planilhasNesses 19 anos atuando na área de Pessoal e de Recursos Humanos, e em especial desde que passei a atuar em cargos de Supervisão em 1999 uma dúvida sempre me acompanhou: “O bom Gestor de RH deve ser bom de Planilhas ou de Pessoas”?

Muitos são os argumentos em prol de uma direção ou da outra, mas o fato é que as tendências modernas de RH, os estilos de Gestão mais reverenciados e copiados atualmente, são os que evidenciam Gestores “bons de pessoas, bons de gente” em detrimento dos especializados em números e planilhas.

É claro que os controles e indicadores são importantíssimo, saber compreender e propor ações em cima deles também, e aí entra também mais uma característica dos “bons de pessoas”, iniciativa, motivação, lutar contra o “status quo”, pensar fora da caixa e propor ações, muitas vezes com ousadia, para reverter números e indicadores ruins.

A minha conclusão é de que os homens das planilhas podem se perder mais, de que adianta ter planilhas e indicadores impecáveis se não saber desenvolver planos com base nesses dados? Muitas Companhias nós sabemos, tem um belo discurso de que estão preocupadas com pessoas e com o ser humano mas basta pequenos desajustes no Budget para esse discurso se transformar em ladainha. Sendo assim há que se ter personalidade, disposição de propor alternativas e manter um ponto de vista “bom de gente”, ser criativo e propor soluções que caibam com poucos recursos.

planilha 2Burocratas são apaixonados por números e consequentemente por suas desculpas “não há dinheiro, não dá pra fazer” e assim vão levando, se a estrutura é engessada, para estes é ainda mais conveniente, mas é engraçado que o trabalhador da base, do chão da fábrica, este, sabe se estão lutando por ele, sabe que um gestor “bom de gente” olha nos olhos diretamente e sinaliza a real situação da sua demanda ou necessidade. Os “bons de gente” não evitam o contato direto, abraçam, brincam e tem uma preocupação legítima com o colaborador e até mesmo sua família, e ele, colaborador … SABE ..acreditem.

Olhar os números da empresa propor (e principalmente FAZER) ações contra absenteísmo, turnover, super importante, mas as vezes é necessário encarar estruturas e paradigmas e colocar esses planos em prática.

Vejam bem, conforme disse acima, não estou de forma alguma menosprezando os controles numéricos e indicadores importantes por traduzir em números os caminhos da organização, eu só penso que ser Gestor de Pessoas não é só isso, o bom Gestor na minha opinião deve ter o equilíbrio, fazer a leitura correta, propor ações mesmo que em ambientes hostis e fechados a mudança, estar perto da sua base, dos colaboradores em geral, lá onde ” a coisa” acontece. Recebemos feedbacks incríveis das pessoas da base, que conhecem o clima interno como ninguém, nos distanciarmos dessas pessoas é um grande erro.

Ser obcecado por números e controles pode não ser lá muito saudável e não ser o que a empresa e nem o colaborador espera

André Mancuso