A perda de profissionais pode ser explicada por várias razões, mas segundo o especialista Eduardo Carmello essa elevada sangria de profissionais das empresas brasileiras tem muito a ver com o despreparo das chefias
Há várias razões para que as pessoas desistam do seu emprego. E um dos principais motivos se deve à existência de uma má relação entre os profissionais e seus chefes.
Segundo um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), na década entre 2001 e 2010, a taxa de turnonver (saída de empregados das empresas por iniciativa da empresa ou do empregado) saltou de 45% para 53% ao ano. Isso significa que, para algumas empresas, em dois anos haverá uma troca quase que completa do número de empregados, o que provoca efeitos dramáticos no bom andamento dos negócios e na própria competitividade das empresas. Apenas para se ter uma ideia da magnitude desse número, nos Estados Unidos, segundo dados do Departamento de Trabalho (Bureau of Labor Statistics) em 2010 o turnover naquele país foi estimado em 3,5% no setor privado.

A perda de profissionais pode ser explicada por várias razões, mas segundo Eduardo Carmello, diretor da consultoria Entheusiasmos, essa elevada sangria de profissionais das empresas brasileiras tem muito a ver com o despreparo das chefias:
“De modo geral, os chefes nas empresas brasileiras se formaram há 15 ou 20 anos, em meio a uma realidade empresarial muito diversa da atual. É comum que as empresas coloquem em posição de chefia ou alguém da família controladora do negócio ou um bom técnico, alguém que fez carreira no âmbito operacional da empresa. Ocorre que nenhum destes dois perfis profissionais garantem os requisitos para alguém ser um bom chefe”, explica Carmello.
O especialista cita como exemplo da ineficácia dessas lideranças, que leva ao êxodo de profissionais, o modo como os tipos mais comuns de chefias brasileiras chamam a atenção de sua equipe quando as coisas não vão bem. “Via de regra, eles temem personalizar a crítica e reúnem todos em uma sala, tanto os de bom quanto os de mau desempenhos. Esses chefes acham que aqueles de mau desempenho vão vestir a carapuça e os de bom desempenho não vão se importar com as críticas. Mas a verdade é que os de bom desempenho se sentem desprestigiados e terminam buscando outras oportunidades e os de mau desempenho simplesmente ignoram as críticas”, comenta o especialista.
De modo geral, as empresas não compreendem os elevados custos provocados pela perda de profissionais. Seja demitindo ou acatando um pedido de demissão, as empresas têm custos com a saída de trabalhadores. No entanto, os custos do turnover não param por aí: a empresa terá que investir tempo e dinheiro na busca de um novo profissional e, adicionalmente, gastar ainda mais no treinamento dessa pessoa. Outro custo invisível no processo: as perdas de produtividade decorrentes do período em que a empresa fica sem o profissional, assim como o período em que o substituto está sendo preparado.
Os dados do turnover de empregados no Brasil, dramáticos por si só, ajudam a explicar outro fenômeno: segundo um estudo publicado pela revista Exame em outubro de 2012, o trabalhador brasileiro gera em média perto de US$ 22.000,00 de riqueza por ano, enquanto o norte americano gera cerca de US$ 100.000,00, ou quase cinco vezes mais. Essa brutal diferença de produtividade, alerta Carmello, se explica por várias razões, como acesso a tecnologias mais modernas, melhor infra-estrutura de telecomunicações e, também, pelo elevado turnover no Brasil, que faz com que as empresas tenham que conviver com profissionais pouco experientes toda vez que um profissional melhor qualificado sai em busca de melhores oportunidades.
Segundo Luciana Tegon, presidente da Tegon Consultoria, a alta rotatividade de profissionais afeta, também, os programas de recrutamento de jovens talentos:
“Em média, as empresas que fazem programas de trainees no Brasil perdem até 50% dos jovens selecionados a duras penas em até 18 meses após a contratação”, explica Luciana.
Segundo ela, as razões para essa perda tão elevada de jovens que entram para assumir posições de chefia no futuro se devem ao desencanto dos jovens com a cultura da organização. Muitos profissionais recém-saídos das faculdades decidem trabalhar em uma grande empresa em função de sua marca e da força que transparece. No entanto, assinala Luciana, assim que começam a trabalhar na empresa eles percebem que estão diante de uma cultura centralizadora, burocrática, engessada, que não vai permitir o avanço na carreira esperado. Muitos jovens se decepcionam, também, com as proibições que lhes são impostas como bloqueio ao uso de Internet, horário de trabalho inflexível, entre outras.
