cnv1Os cursos de oratória são hoje quase um clichê da formação profissional. É curioso, no entanto, que haja tantos cursos para discursar em público e tão poucas fontes de informação e treinamento sobre conversas interpessoais – com o chefe, com os subordinados, com os colegas, com os clientes. Algumas iniciativas pioneiras tratam especificamente dessa comunicação mais cotidiana. É o que vem sendo chamado de comunicação consciente ou comunicação não violenta (CNV). 

A CNV é o sistema de comunicação empática com mais adeptos no mundo, mas não é o único. Muitos outros pesquisadores têm se dedicado ao tema. A consciência do que se quer dizer, o respeito ao outro e a escolha adequada das palavras são pontos comuns entre os diferentes modelos.

O livro Comunicação não-violenta – técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais, editado no Brasil pela Ágora, pode ser usado por profissionais de recursos humanos para treinamentos. Claro, direto e prático, o livro apresenta uma série de situações cotidianas cujos conflitos podem ser evitados com estratégias de comunicação

A despeito da hierarquia corporativa, não há lugar para ordens ou exigências em CNV. Um exemplo: é importante que quem faça o pedido (ainda que seja o chefe) expresse as suas necessidades. Sozinha, uma solicitação pode soar como exigência ou ataque. Isso aumenta o risco de rejeição à ideia ou, o que pode ser pior, uma adesão ressentida a ela.

cnv“Em ambos os casos, a pessoa que faz o pedido é percebida como coercitiva, e a capacidade do ouvinte de responder compassivamente à solicitação é diminuída”, explica o psicólogo no livro. O objetivo da CNV é estabelecer um relacionamento baseado na sinceridade e na empatia. Melhor que simplesmente mandar um funcionário fazer cálculos seria dizer algo como: “É necessário que você feche as contas até sexta-feira, porque o contador tem só até o fim do mês para emitir as notas”.

Problemas de comunicação no trabalho, seja entre colegas ou diferentes níveis hierárquicos, podem acarretar desmotivação, baixa produtividade, fofocas, somatizações e mesmo evasão para outras empresas, conforme enumera Van Marchetti, diretora da consultoria Attitude Pan, também especializada em treinamentos empresariais de comunicação.

Hoje, muito da comunicação interpessoal no trabalho é mediada pela tecnologia. Na Totvs, empresa especializada em softwares de gestão, a rede social interna Fluid é o principal meio de relacionamento entre os funcionários. “Investimos fortemente em aparelhar a equipe com laptops e celulares, pela própria natureza do negócio”, afirma Alexandre Mafra, vice-presidente de recursos humanos. Foi coerente, portanto, a criação de um software para que esses meios fossem bem utilizados no contato interno.

“O RH da Totvs não vive mais sem a Fluid – 100% dos nossos funcionários estão conectados”, afirma. Com o tempo, franqueados, parceiros e clientes foram incluídos na rede social. “A juventude de hoje, da Geração Y, se comunica melhor por escrito”, afirma Mafra. “Assim, há também menos ruídos e fica tudo documentado.”

A empresa contabiliza que cerca de 80% dos problemas discutidos na plataforma são resolvidos ali mesmo pelas partes envolvidas, sem necessidade da mediação do RH. “Feedback, liderança, coaching – tudo acontece naturalmente”, diz. A plataforma Fluid, uma tecnologia própria, foi criada para uso interno e hoje é um item importante da cartela de produtos da empresa.

Fonte: Melhor Gestão de Pessoas