Para entregar mais com menos recursos e atingir as expectativas dos negócios, executivos de RH afiam a tesoura e elaboram planos inteligentes para que a economia não comprometa a qualidade da gestão de pessoas
Uma pesquisa realizada pela consultoria Thomas, especializada em gestão de pessoas, indica que 45% das companhias pretendem contratar mais funcionários ainda este ano. No entanto, quase dois terços preveem manter inalterado ou até reduzir o orçamento voltado para recursos humanos. Em outras palavras, os executivos estão se propondo a ter mais com menos.
Não se trata, evidentemente, de uma meta nova, mas, sim, de um desafio potencializado por um crescimento econômico longe de ser considerado bom. O Banco Central calcula que a economia brasileira tenha avançado apenas 1,6% no ano passado, um resultado que não dá margem para empresa nenhuma bobear no balanço entre receitas e despesas. “Uma companhia que não faça uma única contratação no ano naturalmente terá seus custos com funcionários elevados, por causa dos dissídios e das promoções”, afirma o professor Marcus Soares, especialista em recursos humanos do Insper. É por isso que os gastos com gestão de pessoas entram na linha de frente dos cortes.
Para enfrentar o cenário paradoxal que esperam encontrar neste ano, os executivos de RH têm buscado soluções inteligentes para melhorar seus orçamentos sem comprometer a qualidade da gestão de pessoas. A incorporadora Brookfield, sediada no Rio de Janeiro, iniciou uma reestruturação profunda na área de recursos humanos em 2012, ano que marcou quedas de quase 25% nas vendas em relação a 2011. Sob o comando da diretora Lygia Villar, praticamente todo o setor de recrutamento de funcionários foi terceirizado. A equipe de recursos humanos, com 17 pessoas, passou a trabalhar no sistema de business partners, ou de consultores internos. Cada área de negócios conta hoje com um especialista de RH designado para acompanhar de perto a rotina das operações. “Desperdiçávamos dinheiro com atividades burocráticas, em vez das estratégicas, e não dávamos conta de atender às expectativas dos gestores”, diz Lygia. “Ter consultores acompanhando o dia a dia das áreas tem nos permitido alocar o orçamento de forma mais eficiente. Agora entendemos melhor o que cada setor precisa.”
As primeiras propostas de mudança dos consultores logo chegaram a Lygia. Era possível, por exemplo, gastar menos com viagens. Para evitar deslocamentos desnecessários, a coordenação nacional de certos programas, como o de formação profissional nos canteiros de obras, foi substituída por gerências locais, e as reuniões à distância, por videoconferência, se tornaram muito mais frequentes. O processo de recepção de funcionários novos também sofreu alterações, passando de dois dias de integração presencial para um sistema que prevê atividades online e uma espécie de programa de “anjos”, em que um veterano se responsabiliza por apoiar o novato na chegada.
O plano de Lygia era substituir projetos considerados ineficazes por alternativas mais baratas. As comemorações de aniversário, por exemplo, que incluíam um coquetel com salgadinhos e bebidas, deram lugar a um bolo e um presente simbólico para o aniversariante. A soma de tantos pequenos cortes acabou resultando em uma economia de 27% no orçamento do RH da Brookfield, agora muito mais enxuto. “Nossos gastos se focam cada vez mais no que realmente tem impacto para o negócio”, afirma Lygia.
fonte: Você RH