“O resultado é que mais da metade dos trainees contratados pelas grandes empresas deixam as organizações antes de se passarem dois anos. As perdas para as empresas são imensas, uma vez que elas precisam recomeçar as contratações do zero”, finaliza Luciana.
fonte: Administradores

Concordo plenamente com a matéria aqui exposta e ainda acrescento que nas Empresas de um modo geral há pouco comprometimento dos funcionários, pois desconhecem totalmente o que é o cliente,Realmente hoje nas chefias estão as pessoas com menos competência e desconhecem como funciona sua empresa e o que ela espera dele, não havendo ao meu ver transparência,pois sendo você o chefe, você deverá entrar no “jogo” marcando gol, não havendo tempo hábil para um bom preparo e integração dos funcionários com a empresa e a avaliação correta se esse funcionário foi contratado para a vaga certa, onde deveria se sentir desafiado e feliz. Infelizmente não há milagres, os recém formados deverão ser mais humildes e tolerantes e aprender com os mais velhos e ter paciência….Uma chefia ensina e não pune, é preciso ter o dom de chefiar o que não tem nada a ver necessariamente como ser um líder, pois a liderança poderá ser totalmente imatura e desconexa com a realidade da empresa, do cliente e do mercado.Portanto, vejo sempre a pessoa errada comandando pessoas zumbis…
Nelson, excelente análise! Realmente o que você afirmou é fato, obrigado por participar!
Prezados,
Um quadro com o qual nos deparamos diariamente e que vem tomando lugar de destaque nos últimos anos.
Lidero uma equipe de profissionais de vendas e creio que como lider, minha função principal é demonstrar “como” precisa ser feito, para que o resultado desejado seja alcançado.
Sabemos que tudo na vida evolui numa velocidade que muitas vezes os profissionais responsáveis pela gestão não conseguem acompanhar, então se tornam “defazados”.
Assim como as empresas atualmente necessitam ser eficientes para se manterem no mercado, os gestore deveriam estar atentos, se atualizando acadêmicamente, estando sempre à frente nas decisões, sobretudo na gestão de pessoas.
Austeridade, gritaria, tapas na mesa, e muitas vezes humilhação pública, NÃO ATINGE METAS E RESULTADOS.
O envolvimento, companheirísmo, acolhimento e a cumplicidade, sim facilita atingir metas.
Meus funcionários são sim, meus amigos. Cobro o que tenho que cobrar com firmeza, nunca exercendo “pressão demasiada” ou impondo a força do meu cargo.
Estamos juntos para conquistarmos os objetivos juntos.
Minha opinião e é o que tento aplicar em meu dia-a-dia.
Obrigado!
Valdir Álvares
Excelente exemplo de liderança, demonstrou boa visão Valdir! Obrigado por sua participação!
O problema começa no recrutamento, onde por ética, numa entrevista de emprego não podemos mencionar das atitudes da chefia e dos conflitos de relacionamentos profissionais por que se não perdemos a vaga para aqueles que omitem essas informações!
Isso também é uma realidade Ronaldo, obrigado por sua participação!
Quero dar a minha contribuição neste assunto que vejo ser muito interessante, lidero pessoas na área de logística à vinte anos hoje atuo na minha empresa mais como suporte, porém diariamente observo as atitudes das lideranças para meu próprio aperfeiçoamento mas, também para criticamente aprender com as equipes que interajo, ao longo da minha experiência passei por AMBEV, Parmalat e outras escolas de gestão no meu segmento ou seja logística, de tudo isto o que vejo é pessoas despreparadas com uma baixa estima das e isto se reflete na vida pessoal e consequentemente no bolso, e em contraposto vejo ainda empresas que só pensam no lucro.Participei de um processo seletivo para Supervisor de uma empresa de transportes em uma operação logística noturna onde os ajudantes de carga e descarga eram trazidos de Kombi de bairros da periferia da Cidade, trabalhando frio, se alimentando de maneira precária sem benefício algum, viravam a noite retornando ao clarear do dia para seus lares se é que tinham, não aceitei o convite, de tudo isto o que vejo é que comparar com EUA e Europa até ajuda porém, não serve como parêmetro em um país onde ainda existe serviço escravo semelhante ao que eu relatei, outro detalhe é a questão organizacional que precisa se profissionalizar, começando por RH e desenvolvimento humano e isto envolve políticas de cargos e salários, benefícios, PPR e etc., normalmente as empresas não investem nas pessoas e contratatam pessoas de fora sem conhecimento e comprometimento para assumirem funções estratégicas, não que eu seja contra novos talentos, porém acredito que oportunidade devem ser dadas a todos mas a prioridade deve ser dada a quem está na empresa, buscando fora quando necessário, outro detalhe são as gerações X, Y, Z, onde tudo é pra ontem e enxergam a realidade de forma deturpada, não sendo generalista.
Para mim liderar é uma arte, você conseguir potencializar e tirar o máximo da equipe envolve uma série de fatores que devem ser conduzidos com visão sistêmica, o lider deve liderar pelo exemplo mas deve ter autonômia para tomar decisões e se realizar existem três pilares, PESSOAS, SERVIÇOS e RESULTADOS que devem ser sincronizados de forma harmônica e este é o grande desafio.
ABRAÇO
Sergio, ótima participação! Muito bom saber que o blog vêm atraindo profissionais como você, sua análise e experiências de vida foram muito valiosas!
