
A definição de Zona de Conforto é: quando o indivíduo vive num nível de ansiedade que ele considera tolerável, usando um conjunto limitado de comportamentos para gerar um nível estável de desempenho.
E o que será que nós temos, que faz com que seja tão comum cairmos nessa tal zona de conforto?
O nosso cérebro busca, a todo momento, economizar energia. É um dos mecanismos de defesa. E para economizar energia, ele automatiza tudo o que repetimos. Quanto mais vezes nós repetimos algo, mais rápido nosso cérebro consegue processar aquela tarefa, e menos energia ele precisa gastar.
Esse mecanismo também explica aquela preguiça de aprender algo novo, ou de enfrentarmos desafios. Aprender algo novo exige que o cérebro trabalhe muito, e gaste energia.
Mas, de vez em quando nosso cérebro dá uma cutucada para sairmos do lugar, enfrentarmos o desconhecido, questionarmos a tão desejada “estabilidade” e arriscarmos um pouco em busca de algo maior.
E o que nós podemos fazer, então, para praticarmos sair da zona de conforto?
Como podemos aprender a sair da zona de conforto por conta própria, ao invés de sempre correr o risco de sermos tirado dela “na marra”?
O melhor caminho é sempre sair por conta própria. E quanto mais praticamos o hábito de sair da zona de conforto, de tempos em tempos, mais fácil e menos desafiador fica, a cada vez.
Quanto mais treinamos, mais nossa mente fica preparada para sair da zona de conforto e até se divertir com desafios.
Mas por onde começar, então?
Quero compartilhar com vocês cinco sugestões práticas:
1. Faça uma autoavaliação: Em que segmento, empresa e função você está? Qual foi a progressão que você teve na sua carreira, até agora? Qual é a perspectiva de crescimento no seu emprego atual? Quais habilidades que você usa no seu emprego atual podem ser facilmente aplicadas em outros contextos, segmentos, empresas, funções? Antes de iniciar um exercício físico ou esporte, a gente faz uma avaliação médica e física, pra saber nossa condição física e de saúde, e definir o plano de treinamento. Com a nossa carreira, funciona da mesma forma: fazemos uma avaliação cuidadosa da nossa carreira e do nosso momento, pra que possamos desenhar nossa trajetória, nosso roadmap.
2. Diversifique suas habilidades: É importante saber lidar com áreas diferentes (marketing, finanças, operações, RH). Quanto maior a nossa diversidade de habilidades, mais fácil é a adaptação a novos ambientes, contextos e funções. É o que se faz no mundo dos investimentos. Um bom investidor investe em empresas e aplicações diversas, para diminuir o risco de prejuízo, quando uma delas vai mal.
3. Desafie-se, nas horas vagas: Nossa vida não é feita só da face profissional. Tudo o que fazemos fora do trabalho, impacta no nosso meio profissional. O modo como nos relacionamos fora do trabalho influencia o modo como nos enxergamos e nos relacionamos no trabalho. Então pense um pouco sobre como você usa suas horas vagas: eu só descanso, ou eu também me desafio? Eu leio só o que gosto, ou leio algo totalmente diferente? Pratico um esporte que gosto ou me desafio em algo que nunca fiz? Vou só a lugares que gosto, ou conheço novos lugares? O importante é saber misturar bem descanso e desafios, ter consciência de que nosso cérebro aprende com isso, e quanto mais você se desafiar, mais facilidade seu cérebro vai ter de lidar com desafios.
4. Descubra e explore suas paixões pessoais: Libere a curiosidade e explore novas fontes de prazer: trabalhos manuais, voluntariado, esportes radicais, meditação, música, viajar para algum lugar diferente. Dedique um tempo para explorar alguns interesses e necessidades que estão adormecidas, abrindo chances de você descobrir suas paixões, seus talentos. Isso cria a chance de algum talento pessoal de repente se tornar um talento profissional.
5. Experimente dar um passo maior: E se você mudar de setor, de área, de empresa, ou até mesmo de país? Claro que neste caso não estamos falando apenas de decidir, porque esse tipo de decisão envolve sua situação financeira e familiar. E mesmo que não seja para sair de onde está. E se de repente você desenvolver algum projeto social? Por que não se dedicar a encontrar soluções para algum dos nossos muitos problemas sociais? Não é preciso fazer mudanças radicais de carreira.
Quando nós reconhecemos que nosso valor profissional não se limita apenas à função X na empresa Y, as possibilidades aumentam, e diminui nossa dependência emocional em relação àquilo que está escrito no crachá.
Quando nós apenas continuamos fazendo o que sabemos fazer, nossa evolução só pode ser linear.
Mas quando desenvolvemos habilidades diferentes, buscamos novas experiências, descobrimos nossas paixões e talentos, um mundo de possibilidades se abre.
Tudo que nos desafia, tudo o que nos força a repensar o mundo e o nosso papel nele, fortalece a nossa habilidade de nos reinventarmos em tempos de crise e de enfrentarmos situações inesperadas.
O que nos desafia desenvolve nossa resiliência, nosso autoconhecimento e a autoliderança, que são características de profissionais que geram impacto positivo no mundo e que vivem uma vida pessoal e profissional integrada, com propósito e feliz.
Autor: Levi Lourenço
