salario achatadoAfinal, o que está havendo com a questão salarial no Brasil?

Deparei-me com uma postagem que gerou bastante polêmica na Rede Social LINKED IN nessa semana: Um membro da rede estava indignado com um email que recebeu com a oferta de uma vaga para profissional de Engenharia para atuar em Fortaleza – Ceará.

As exigências da vaga em contrapartida ao salário oferecido geraram diversas manifestações que achei pertinente compartilhar aqui no Opinião RH com os leitores e colegas da área de RH.

O que me causou o questionamento do subtítulo acima. O que está ocorrendo com os salários do Brasil? Isso é reflexo da crise ( que está atingindo mais fortemente alguns setores), disparidades regionais ou falta de bom senso?

A referida vaga pede que o candidato seja “especialista” , tenha  “inglês fluente” e “experiência na área de projetos” .. mas tem mais! Ainda se solicitava que tivesse “condução própria” e “disponibilidade para viajar”.

A postagem gerou mais de 376 “curtidas” e cerca de 208 comentários! Em sua grande maioria de indignação quanto a remuneração ofertada em relação a todas as exigências da vaga.

Abaixo alguns dos comentários  (não identificarei os autores por questões éticas):

salario“Poxa! Contrata o cara em regime de PJ e da uma turbinada para ambos já que quer economizar, agora postar um salário destes para as qualificações exigidas é como querer andar de Ferrari pagando por um fusca!”

“Tá de Brincadeira…querem profissional qualificado com salário de ensino médio completo…..”

“Isso é um absurdo !! Não podemos nos submeter ao que o mercado nos impõe. #valorizaçãoprofissional”

“É exatamente por isso que eu saí da Area Industrial…passei a trabalhar como Engenheiro de Obras e estou cursando Eng. Civil…Se pudesse ficava somente na Eng. Mecanica…mas na area industrial querem contratar como Analista, Especialista, Supervisor…para pagar menos que o Piso Salarial do Engenheiro…muito triste essa realidade !!!”

“Caros amigos, acredito que ocorreu um equivoco no salário mencionado no anúncio. Eles devem ter confundido a função de Engenheiro com Pedreiro.”

“Ora pessoal vocês andam desatualizados, pois desde 2012 os salários vem caindo e as exigências aumentando. Quanto maior a experiência, conhecimento e função menor é o salário pago. E pior, quando não há profissionais que se sujeitam a estes absurdos algumas empresas e o próprio governo tendem a dizer que não há profissionais altamente qualificados no mercado de trabalho. Acostumem-se ou então se reinventem! “

“Isso acontece muito quando temos um recém formado que precisa entrar na área e não consegue um emprego por falta de experiência, acaba aceitando essas condições para adquirir experiência e evoluir futuramente. Infelizmente essa é uma realidade para muitos”

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Estaria o mercado sendo “inundado” por recém formados dispostos a qualquer ganho em troca da tão exigida “experiência”?

A região onde a vaga está sendo disponibilizada pode ter interferência no salário exigido?

Penso que as empresas podem estar aproveitando esse início de crise, afinal os números do desemprego subiram significativamente no último levantamento, e com maior oferta de profissionais, achatando remunerações. Tradicionalmente a região Nordeste oferece salários menores que as regiões Sudeste e Sul, isso pode ter influenciado também. Mas acima de tudo vamos falar de “bom senso”, o curso de Engenharia em questão (assim como outros) demanda um grande investimento em horas de estudo, estágios e financeiramente mesmo falando no caso das altíssimas mensalidades praticadas pelas Universidades. Então depois de formado se deparar com baixas remunerações é um contra senso sem sombra de dúvida.

O autor da postagem ainda finalizou com um pensamento muito interessante do mago Peter Drucker: “Não creiam que mão-de-obra barata ainda seja uma vantagem”.

Gostaria da opinião dos leitores na sessão “Comentários” logo abaixo, basta clicar. Além do voto em uma enquete que pretendo tornar como fonte de estudo para “cases” futuros para nossa área de RH. Participe!