com atestados sem nem mesmo terem passado pelo médico.

Na entrada, não era preciso apresentar nenhum documento ou preencher uma ficha com nome, idade, profissão e endereço, como é comum em qualquer consulta médica.

Bastava assinar uma lista e esperar ser chamado. Na saída, a secretária se adiantava e oferecia o atestado antes do paciente pedir.

A conversa no balcão da clínica era sobre dores que os pacientes informam para a secretária e os números do CID, a Classificação Internacional de Doenças.

No local era assinada a lista de presença, o único controle de pessoas. O flagrante mostrou quando já havia oito nomes na lista, o que indicava oito pacientes que passaram pela clínica, mas naquele dia não teve sessão de acupuntura, porque a responsável estaria doente. No entanto, a secretária ofereceu o equipamento.

“Se você precisar de atestado, eu faço para você, mas é porque ela está muito ruim. Ontem ela ficou internada o dia inteiro”, disse. A secretária assinou os atestados para o produtores, que não estavam doentes. “Faço para vocês não perderem a viagem.”

O documento estava assinado pelo médico Sérgio Fernando da Cunha Cordeiro, que faz acupuntura e é pai de uma das secretárias da clínica.

Sérgio atendia na rede pública de saúde em Votorantim (SP) e Sorocaba, que também investiga o médico. Ele não estava na clínica em nenhum dos dias em que os produtores foram ao local.

Ao todo, a equipe foi cinco vezes à clinica. A sala de espera estava sempre cheia, com gente esperando para pagar ou para ser atendida nas sessões de acupuntura, que dão direito a um atestado na saída.

Dependendo da empresa onde o paciente trabalha, a sessão saía por R$ 30. Se o paciente não for conhecido, custa R$ 40. A clínica oferece facilidades no pagamento.

O médico nega as acusações, mas reconhece a assinatura dele nos atestados. Ele disse que deixava os atestados assinados para facilitar para os pacientes e que as secretárias ligavam para informar o estado de saúde deles, o que não ficou comprovado na reportagem.

O atestado emitido em nome de um médico sem a consulta e exame é considerado falso. A pena para o médico que faz isso é de um mês a um ano de prisão para cada atestado falso.

O Cremesp informou vai abrir uma sindicância para apurar a conduta do médico e o trabalhador que usa um atestado desses para faltar ao trabalho comete o crime de uso de documento falso, com pena também de até um ano de prisão, além de poder ser demitido.

Fonte: G1

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