Como o Linked In está mudando os Recrutamentos

dan-shaperoCOMO AS EMPRESAS USAM A REDE SOCIAL PARA CAÇAR TALENTOS. E O QUE BRASILEIROS TÊM FEITO PARA BUSCAR ESSAS OPORTUNIDADES

Classificados de empregos nos jornais, murais de vaga nos corredores da faculdade ou listas das empresas com vagas abertas. Há uma geração de profissionais que não olha nada nisso. Eles gastam parte de seu tempo diário atualizando seu perfil profissional em redes como o LinkedIn e já se acostumaram à abordagem constante de recrutadores – oferecendo vagas que, muitas vezes, eles nem sabiam que estavam abertas. O paulista Vitor Cunha Criscuolo, 31 anos, é dessa turma. Formado em desenho industrial, estava trabalhando na área internacional do Ibope quando foi abordado pela Natura. A empresa brasileira de cosméticos queria saber qual era a expectativa profissional de Vitor.

A conversa evoluiu para o telefone, entrevistas pessoais até chegar ao final feliz da contratação. Há quatro meses, ele atua como gerente de insights da marca, respondendo pela área do site do consumidor. “Consumo receber muitas abordagens pelo LinkedIn até porque meu ramo de atuação é carente no mercado brasileiro. Atualizo a rede desde 2008 e acho que o que facilitou foi ter um perfil construído com muitas recomendações e avaliações de competências”, afirma Vitor.

A Natura é uma das empresas brasileiras que mais utiliza o LinkedIn para recrutar. De julho de 2013 a março de 2014, mais de 30% das contratações da empresa foram impactadas por alguma das ferramentas do LinkedIn. No mesmo período, cada vaga publicada na rede ultrapassava 3 mil candidaturas. A Natura fica atrás apenas da Vale em ranking das 20 empresas brasileiras mais desejadas pelos profissionais da rede. E aproveita isso comprando produtos e ferramentas para encontrar talentos ou analisando os mais de 178 mil seguidores de sua página. “Cada departamento da Natura tem a licença de Recruiter, ferramenta customizada do Linkedin que oferece filtros mais precisos para buscar talentos”, diz Rafael Brazão, responsável pelas contratações da marca via Redes Sociais. A Natura também pede que seus funcionários construam bons perfis profissionais. “Fazemos oficinas para ensinar a turbinar o perfil. Indiretamente, cada colaborador ajuda a construir a nossa marca: eles carregam parte da empresa em cada post que publicam”, conta Brazão.

“Esse emprego pode te interessar” 

Oferecer soluções e ferramentas para as empresas encontrarem talentos é um baita negócio para o LinkedIn. Aliás, é o que mais gera lucro. No 2º trimestre de 2014, a área de talentos e soluções foi responsável por 60% da receita da empresa, chegando a US$ 322 milhões. As contas Premium (pagas e que proporcionam maiores benefícios e interações) geraram apenas 20% da receita e área de marketing ficou com o restante. Para vender seus produtos e soluções aos setores de RH das empresas, o LinkedIn endossa o discurso de que ter, obter e reter talentos é o grande diferencial competitivo dos dias atuais.

“Ajudar a encontrar as pessoas certas tem sido um desafio para as empresas e a maioria delas percebe que as pessoas são a sua competitividade. Se elas contratam profissionais vencedores, elas podem ganhar marqueteiros, gente que divulgue a sua marca”, diz o americano Daniel Shapero, vice-presidente da área de Talentos e Soluções, em entrevista à Época NEGÓCIOS.

São três as principais ferramentas do Linked In, a principal é o Recruiter, que apresenta à empresa uma lista de possíveis candidatos, filtrados a partir de segmentos, competências, empresas que trabalham, onde estudaram – entre milhares de outras combinações. Há ainda o “Job Slots”, que compartilha postagens de empregos personalizados quando usuários visitam a página da empresa ou de um funcionário. Os usuários que veem o anúncio “Esse Emprego Pode Te Interessar” são escolhidos por uma série de combinações encontradas graças a um algoritmo e, segundo o LinkedIn, são relevantes para aquela vaga ofertada. “É um modo das empresas acharem talentos em grande escala, sem fazer muito esforço”, defende Shapero.

A terceira solução oferecida consiste ajudar a empresa a construir sua marca na rede. É saber fazer o branding principalmente para criar a imagem de uma “empresa fantástica a se trabalhar”, o que estimulará possíveis profissionais a quererem mudar-se para lá. “No Brasil, 61% dos profissionais acreditam que o “branding convincente” é o fator mais importante na hora de considerar uma empresa“. Shapero afirma que o resultado é uma equação simples. “Os bons profissionais pensam que o sucesso daquela companhia é o sucesso deles, porque aquela empresa pode aperfeiçoar suas carreiras”.

“Os brasileiros gostam de ser abordados na rede” 

No Brasil, o LinkedIn tem mais de 700 clientes, entre empresas de 50 funcionários até aquelas com mais de 150 mil profissionais. Entre elas, Vale, Vorotorantim, B2W, Totvs e Facebook recrutam através da rede, buscando talentos de diversas áreas entre os 18 milhões de usuários brasileiros cadastrados. Deste total, apenas 3,5 milhões são “ativos”. O restante (80%) interage sem procurar emprego ao mesmo tempo em que se sente feliz ao ser abordado por um recrutador. Essa percepção é de Milton Beck, diretor de vendas da área da Talentos e Soluções do Brasil. “Em outras culturas o profissional se sente incomodado ao ser abordado. Mas os brasileiros não. Eles gostam. Sentem-se profissionalmente reconhecidos”, afirma.

Fonte: Época Negócios

 

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