Generalistas x Especialistas : Qual perfil vem chamando mais a atenção das empresas?

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Muita polêmica nas áreas de Recrutamento recentemente têm trazido um debate à tona:  Que perfil vem demandando mais atenção no desenvolvimento por parte das empresas: generalistas ou especialistas?

Ainda que o mercado de trabalho tenha dado sinais de desaceleração das contratações, verificado no fim do ano passado, a guerra pelos melhores profissionais parece não ter data para terminar. E nessa batalha em busca de talentos, há perfis e características que sobressaem e são os mais desejados pelas companhias. Considerando aspectos gerais, há dois tipos de profissionais que circulam no mercado: os generalistas e especialistas. Até pouco tempo, as companhias imaginavam que suas necessidades pudessem ser supridas por um ou outro perfil. Contudo, diante da complexidade das funções e dos processos, ambos passaram a ter papéis estratégicos e não há preferências claras no mercado. Apesar disso, especialistas afirmam que a tendência é buscar e desenvolver características mais generalistas, tendo em vista a carência por pessoal com capacidade de gerir. “As empresas não esperam mais profissionais que possam ser classificados. Elas querem aqueles que conseguem se adequar às necessidades, que não sejam especialistas em tudo e que tenham uma visão ampla do negócio”, afirma Ana Paula Cardoso, coordenadora da área de Educação Executiva do Insper.

Focado, técnico e estratégico, o profissional especialista é aquele que direcionou a carreira em uma área. “Ele geralmente está em posições que exigem conhecimento e expertise em uma única posição”, avalia Aline Zimermann, sócia da Fesa, empresa de recrutamento executivo. Já o generalista é o executivo mais sênior, com experiências em diversas funções e posições. “Ele tem uma visão geral do modelo de negócios e consegue ter opiniões consistentes e diversificadas”, explica Aline. “É difícil você ter uma visão generalista sem muita vivência profissional”, completa.

Liderança
“Os dois perfis são importantes para as empresas”, afirma Fabio Saad, gerente sênior das divisões de mercado financeiro e finanças e contabilidade da Robert Half, empresa de recrutamento. “Mas percebemos que quanto mais a pessoa sobe na carreira, maior é o conhecimento que ela precisa de outras áreas”, diz. Para ele, mais que a demanda por um ou outro perfil, é a capacidade de liderança que movimenta o mercado.

Na prática
E essa característica, acredita Glaucy Bocci, gerente e líder da prática de liderança e talentos do Hay Group América Latina, é mais fácil de ser desenvolvida em profissionais com características mais generalistas. “Especialistas são mais focados e racionais e essa é uma característica que pode atrapalhar no processo de liderança, mas não é uma regra”, afirma. “Os generalistas têm uma perspectiva mais ampla, o que facilita a gestão”, completa.  Apesar disso, ter um mix dos dois perfis tanto na equipe quanto na liderança amplia as perspectivas de soluções do negócio. “Essa diversidade traz ganhos, porque há complemento de competências”, avalia Glaucy. É esse mix que Eleonora Spínola Ferreira, gestora de RH e Marketing da Sertrading, empresa de comércio exterior, busca para o quadro da empresa.

Antes de fazer a seleção, Eleonora avalia o perfil do candidato que espera ter no quadro. Dependendo da vaga, busca um profissional mais generalista ou mais especialista. “Os dois perfis são importantes para nós. O generalista terá de trazer novas ideias sem ter um foco específico e o especialista terá de responder às necessidades do dia a dia”, conta. Mesmo ao buscar um técnico, a executiva considera características mais generalistas para a função, principalmente para cargos de gestão.

Independentemente do perfil, as companhias hoje estão mais interessadas na capacidade de execução e de resolução de conflitos dos profissionais, como avalia Saad, da Robert Half. “As empresas buscam profissionais capazes de enfrentar problemas que nunca tiveram antes e que consigam solucionar com base nas experiências que têm”, diz.

Perfil é considerado por instituições de educação executiva

Não importa qual perfil é o mais demandado pelo mercado. As instituições de educação executiva levam em conta tais demandas ao programar cursos direcionados às empresas. “Sem dúvida, essas questões são levadas em conta. E o fato de algumas disciplinas serem obrigatórias já é uma resposta de uma demanda que vem do mercado”, afirma Ana Luisa Pliopas, coordenadora de estágios e colocação profissional da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP).

De acordo com ela, as escolas são direcionadas pelo mercado quando preparam os cursos de formação executiva. Diante dessa demanda, ela verifica que há procura maior pelo desenvolvimento de habilidades mais generalistas. “As empresas esperam que os profissionais tragam soluções que ninguém mais conseguiu pensar”, avalia. “A convivência dos especialistas com generalistas é o que as empresas buscam. Ela é essencial para o desenvolvimento dos negócios, independentemente do setor”, afirma Ana Paula Cardoso, coordenadora da área de educação executiva do Insper.

fonte: Melhor Gestão de Pessoas

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