Habilidades desenvolvidas fora do ambiente corporativo passam a influenciar decisões finais de recrutamento ao revelar competências comportamentais difíceis de mensurar
Durante anos, hobbies, práticas esportivas e atividades artísticas foram vistos como aspectos secundários na avaliação profissional. Hoje, esse olhar começa a mudar. Experiências desenvolvidas fora do ambiente de trabalho, frequentemente chamadas de mad skills, vêm ganhando peso real nos processos seletivos, não como novidade, mas como um critério complementar para leitura de comportamento, potencial e aderência cultural.
Com currículos cada vez mais homogêneos e trajetórias profissionais semelhantes, recrutadores passaram a buscar sinais mais profundos de como o candidato atua em situações de pressão, toma decisões, mantém disciplina e se relaciona com desafios de longo prazo, aspectos que nem sempre aparecem em entrevistas estruturadas ou avaliações técnicas.
“As experiências fora do trabalho ajudam a revelar competências comportamentais que dificilmente são captadas apenas por meio do currículo ou de perguntas padronizadas”, analisa Eliane Aere, presidente da ABRH-SP.
Na prática, essas vivências funcionam como indicadores indiretos de soft skills. A prática esportiva recorrente pode sinalizar foco, constância e gestão emocional. Atividades artísticas costumam indicar criatividade aplicada, empatia e leitura de contexto. Projetos pessoais paralelos revelam autonomia, curiosidade intelectual e senso de responsabilidade — atributos cada vez mais valorizados em ambientes corporativos complexos.
Especialistas em gestão de pessoas reforçam que essas experiências não substituem critérios técnicos, mas entram como fator de desempate, validação cultural e leitura de potencial, especialmente quando candidatos apresentam níveis semelhantes de qualificação formal. “O desafio do RH não é valorizar o hobby em si, mas interpretar corretamente o que aquela experiência revela sobre o comportamento profissional”, destaca a presidente.
Eliane também alerta para os riscos de um uso superficial desse critério, como a romantização de determinadas experiências ou a criação de vieses que favoreçam apenas perfis com maior acesso a atividades específicas. “O olhar precisa ser técnico e contextualizado. Mad skills não dizem respeito ao status da atividade, mas às competências desenvolvidas ao longo dela”.
Para os profissionais, a mudança traz um recado claro: experiências fora do escritório deixaram de ser apenas lazer e passaram a integrar o repertório de carreira. Saber comunicá-las de forma estratégica, conectando aprendizados pessoais às demandas do cargo, pode fazer diferença em processos seletivos cada vez mais disputados.
No fim, o movimento reforça uma transformação silenciosa no mercado de trabalho: quando trajetórias profissionais se parecem, é o comportamento que passa a definir a escolha final.
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