Companhias combinam equipes internas e curadoria especializada para ganhar escala, agilidade e especialização; mercado global de outsourcing deve atingir US$ 450 bilhões até o final de 2026

São Paulo, Janeiro de 2026 –  Os times fixos de marketing seguem como base estratégica das empresas, mas passam a ser complementados por squads sob demanda e curadoria especializada, em um movimento que busca responder à crescente complexidade dos projetos, à necessidade de agilidade e à especialização técnica sem aumento estrutural de custos. Empresas como Grupo Boticário, Grupo La Moda e Kwai têm adotado esse modelo híbrido como alternativa à expansão permanente de headcount.

Na prática, os squads atuam de forma pontual ou recorrente para reforçar campanhas, projetos específicos ou fases de crescimento, permitindo que as organizações escalem suas operações de marketing de maneira mais flexível, sem abrir mão da governança, da cultura interna ou da continuidade das equipes fixas.

A tendência reflete um movimento global em franca expansão. Segundo levantamento da Keywords Everywhere, 80% das empresas no mundo já utilizam outsourcing para acessar competências especializadas e otimizar recursos. A Virtual Latinos projeta que o mercado global de terceirização atinja aproximadamente US$ 450 bilhões até o final de 2026. Entre grandes corporações, a prática já está consolidada: 57% das empresas G2000 terceirizam processos, sendo 92% delas na área de TI e 59% em processos de negócio, de acordo com a DOIT.

“A dor da contratação em marketing é real. As empresas precisam ganhar velocidade e especialização sem desorganizar seus times internos. Os squads entram como uma camada estratégica de apoio, não de substituição, conectando talentos preparados às demandas certas, no tempo certo”, afirma Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG, empresa especializada na alocação de profissionais em comunicação.

Especialização supera redução de custos como motivação

O que antes era visto apenas como estratégia de corte de despesas ganhou nova camada de sofisticação. Atualmente, 42% dos executivos apontam o acesso a talentos especializados como principal motivação para terceirizar, superando a redução de custos, segundo a DOIT.

No Brasil, a HUG tem sido protagonista desse movimento. No Grupo Boticário, a empresa apoiou projetos em mais de 50 times diferentes, movimentando mais de R$ 18,2 milhões em salários entre 2024 e 2025, segundo dados internos. Parte desses profissionais, inicialmente alocados via curadoria, foi posteriormente internalizada pelas equipes fixas, reforçando o papel do modelo como ponte entre demanda e talento.

 

“Construímos uma metodologia que entrega resultado e, ao mesmo tempo, protege o capital humano. O foco está em gerar impacto sustentável, reduzir turnover e elevar a performance dos times, independentemente do formato de contrataçãoe”, completa Gomes.

A proposta da HUG se distancia do modelo tradicional de terceirização baseado em alta rotatividade ou precarização. Segundo levantamento interno da empresa, os salários praticados nas vagas intermediadas chegam a ser até 20% superiores à média do mercado de comunicação. O índice de retenção também se destaca: 96% entre os profissionais alocados, contra 34% da média do setor.

O prazo médio de contratação varia entre 18 e 25 dias, com expectativa de cair para até 12 dias em 2026, a partir da adoção de processos seletivos mais ágeis e especializados. A taxa de substituição permanece baixa: a cada 50 vagas preenchidas, apenas duas demandam reposição.

Marketing ágil ganha terreno

O modelo de squads terceirizados se alinha ao crescimento do marketing ágil. Segundo pesquisa da AgileSherpas realizada entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, 37% dos times de marketing já operam com metodologias ágeis. A abordagem permite que empresas escalem ou reduzam equipes conforme a demanda de projetos, sem o compromisso de longo prazo e os custos trabalhistas associados a contratações CLT. A maioria das vagas oferecidas é remota ou híbrida, ampliando o alcance geográfico dos talentos disponíveis.

Os números da HUG refletem a consolidação do modelo no Brasil. Em 2024, a empresa registrou faturamento de R$ 6,7 milhões, crescimento de 20% em relação ao ano anterior, segundo balanço interno. Em 2025, alcançou R$ 10 milhões, salto de 49% em relação ao ano anterior. Para 2026, o foco está na ampliação da frente de mentoria, educação corporativa e desenvolvimento profissional, além do fortalecimento de parcerias com startups e empresas que buscam estruturar seus times de forma mais eficiente.

Atualmente, a companhia reúne mais de 460 profissionais na comunidade Hugger, rede criada para acompanhamento e desenvolvimento de talentos antes, durante e após os projetos. A curadoria prioriza alinhamento cultural, clareza de escopo e acompanhamento contínuo, fatores que sustentam índices de performance acima da média do mercado