
No ambiente corporativo, onde a velocidade, a competitividade e a busca por resultados muitas vezes ditam o ritmo, falar sobre gentileza pode soar ingênuo, mas não é. O Dia Mundial da Gentileza, celebrado em 13 de novembro, convida o ambiente corporativo a revisitar algo essencial: a capacidade de tratar o outro com empatia, respeito e humanidade; virtudes que, longe de fragilizar a performance, têm se mostrado poderosas ações de engajamento, confiança e resultados sustentáveis.
Ser gentil não é ser passivo, tampouco abrir mão da assertividade, mas escolher a forma como se atua. Em um contexto de pressões constantes, metas agressivas e mudanças velozes, a gentileza funciona como um ativo emocional capaz de manter a coesão dos times, reduzir conflitos e inspirar pertencimento. Pesquisas recentes em comportamento organizacional já apontam que ambientes onde prevalece o respeito mútuo apresentam índices de produtividade até 30% maiores, além de menor rotatividade e maior engajamento. Gentileza, portanto, é também inteligência de gestão.
Nas empresas mais inovadoras, a gentileza deixou de ser adereço e virou cultura e há evidência para isso. Entre 2012 e 2014, o Google conduziu o Projeto Aristóteles (divulgado em 2015), analisando mais de 180 equipes para entender o que diferencia times de alta performance. A principal conclusão foi a segurança psicológica: ambientes em que as pessoas se sentem respeitadas para opinar, errar e assumir riscos criativos tendem a colaborar mais e aprender juntas. No Brasil, onde ainda se confunde cordialidade com eficiência, esse achado reforça que rituais simples como agradecer um bom trabalho, praticar escuta ativa, acolher quem erra; funcionam como cola cultural e impulsionam desempenho de forma concreta. E vamos combinar que não é algo complexo de se fazer; não é mesmo?
A gentileza também é um antídoto contra o burnout, uma síndrome que tem se tornado cada vez mais comum nos escritórios e nas telas. Um gesto atencioso de um líder ao perguntar genuinamente “como você está?” pode evitar desgastes e melhorar relações. Líderes gentis não são frágeis: são conscientes do impacto que exercem, pois sabem que resultados extraordinários exigem pessoas emocionalmente inteiras, não exaustas.
No mundo pós-pandemia, em que a conexão humana se tornou um diferencial competitivo, a gentileza ganhou status de competência corporativa. Ela está na base de políticas de diversidade, programas de voluntariado e ações de bem-estar que humanizam as empresas. Ser gentil virou uma estratégia de reputação e sustentabilidade: negócios que cuidam de gente tendem a ser os que mais crescem e os que mais duram.
De acordo com um relatório publicado pela Society for Human Resource Management (SHRM) em 2022, ambientes de trabalho baseados no respeito mútuo apresentam impactos diretos e positivos sobre os resultados organizacionais. O estudo destaca que quando os colaboradores se sentem respeitados por seus líderes e colegas, há redução significativa de atritos internos, aumento da produtividade e diminuição das taxas de rotatividade. Além disso, a SHRM ressalta que a gentileza e o respeito são fatores determinantes para fortalecer o engajamento e a confiança dentro das equipes, elementos essenciais para a construção de culturas corporativas saudáveis, sustentáveis e voltadas ao desempenho de longo prazo.
Talvez por isso, cada vez mais CEOs e diretores de RH falam em “gentileza estratégica”: a habilidade de combinar empatia com alta performance. Ser gentil é entender que uma palavra pode mudar o clima de uma reunião, que um elogio público pode valer mais que um bônus, e que um ambiente saudável é o maior combustível da inovação.
Neste Dia Mundial da Gentileza, o convite é simples, mas transformador: que as empresas pratiquem a gentileza não como ato isolado, e sim como cultura de gestão. Porque, no fim das contas, são as pessoas e a forma como elas se tratam que movem o negócio. E onde há gentileza, há grandeza; não é mesmo?
David Braga – CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos, presente em 30 países e 50 escritórios pela Agilium Group. É conselheiro de Administração e professor pela Fundação Dom Cabral, Presidente da ABRH-MG, VP do Conselho de RH da ACMinas e Presidente do Conselho de Administração da ONG ChildFund Brasil. Instagrams: @davidbraga | @prime.talent
