
Silêncio organizacional compromete a identificação de riscos e a segurança psicológica nas empresas
São Paulo, Janeiro de 2026 – Evitar conversas difíceis e silenciar alertas no ambiente de trabalho pode transformar riscos cotidianos em ameaças reais à segurança psicológica e física, em desacordo com o que determina a NR-01. Segundo Nathalia Gottheiner, especialista em desenvolvimento humano e fundadora do Centro de Treinamento Executivo Bosque Belo – que conduz vivências de liderança com executivos e equipes de empresas de todo o país, além do Chile, Espanha e Estados Unidos –, a comunicação direta é parte estrutural da lógica de prevenção exigida pela NR-01. “Quando a comunicação é evitada, o risco não deixa de existir, ele apenas deixa de ser nomeado. O silêncio organizacional cria um ambiente onde sinais de alerta estão presentes, mas não são reconhecidos como risco”, afirma.
Para Nathalia, falar com clareza não é sobre confronto, é sobre responsabilidade. “A prevenção começa quando líderes conseguem sustentar conversas difíceis antes que comportamentos inseguros, falhas operacionais ou o esgotamento emocional se tornem problemas maiores”, explica.
No Brasil, líderes evitam conversas difíceis, equipes aprendem a contornar problemas e sinais de alerta acabam diluídos em discursos genéricos. O resultado é um ambiente onde riscos existem, mas não são nomeados, registrados ou tratados, exatamente o oposto do que a NR-01 propõe.
O custo do silêncio
Quando comportamentos inseguros não são apontados, o desgaste emocional é minimizado ou o medo de desagradar silencia alertas importantes, a segurança psicológica se fragiliza. E, sem ela, a parte física também se torna vulnerável. Pessoas que não se sentem à vontade para falar dificilmente reportam falhas, erros operacionais ou sinais de esgotamento antes que o problema se agrave.
Nathalia afirma que identificar riscos vai além de checklists, documentos ou indicadores formais; envolve presença, escuta e disposição para nomear sinais antes que se tornem problemas estruturais. “Onde há silêncio excessivo, há risco oculto. Onde o feedback é evitado, a prevenção falha”, esclarece.
Ao exigir processos mais claros de identificação e gestão de riscos, a NR-01 também provoca uma mudança cultural. Cumprir a norma passa, inevitavelmente, por desenvolver lideranças capazes de sustentar conversas difíceis e criar ambientes onde falar não seja um ato de coragem isolado, mas parte da rotina de cuidado e responsabilidade coletiva.
“No fim, o maior perigo não é o conflito que acontece, mas o risco que ninguém teve coragem de dizer que existia”, conclui Nathalia.
