Avanço da inteligência artificial, mudanças no perfil dos profissionais e foco em habilidades comportamentais reposicionam o recrutamento como área-chave para o negócio
O recrutamento de profissionais de tecnologia vem passando por uma transformação estrutural nos últimos anos. Impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, pela sofisticação das plataformas digitais e pela mudança nas expectativas de carreira, o papel do tech recruiter deixou de ser predominantemente operacional para assumir uma função estratégica dentro das empresas.
Na ST-One, esse trabalho é conduzido por Sidney Medeiros, responsável por conectar talentos de tecnologia às demandas técnicas e culturais da organização. Para ele, o recrutamento deixou de ser apenas um processo de triagem para se tornar uma etapa crítica na construção de times e na sustentabilidade do negócio.
“Hoje, o tech recruiter precisa entender o contexto da empresa, as tecnologias envolvidas, a dinâmica do time e o impacto daquela contratação no médio e longo prazo”, afirma.
Do currículo à estratégia
Um dos equívocos mais comuns sobre a atuação de recrutadores especializados em tecnologia é a percepção de que o trabalho se limita à análise de currículos. Na prática, a função envolve mapeamento de talentos, avaliação de aderência cultural, leitura das necessidades do negócio e engajamento dos profissionais ao longo do processo.
“O recrutamento é, cada vez mais, uma atividade de mediação entre expectativas. Nosso papel é garantir que a oportunidade faça sentido tanto para a empresa quanto para o profissional”, diz Medeiros.
IA amplia eficiência, mas não substitui decisão humana
A incorporação da inteligência artificial aos processos de recrutamento e seleção trouxe ganhos relevantes de eficiência. Sistemas de ATS mais avançados, automação de triagens e apoio em testes técnicos reduziram o tempo dedicado a tarefas operacionais.
Apesar disso, Medeiros avalia que a tecnologia deve ser vista como ferramenta de apoio, e não como elemento decisório. “A IA libera tempo, mas a decisão final ainda precisa ser humana. Estamos contratando pessoas, não apenas competências técnicas.”
Desafio vai além da escassez técnica
Embora o discurso sobre falta de profissionais de tecnologia permaneça presente, o principal desafio do setor, segundo o recrutador, está no desalinhamento entre competências técnicas e habilidades comportamentais.
“Há profissionais tecnicamente qualificados, mas com lacunas importantes em comunicação, colaboração e postura profissional. Essas habilidades são determinantes no dia a dia das empresas”, afirma.
Nesse contexto, o fator comportamental assume papel central no sucesso das contratações, seguido pelo domínio técnico e, posteriormente, pela visão de negócio, competência que pode ser desenvolvida ao longo do tempo.
Diferença entre pleno e sênior
Na avaliação de Medeiros, a distinção entre profissionais plenos e seniores está menos relacionada ao tempo de experiência e mais à capacidade de assumir responsabilidade, atuar com autonomia e contribuir estrategicamente.
“O sênior é referência técnica, conduz projetos, desenvolve pessoas e contribui com decisões que impactam produto e negócio”, resume.
Falhas recorrentes em processos seletivos
Entre os erros mais comuns cometidos por candidatos, estão a dificuldade de reconhecer limitações técnicas e a falta de clareza na apresentação do próprio histórico profissional. Do lado das empresas, o excesso de confiança em testes automatizados e avaliações padronizadas pode comprometer a qualidade das decisões.
“Ferramentas são importantes, mas não substituem uma avaliação contextualizada”, diz.
Perspectivas para 2026
Para lideranças que planejam contratar profissionais de tecnologia nos próximos anos, Medeiros recomenda escopos bem definidos, descrições de vagas alinhadas à realidade da operação e atenção à diversidade. Para os profissionais, o conselho é manter atualização técnica constante, sem negligenciar o desenvolvimento de habilidades comportamentais.
“O mercado de tecnologia continua aquecido, mas exige profissionais cada vez mais completos”, conclui.
