
Por muito tempo, o RH foi visto como o departamento que “resolve problemas de gente”. Era operacional, reativo e periférico. Hoje, isso não é mais suficiente — e, em alguns casos, chega a ser nocivo. O mercado exige velocidade, inteligência e gente boa. E isso não se conquista com organogramas ou políticas engessadas. O novo RH é aquele que atua como um consultor interno, inserido nas decisões do negócio, lado a lado com o CEO e com os líderes das áreas. RH não é suporte. É estratégia.
Se você ainda enxerga o RH como um “prestador de serviços internos”, é hora de rever seu modelo de gestão. E rápido.
O mundo do trabalho mudou. As empresas enfrentam um triplo desafio: atrair talentos em um mercado cada vez mais competitivo, engajar pessoas que não se impressionam mais com crachás e manter performance em um cenário instável e acelerado.
Nesse contexto, o RH precisa ser capaz de liderar cinco grandes movimentos:
- adaptar-se à revolução da flexibilidade, entender que cultura é ativo competitivo;
- desenvolver competências novas e raras;
- formar lideranças intermediárias mais preparadas;
- utilizar tecnologia para ampliar sua atuação.
O RH moderno precisa ser o elo entre visão de negócio e gestão de pessoas. E isso não acontece com relatórios de clima ou palestras motivacionais. A atuação precisa ser no dia a dia da operação, nas decisões concretas. Isso significa acompanhar reuniões de planejamento, sugerir ajustes de metas e de equipe, propor trilhas de desenvolvimento conectadas à estratégia da empresa e atuar diretamente em temas que antes pareciam distantes da sua alçada, como precificação, inovação ou aquisições.
O futuro do trabalho exige flexibilidade, estratégia e uma nova visão sobre talento. É papel do RH traduzir essa visão para o CEO e ajudar a empresa a se modernizar. Quando isso acontece, o RH vira radar: antecipa crises, identifica gargalos de competência, propõe movimentos ousados com base em dados, contexto e visão de longo prazo. Ele para de ser uma área de apoio para se tornar uma área de influência.
O RH das empresas do futuro não será o que mais contratar, treinar ou fazer eventos. Será o que melhor entender o negócio, traduzir isso para a gestão de talentos e atuar como parceiro direto da liderança. Se o RH quer ser protagonista, precisa assumir esse papel com competência, influência e resultado. Caso contrário, continuará sendo visto como apoio — quando poderia estar moldando o futuro da organização.
Tecnologia e IA aliadas da eficiência
Mas não há estratégia sem eficiência. O RH precisa, antes de tudo, se livrar do peso das tarefas operacionais. Não adianta querer estar na mesa da estratégia se ainda está atolado em folha de pagamento, controle de ponto e admissões manuais. A automatização, o uso de IA e a redefinição de indicadores são caminhos para que o RH possa se dedicar àquilo que realmente muda o jogo.
Sobre Diego Rondon*
Diego Rondon é conselheiro de empresas foco em RH, headhunter especializado na formação de equipes de alta performance e referência em lideranças para projetos e processos de excelência. CEO e cofundador da e-volve.one – consultoria especializada em estratégia de crescimento com foco em RH por meio de soluções que usam tecnologia para desenvolvimento das melhores práticas da área de recursos humanos, atua há mais de 20 anos em posições de liderança estratégica, com foco em gestão empresarial, governança corporativa e reestruturação de negócios. É investidor e empreendedor, tendo liderado transformações relevantes em conselhos nos últimos seis anos, incluindo um processo de turnaround financeiro com eliminação de passivos, renegociação de contratos e recuperação da sustentabilidade. Desde 2023, é membro independente do conselho de grandes fintechs, contribuindo diretamente para a evolução de um modelo de gestão mais ágil e orientado a resultados. Com formação para conselheiros pela FDC – Fundação Dom Cabral – Formação para Conselheiro, possui sólida expertise em planejamento tributário, estruturação de conselhos e negociação com investidores. Foi uma das lideranças-chave no RH da 99, primeiro unicórnio brasileiro, e já apoiou mais de 10 unicórnios nacionais em processos de gestão de talentos. Também é cofundador da Chiefs.Group, HRtech de Open Talent.
