
São Paulo, Outubro de 2024 – Um novo relatório divulgado recentemente pelo time de economistas da Allianz Research, departamento de análise da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, mostra que a inclusão de pessoas mais experientes poderia ter um grande impacto para que as empresas se tornassem resistentes às mudanças demográficas.
O report Fostering age inclusion at work to make companies demography-proof aponta que integrar o grupo etário de 65 a 69 anos à força de trabalho poderia fechar cerca de 75% da lacuna e reduzir o declínio total da população em idade de trabalho nos 27 países da União Europeia em cerca de 10 pontos percentuais, de um total de -13,4% para -3,3%.
Segundo o relatório, as empresas precisarão intensificar iniciativas e políticas para promover a inclusão intergeracional. Os economistas acreditam que, mesmo após a aposentadoria da geração Baby Boomer, a força de trabalho será, em média, mais envelhecida do que hoje: em 2040, 14% da população disponível no mercado de trabalho na União Europeia terá entre 60 e 69 anos, em comparação com os 9% atuais. A participação de trabalhadores migrantes também poderá aumentar, não apenas devido aos esforços para atrair trabalhadores qualificados do exterior, mas também por conta da aposentadoria dos grupos de idade mais avançada, que têm uma menor proporção de trabalhadores estrangeiros.
“Para gerenciar com sucesso equipes multigeracionais e multiculturais, a confiança, o respeito mútuo e a compreensão são fundamentais. Isso requer entender as diferentes necessidades das gerações e culturas, especialmente importante para os estilos de liderança e comunicação. As empresas terão que lidar com diferentes expectativas e encontrar o equilíbrio entre estilos de liderança tradicionais e hierárquicos, e estilos mais colaborativos, além de equilibrar reuniões presenciais, chamadas telefônicas, mensagens de texto e o uso de redes sociais”, afirmam os autores do estudo.
Transferência de conhecimento intergeracional precisa ser prioridade
Os autores acreditam ainda que os estilos de gestão também precisam se tornar mais inclusivos em termos de idade. “Como o conhecimento é um recurso estratégico, o compartilhamento de conhecimento e a transferência intergeracional são cruciais para o sucesso de uma empresa. É claro que essa transferência só pode ser bem-sucedida se houver disposição por parte dos funcionários para aprender e mudar – continuamente”, reforçam.
Segundo o estudo, dada a rápida evolução do cenário tecnológico, os requisitos de aprendizado aumentarão drasticamente nos próximos anos. “Acompanhar as últimas inovações, como a GenAI, exige grande agilidade. Para reter jovens talentos, as empresas também devem reconsiderar seus estilos de gestão e oferecer oportunidades de qualificação e desenvolvimento de carreira para todas as faixas etárias. Manter funcionários mais experientes por mais tempo é um sinal importante para atrair os mais jovens”.
Os economistas acreditam ainda que adaptar-se às necessidades de uma força de trabalho mais experiente é uma situação em que todos os funcionários saem ganhando. As empresas precisam ajustar-se às necessidades de uma força de trabalho com mais idade, e isso inclui investir em equipamentos adequados, reorganizar fluxos de trabalho, horários e turnos. Trabalho em meio período, trabalho remoto, aprendizado ao longo da vida e o combate a preconceitos etários (conscientes ou inconscientes) são igualmente importantes.
Por fim, o estudo afirma que para promover a colaboração bem-sucedida entre trabalhadores de diferentes gerações e origens culturais, é importante aumentar a conscientização sobre os diferentes estilos de comunicação, cooperação e feedback, tanto no nível de gestão quanto entre os funcionários. Além disso, conhecer os comportamentos, estilos de trabalho e preferências de cada geração pode ajudar a reter funcionários experientes e a aumentar a atratividade da empresa para novos talentos.
Confira o estudo completo em inglês aqui.
