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Pesquisa do Reportei mostra que 50,5% dos profissionais relatam sintomas de burnout, enquanto 71% dizem que o uso de IA veio acompanhado de aumento nas expectativas de entrega

A rotina de profissionais de marketing combina jornadas estendidas, demandas urgentes e aumento das expectativas de entrega, enquanto os sinais de esgotamento estão se tornando mais frequentes. Uma pesquisa realizada pelo Reportei, plataforma de relatórios e dashboards de marketing e vendas, com 200 profissionais da área mostra que 50,5% afirmam já ter sentido sintomas de burnout e 59,5% relatam fadiga mental relacionada ao trabalho frequentemente ou sempre nos últimos seis meses.

A relação entre tecnologia e volume de trabalho ajuda a dimensionar esse cenário. Embora 94% dos entrevistados utilizem IA ou automação no dia a dia, apenas 12,5% afirmam ter reduzido claramente a carga de trabalho com essas ferramentas. Para 48%, houve alguma redução do volume de atividades, mas acompanhada de aumento nas expectativas. Outros 23% dizem que as expectativas cresceram enquanto a carga permaneceu igual ou pior. Ao todo, 71% associam o uso de IA a uma elevação das expectativas sobre suas entregas.

Na avaliação de Renan Caixeiro, cofundador e CMO do Reportei, os dados mostram que o ganho de eficiência proporcionado pela tecnologia vem sendo incorporado à lógica de cobrança das equipes. “A IA aumentou a capacidade de execução do profissional, mas muitas empresas estão tratando essa capacidade adicional como espaço para colocar mais demandas na agenda. Quando toda economia de tempo vira uma nova entrega, o profissional continua submetido à mesma pressão, só que em uma velocidade maior”, afirma.

A pressão sobre a jornada reforça o cenário. 59,5% dos profissionais afirmam trabalhar fora do expediente pelo menos algumas vezes por semana, sendo que 18% fazem isso quase todos os dias. Além disso, 65% recebem demandas urgentes semanalmente e 73% trabalham sozinhos na maior parte das tarefas ou consideram as equipes insuficientes para o volume de trabalho.

Para uma área que depende de repertório, criação e capacidade de planejamento, os efeitos chegam à própria atividade profissional. 52% afirmam ter percebido redução de motivação e criatividade frequentemente ou sempre, enquanto oito em cada dez relatam algum nível de dificuldade para se desligar das atividades fora do expediente.

A combinação de excesso de demandas, jornadas prolongadas e pouca previsibilidade ganha relevância diante da discussão sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A atualização da NR-1 passou a incluir esses fatores no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, contemplando situações relacionadas à organização do trabalho, como excesso de demandas e falta de suporte.

Para Caixeiro, a discussão precisa chegar à forma como as empresas organizam o trabalho e definem suas metas. “Quando uma ferramenta reduz o tempo necessário para uma tarefa, esse ganho pode ser usado para melhorar o planejamento, aprofundar uma análise ou dar espaço para a criatividade. Se ele for automaticamente convertido em mais tarefas, a tecnologia aumenta a velocidade da operação, mas não resolve a sobrecarga”, afirma.