ASSEDIO MORALCasos de assédio moral triplicam na Justiça em quatro anos. Veja o que fazer para evitar problemas no trabalho e não prejudicar sua carreira

Há três anos, o acreano Jorge da Silva Tavares, hoje com 35, era vendedor da Renosa, fabricante da Coca-Cola em Mato Grosso. Lá, foi vítima de assédio moral. A empresa permitiu que a equipe comercial fosse submetida a um ritual de humilhação que consistia em dar semanalmente um troféu ao funcionário de pior desempenho.

Tudo ocorria na frente de todos os demais. “A coisa começou na base da brincadeira”, conta Jorge. “O problema foi quando a situação passou a ter um tom de humilhação. Por diversas vezes fui chamado de incompetente na frente da minha equipe”, diz.

Após ser demitido, há dois anos, Jorge entrou com uma ação na Justiça por danos morais. Em primeira instância, conseguiu indenização de 10 000 reais. A companhia recorreu e, com nova decisão favorável a Jorge, no ano passado, o valor acabou pulando para 25 000 reais.

A história de Jorge é um típico caso de assédio moral ou terror psicológico no ambiente de trabalho. Dados do Ministério do Trabalho revelam que o número de denúncias no Estado de São Paulo quase triplicou nos últimos quatro anos, passando de 78 para 216 ações judiciais.

Um levantamento feito pela advogada trabalhista Sylvia Romano mostra que um terço da população economicamente ativa já sofreu algum tipo de assédio durante o trabalho no Brasil. A pressão por resultados e a competição acirrada no mundo corporativo são os principais fatores do aumento da incidência de casos.

Com a maior ocorrência de ações na Justiça, as empresas passaram a dar mais atenção ao assunto. Recentemente foi assinado em São Paulo um acordo entre bancos e sindicatos para reduzir casos de assédio moral nas instituições financeiras. O tipo mais comum de assédio é aquele em que o chefe ofende um subordinado.

Impacto na carreira

Se você acredita ser vítima de assédio no trabalho, é preciso avaliar bem o cenário antes de tomar qualquer medida.

Embora seja uma ofensa pessoal inaceitável, nem sempre o caminho da denúncia é o melhor para a carreira. Isso porque há consequências para a reputação do profissional, ainda que ele tenha razão perante a lei.

Especialistas no assunto recomendam cautela na hora de mover uma ação judicial contra a companhia. Em primeiro lugar, deve- se avaliar se o assédio moral pode ser comprovado para a Justiça. Segundo Roberto Heloani, advogado e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), para que um processo judicial se justifique, é preciso tornar evidentes os problemas psicológicos originados no ambiente de trabalho devido ao assédio.

Outro ponto é verificar se existe uma situação de perseguição e humilhação repetitiva. O ideal é evitar que a situação chegue ao extremo. Como se faz isso? “Impondo limites desde o início”, diz Mariá Giuliese, sócia-diretora da Lens e Minarelli, empresa de recolocação de executivos.

O maior risco é a forma como o recrutador vai interpretar a história. “Mesmo que o candidato à vaga comprove ter razão, ele corre o risco de ser visto como um problema”, afirma Silvio.

Se o assunto for inevitável durante uma entrevista de emprego, existe uma maneira adequada de abordá- lo. “Não saia dizendo que processou determinada firma”, diz Marcelo, da Michael Page.

“Apenas aponte uma situação que o desagradou e pela qual você não deseja passar novamente.” Pode ser que essa atitude o elimine frente aos concorrentes, porém, Marcelo argumenta: “Será que vale a pena entrar numa organização desse tipo?”. A escolha é sua.

fonte: Você S/A