
A primeira impressão é a que fica.” Por muito tempo essa frase foi repetida como se fosse apenas um chavão, algo sem grande relevância prática. Mas quando olhamos para os estudos em comportamento humano, percebemos que ela não só faz sentido, como revela um ponto crítico para empresas: o cérebro leva poucos segundos para decidir se confia, se respeita ou se acredita na competência de alguém. E no contexto do atendimento, esses segundos valem mais do que qualquer script ensaiado.
Não adianta investir em processos elaborados, em manuais de frases perfeitas ou em treinamentos de técnicas de persuasão se o básico — postura, tom de voz, presença, expressão facial e até a forma de se apresentar — falha logo no primeiro contato. A verdade é simples: o cliente forma sua opinião antes mesmo de ouvir a proposta. Isso transforma imagem e postura em ativos comerciais, não em detalhes periféricos.
Quando falamos de equipes de vendas, recepção ou relacionamento, o impacto é ainda maior. Esses profissionais são, muitas vezes, o primeiro rosto ou a primeira voz da empresa. Se transmitem insegurança, desatenção ou desalinhamento com a identidade organizacional, a empresa paga o preço em credibilidade e, consequentemente, em resultados. Por outro lado, quando a imagem é coerente com a marca e o colaborador sabe traduzir valores em presença, o cliente se sente acolhido e confiante para ouvir.
Treinar imagem, portanto, não é sobre ensinar alguém a “se vestir bem” ou sobre padronizar pessoas em um molde engessado. É sobre capacitar colaboradores a comunicar, por meio da sua presença, os valores que a empresa deseja transmitir. É dar a eles consciência de que cada detalhe — da postura corporal à escolha das palavras, do olhar ao tom de voz — é parte da experiência de atendimento. Nesse sentido, o papel do RH e da liderança é decisivo: não se trata de cosmética, mas de competência estratégica.
Transformar a primeira impressão de chavão em dado exige uma mudança de mentalidade. Enquanto algumas empresas ainda tratam o tema como superficialidade, outras já entenderam que performance comercial também se constrói na forma como os colaboradores se apresentam. Cada oportunidade perdida por uma presença desalinhada é um negócio que deixa de acontecer. É nesse ponto que treinar imagem deixa de ser custo e passa a ser investimento direto em vendas, retenção de clientes e fortalecimento da marca.
- Letícia Rodrigues é mentora e consultora de imagem – Saiba mais –> 11 96182-0071
