Patrícia Belber e Ricardo Matias (à esquerda), ambos da área de RH, com o técnico Paulo Braz: no processo de integração, de estagiários a diretores, todos passam um dia acompanhando as equipes de manutenção
Patrícia Belber e Ricardo Matias (à esquerda), ambos da área de RH, com o técnico Paulo Braz: no processo de integração, de estagiários a diretores, todos passam um dia acompanhando as equipes de manutenção

Primeiro dia de trabalho. O funcionário é encaminhado para uma sala fechada, onde uma pessoa da área de recursos humanos tem a missão de dizer em meia hora como é a rotina corporativa. Em seguida, um vídeo institucional, cuja voz do locutor é capaz de causar sonolência no profissional mais animado, dá conta de explicar o histórico da empresa, sua estrutura, seus processos e o cardápio de benefícios. Se tiver sorte, o presidente aparece na tela para dar as boas-vindas. Esse tem sido o ritual de integração de muitas empresas ao longo dos anos.

Identificada como uma etapa burocrática que mais espanta do que encanta o profissional, algumas companhias decidiram mudar a forma como recebem os novatos. Muito além do falatório frio, a tendência hoje é colocar o time em campo, sem muito tempo para aquecimento. Vale acompanhar uma equipe de técnicos de manutenção por um dia inteiro na casa de cliente, como no caso da Net Serviços, ou organizar viagens para conhecer as atividades de campo, no interior, como faz a Monsanto. “Nosso objetivo é gerar nos novatos o sentimento de pertencimento e engajamento em relação à empresa”, diz Rodrigo Fernandes, diretor de RH da Net Serviços.

Na Net, o processo de integração, revisado pela última vez em fevereiro de 2013, é feito em dois dias. No primeiro deles, são apresentadas informações institucionais e do negócio, com noções inclusive sobre como o sinal da TV a cabo chega à casa do assinante. no segundo, todos os recém-admitidos, de estagiários a diretores, passam o dia acompanhando as equipes de manutenção nas casas. “Nessas ocasiões, eles podem observar tudo, desde como os técnicos cumprimentam as pessoas até o modo como o atendimento é feito, passo a passo”, afirma Fernandes. Livres de usar o uniforme dos técnicos, os novos empregados costumam receber elogios dos clientes que perguntam o que eles estão fazendo ali. “Eles dizem que a empresa faz muito bem em colocá-los naquela situação.”

Começar arregaçando as mangas também é a orientação na Monsanto, empresa de produtos e soluções para agricultura. Desde 2010, a integração passou de um dia para uma semana, e sempre é aberta pelo presidente, Rodrigo Santos. Assim, de segunda a quarta-feira, os recém-contratados passam por um treinamento que explica as funções de cada área e como elas se relacionam. Na quinta e na sexta-feira, são feitas visitas à área de manufatura, em São José dos Campos, no interior paulista, e a uma cidade onde seja desenvolvido trabalho de campo pela companhia. “Ainda estimulamos cada área a criar um programa específico para receber os novatos”, diz Patrícia Prieto, gerente de captação de talentos da Monsanto.

A tarefa não é só do RH

Envolver os outros líderes, a começar pelo presidente, no processo de integração é fundamental para que o novo funcionário se sinta de fato acolhido e bem-aceito na empresa. Se antes o ritual das boas-vindas ficava a cargo de um funcionário do RH, hoje as companhias têm estimulado a participação de mais áreas e mais gestores nesse primeiro contato. “As empresas devem se apresentar como um todo, não apenas pelos olhos do RH”, afirma Izolda Cremonine, professora da pós-graduação e gestora de comunicação interna da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Para Edson Carli, economista e diretor do Grupo GDT Brasil, de gestão de talentos, oferecer treinamento básico desde o início é um ponto importante da integração dos novos funcionários. “Foi-se o tempo do aprendizado por osmose. O RH não é capaz de cuidar de todas as etapas da integração sozinho.”

Fonte: Você RH

2