
Headhunter aponta comportamentos que comprometem profissionais mesmo quando experiência e formação atendem aos requisitos de uma posição em aberto
Um currículo consistente, anos de experiência e boa formação podem abrir a porta para uma entrevista, mas não garantem a continuidade em um processo seletivo. Para profissionais mais experientes, alguns comportamentos durante a conversa com o recrutador podem pesar tanto quanto as competências técnicas apresentadas no currículo.
Segundo Diego Godoy, headhunter e sócio da MUUDA.work, é relativamente comum encontrar candidatos com trajetórias profissionais muito aderentes à posição, mas que têm dificuldade de demonstrar essa compatibilidade durante a entrevista. “O currículo mostra onde a pessoa trabalhou e parte do que ela construiu. A entrevista mostra como ela pensa, se comunica, se relaciona e enxerga a própria trajetória. Às vezes, encontramos um candidato excelente no papel, mas que não consegue sustentar essa percepção quando começa a conversa. A impressão é que ele se conhece pouco.”, explica.

Para Godoy, cinco comportamentos merecem atenção, especialmente entre profissionais que já acumulam muitos anos de carreira.
- “Responder demais” e não responder à pergunta
Experiência traz repertório, mas também pode levar a respostas longas demais. O profissional começa contando o contexto, passa por diferentes situações e, depois de vários minutos, ainda não respondeu objetivamente ao que foi perguntado.
“Não se trata de responder tudo em duas frases, mas de ter capacidade de entender a pergunta, o objetivo dela e fazer uma síntese na resposta. Quanto mais sênior a posição, mais esperamos que o profissional consiga organizar um raciocínio complexo e comunicar o que realmente importa, pois gerentes, diretores e C-Level são avaliados principalmente pela forma de pensar e não pelo repertório técnico somente”, afirma.
- Falar apenas em responsabilidades e não em resultados
Dizer que liderava uma equipe, respondia por determinada área ou participava de decisões estratégicas descreve a função, mas não necessariamente revela a contribuição daquele profissional. Para o headhunter, candidatos experientes precisam conseguir mostrar o impacto do próprio trabalho.
“Existe uma diferença grande entre dizer ‘eu era responsável pela área comercial’ e explicar quais desafios encontrou, o que fez e quais resultados conseguiu gerar. O cargo está no currículo. Na entrevista, queremos entender o que aquela pessoa fez com a responsabilidade que recebeu”, explica Godoy.
- Falar mal da empresa ou do antigo gestor
Mesmo quando a saída aconteceu em circunstâncias difíceis, transformar a entrevista em um espaço para reclamações pode prejudicar a percepção sobre o candidato.
Isso não significa esconder conflitos ou experiências negativas. O diferencial está na forma de apresentá-los. “É perfeitamente possível explicar que houve uma divergência, uma mudança de estratégia, um problema moral, ético, ou uma relação difícil. O que observamos é como o profissional fala sobre isso. A maturidade também aparece na capacidade de contar uma situação negativa sem transformar a entrevista em uma espécie de acerto de contas”, afirma.
- Demonstrar que sabe muito sobre o passado, mas pouco sobre a vaga
Outra situação recorrente é o profissional se preparar para contar a própria história, mas chegar à entrevista sem conhecer suficientemente a empresa, o negócio ou os desafios da posição.
“Experiência não substitui preparação. Quando um executivo demonstra curiosidade, estudou a empresa e faz boas perguntas, a conversa muda de nível. Ele deixa de apenas apresentar o que já fez e começa a construir uma conexão entre sua experiência e aquilo que a organização precisa”, diz Godoy.

- Tentar demonstrar que “sabe tudo”
Em posições mais seniores, segurança é importante, mas ela não deve ser confundida com a necessidade de ter resposta para qualquer assunto. Para Godoy, reconhecer limites, fazer perguntas e demonstrar disposição para aprender também são sinais importantes de maturidade profissional.
“Quanto mais experiente alguém se torna, maior pode ser a tentação de provar que já viu de tudo. Só que o mercado muda, as empresas são diferentes e ninguém chega sabendo todas as respostas. Um profissional seguro também consegue dizer ‘não sei’, perguntar e ouvir”, afirma.
Para o headhunter, a preparação para uma entrevista deve ir além de ensaiar respostas para perguntas tradicionais. É importante revisar a própria trajetória, selecionar situações concretas que demonstrem resultados e estar preparado para explicar decisões, dificuldades, aprendizados e mudanças de carreira.
“A entrevista não deveria ser uma tentativa de parecer perfeito. Ela é uma oportunidade para mostrar como aquele profissional pensa e age diante de situações reais. Um currículo pode colocar o candidato no processo seletivo, mas é a qualidade da conversa que ajuda a mostrar se existe compatibilidade entre aquela pessoa, a posição e a empresa”, completa Diego Godoy.
A MUUDA.work atua nas áreas de recrutamento e seleção e mentoring profissional, atendendo empresas e executivos em processos de contratação, desenvolvimento e transição de carreira.
