
Em um país que passa mais de nove horas por dia diante de telas, especialista aponta o silêncio como ferramenta estratégica para decisões melhores, equipes mais conectadas e liderança mais humana
São Paulo, novembro de 2025 – Em um ambiente corporativo dominado por notificações, reuniões sucessivas e múltiplas telas, a habilidade de silenciar tem se tornado um dos principais desafios da liderança moderna. Para Nathalia Gottheiner, fundadora do Centro de Treinamento Executivo Bosque Belo, a presença plena é hoje um diferencial competitivo tão importante quanto qualquer competência técnica. “Estamos vivendo uma era de hiperconexão, mas perdemos a conexão mais importante, a de estar verdadeiramente presente”, afirma, Gottheiner. “Quando um líder silencia, ele recupera foco, profundidade e capacidade de escutar o que realmente importa”, enfatizar.
A especialista em comportamento humano cita quatro caminhos práticos para líderes que desejam incorporar o silêncio como ferramenta de gestão e fortalecimento de equipes:
1) Comece desligando o celular
A desconexão física é o primeiro passo para a mental. “Nos treinamentos conduzidos na Fazenda Bosque Belo, por exemplo, a prática inicial é recolhermos o celular dos participantes”, explica. Segundo
Gottheiner, o impacto é imediato e revela um comportamento típico do mundo corporativo. “Pelas primeiras horas, muitos líderes parecem ter perdido um órgão vital. O dedo procura a tela no automático e a mente tenta preencher o vazio. É nesse momento que eles percebem a dependência que construíram sem notar”, afirma.
Com o passar do tempo, a sensação muda. Surgem calma, presença e capacidade de olhar nos olhos. As conversas se tornam mais profundas e espontâneas. Para a especialista, isso não é coincidência, é o efeito direto da pausa. “Quando tiramos as distrações, devolvemos às pessoas a possibilidade de se enxergarem. O silêncio vira um espaço seguro para reflexão, conexão e criatividade”, enfatiza.
2) Institua micro-pausas ao longo do dia
Pausar não é improdutivo, é estratégico. Cinco minutos bastam para reduzir a carga mental, reorganizar pensamentos e entrar em reuniões mais focado. No ritmo acelerado das empresas, líderes que incorporam micro-pausas são os que mantêm clareza mesmo em cenários de pressão. “Silenciar é um ato de autocontrole. Quando você pausa, você volta para o presente. E quando volta para o presente, toma decisões melhores”, diz Gottheiner..
3) Troque respostas rápidas por escuta ativa
Silenciar também significa falar menos para ouvir mais. Em ambientes de trabalho que valorizam velocidade, muitos líderes confundem agilidade com impulsividade. Duas respirações profundas antes de responder já mudam o clima da conversa, abrem espaço para colaboração e evitam ruídos. “Quando o líder pratica o silêncio interno, ele cria um ambiente onde as pessoas se sentem vistas e ouvidas. Isso fortalece vínculos e melhora radicalmente a qualidade das trocas”, afirma.
4) Promova experiências que estimulem a presença
Experiências offsite, imersões e atividades em ambientes naturais potencializam a reconexão. “Quando tiramos o excesso, como barulho, telas, urgência, o que sobra é essencial, o ser humano. E é isso que sustenta líderes verdadeiramente transformadores”, complementa.
A liderança do futuro exige presença
Gottheiner afirma que a habilidade de silenciar não é ausência, é intenção e líderes que incorporam essa prática fortalecem suas equipes, tomam decisões mais conscientes e constroem culturas organizacionais mais saudáveis. “Em um país que passa mais da metade do dia acordado olhando para uma tela, silenciar não é luxo. É sobrevivência. E, cada vez mais, é liderança”, conclui.