Obrigado por seu comentário!
O quadro descrito no artigo espelha a realidade. Venho conduzindo uma análise de perfis de profissionais que se apresentam na rede LinkedIn: o tempo máximo de permanência das pessoas em uma mesma empresa está em torno de três anos, com a média em um ano e meio.
A função de chefia somente deveria ser exercida por quem tem o perfil psíquico adequado para tanto. O “x” da questão é que as empresas geralmente desconhecem esse perfil e utilizam outros critérios (histórico escolar e profissional, tempo na empresa, “recomendações” políticas, etc.) para nomear pessoas para cargos de chefia. Algumas qualidades do bom chefe são inatas, mas outras podem ser aprendidas em processos que utilizam recursos psicanalíticos e de coaching, em sessões de desenvolvimento profissional que visam a alteração comportamental e o aprendizado de qualidades de Liderança.
Benno F. Kialka
Psicanalista, Administrador e Consultor de RH de Empresas.
Comentário publicado em 17/06/13
Benno, concordo com você principalmente no tocante a capacidade de adquirir aprendizado para desenvolver qualidades de liderançã, na minha visão de Gestor penso que o indivíduo pode SIM mudar comportamentos e ser um líder melhor. Obrigado por participar!
Liderar é “despertar nos outros a vontade de fazer”.
Imagine não poder se capacitar gratuitamente, na função que o profissional exerce na empresa, selecionado por um programa de capacitação concorrido de uma instituição pública federal, pois a empresa não pode trocar a escala de horário do funcionário, sendo que a empresa trabalha 24h por dia?! Hoje em dia os jovens não querem só ganhar dinheiro, e isto as vezes não é o mais importante, hoje as pessoas querem realizar-se profissionalmente! Realmente oportunidades de crescimento efetivo, com base em geração de conhecimento e tecnologia, hoje não parecem ser campos de atuação de algumas empresas, e acredito que também por isto, algumas pessoas saiam da iniciativa privada para a pesquisa acadêmica.
Bom dia, é incrível como os gerentes e coordenadores não conseguem colocar em prática o que é aprendido, valorização do profissional, motivação da equipe, qualificação do profissional. Ter o conhecimento e não colocá-lo em prática é o pior erro, trabalhar sem uma filosofia, sem acreditar nas políticas da própria empresa, é vender um produto que você sabe que é ruim.
Difícil de acreditar que ainda existem jovens gerentes e coordenadores, que resolvem uma reunião dando soco na mesa, ou impondo-se, isso é ordem minha, eu quero assim, futuro curto e incerto na função.
Ser líder é doação, é trabalhar para sua equipe, é acreditar que eles são as pessoas mais importantes do processo, e motivá-los mostrando e fazendo com que eles acreditem nisso.
Ser líder é uma filosofia de vida, ser chefe, qualquer um pode ser, ser líder é ser aceito e escolhido por suas palavras e principalmente por suas ações.
Convivi com empresas gerenciando RH por mais de 20 anos, e posso afirmar que a falta de preparo das Lideranças/Chefias realmente é um grande complicador na gestão das organizações, e especialmente em relação às pessoas. Por quê? Porque nós, representantes das Empresas, promovemos técnicos bons, operadores ótimos, a Líderes, sem ao menos informar muitas vezes suas principais responsabilidades, atribuições e alçada. Alguns recebem a promoção com alegria e depois percebem ter sido um “presente de grego”… Alguns não tem jeito para comandar, para lidar com pessoas… Treinar dá resultados, mas é uma grande construção, tijolo a tijolo, e temos que ter paciência…RH tem um grande papel a cumprir!
Infelizmente estou passando por estas etapas citadas no texto. a empresa na qual eu estou está com Política e cultura engessada…Logo terei de sair pois não vejo plano de carreira e a minha chefia é muito despreparado. Estou me formando agora e é difícil ser liderado por uma pessoa que não saber o que é liderança e que trata mal os colaboradores.
Antonio, lamento estar passando por essa desagradável situação, voce já procurou alguém do RH da empresa ou alguma outra liderança para falar dessa situação? Pedir a demissão somente já estando devidamente empregado, nao se esqueça! Desejo muita sorte à voce!
Enquanto as chefias não entenderem que o relacionamento dentro de uma organização não pode pode ser um ganha-perde (chefia ganha e subordinado perde). Essa realidade brasileira não sera mudada, pois para que alguém ganhe não é necessário de alguém perda, ambos podem ganharem juntos e o resultado sempre será positivo. Precisamos de focados em resultados, mas que tenham ações voltadas a gestão de pessoas, pois são as “pessoas” o bem mais precioso das organizações.
O Chefe deved gostar de mandar…o chefe manda…é nato dele.Acho que esse perfil é da pessoa e pouco viável fazer curso de chefia.Uns nasceram para ser “cauda”, outros para ser “cabeça”. Ha muitas experiências catastrofísticas nas empresas…