Empresa elimina a figura do chefe e alavanca os resultados com gestão compartilhada

O sonho de dizer adeus aos chefes e diretores têm ganhado um significado diferente nos últimos tempos.

Se antes era sinônimo de pedir as contas e empreender solitariamente, hoje também significa ser coordenador de si mesmo sem precisar se desligar da empresa com a qual se mantém vínculos. Os funcionários da Verte, que dão expediente em um andar inteiro de um prédio na Vila Olímpia, em São Paulo, sabem muito bem disso, pois atualmente trabalham sob o regime da “gestão compartilhada” que está mudando a cultura organizacional das empresas que a adotam.

Erica Isomura, consultora de Cultura e Gestão que é responsável por apoiar na cocriação do Modelo Verte de Gestão, explica que na empresa não há mais setores ou departamentos, mas, sim, áreas de conhecimento em que os colaboradores se reúnem em pé de igualdade para entregar a melhor solução para o cliente. “Hoje não existe mais a palavra trabalho para as novas gerações mas sim experiências de trabalho. Com a gestão compartilhada, nós estamos proporcionando a vivência de quem está envolvido em um projeto de participar desde a criação do mesmo até a entrega, fechamento e avaliação”, explica Isomura.

O processo de implantação desse modelo na Verte começou de modo gradual quando ainda se chamada Traveland. “Foi colocado de lado o tradicional organograma e decidiu-se estimular o aprendizado e engajamento entre os funcionários. A consequência foi uma geração de senso de dono e pertencimento muito mais forte do que o modo tradicional”, explica Sandra Rossi, fundadora da empresa que iniciou a mudança dentro da organização.

Neste conceito, todos são convidados a pensar, tomar decisões e se responsabilizar por elas. “Esse processo nunca acaba. É contínuo. Em processos verticalizados (com hierarquia) é comum percebermos no mercado a sonegação de informações que podem ser preciosas para promoções de cargos. Como nesse contexto não há mais cargos a quem se reportar, esse tipo de comportamento não tem espaço”, completa Erica.

Neste ano foram determinadas três frentes para a Verte trabalhar a questão. A primeira é Design Thinking, com o objetivo de desenvolver a habilidade de Gestão de Projetos Ágeis e Inovadores, promovendo a transformação para uma empresa de projetos que a equipe deseja entregar. A segunda é a cultura da disciplina, pois “gestão compartilhada não significa que cada um faz o que quer. Todos os envolvidos compartilham opiniões, tomam decisões e se cobram para que todos os acordos sejam cumpridos. Forma-se, assim, uma espécie de ‘rede de acordos’ para evitar o caos”, explica Erica. Já a terceira é a geração de negócios, que faz com que os colaboradores consigam olhar para as oportunidades de mercado e conquistem novos clientes para a Verte, beneficiando a todos, já que cada pessoa é responsável por gerar novos projetos.

Dado o primeiro passo de horizontalizar a gestão na empresa, já é consenso que a gestão compartilhada não pode ser vista como uma espécie de “salvadora de pátria” ou “milagre” para as organizações. O conselho que Erica Isomura concede para quem quer seguir o Modelo Verte de Gestão dentro de suas empresas é colocar as pessoas em lugares diferentes daqueles em que elas estão habituadas para poderem gerar as mudanças que são necessárias. Na percepção de Sandra Rossi, “o convite para que as pessoas participem da decisão traz o ganho coletivo. Exemplo disso é que em concorrência de projetos que participamos que geralmente ganhamos por termos uma equipe tão engajada e focada no negócio que temos resultados incríveis em prazos bem menores”, finaliza a gestora.

Fonte: Profissional & Negócios

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