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Instituições de ensino aproximam-se de empresas para preencher lacunas de formação

Carência de mão de obra, retenção de talentos, afinamento de competências comportamentais, qualificação, construção de lideranças e absorção da quantidade de informações disponibilizada pelo mercado. Esses são os principais desafios que as empresas devem enfrentar em 2013. E é nesse cenário que cresce a presença de instituições voltadas para educação corporativa nas áreas de recursos humanos. O intuito é fomentar conhecimento, disseminar melhores práticas, qualificar funcionários e ajudar as empresas a crescer.

Com as mudanças rápidas e significativas do mercado de trabalho, o papel dos programas de formação executiva na superação dos desafios das companhias tem ganhado cada vez mais destaque. Primeiro porque o entrave da falta de profissionais qualificados ainda não foi superado e as companhias já tomaram para si a tarefa de formar dentro de casa. Segundo porque, sozinhas, as empresas não conseguem capacitar a mão de obra necessária para atender suas necessidades.

Oferta de vagas
Os custos da rotatividade também interferem na demanda por formação. Em tempos de grande oferta de vagas, ou a empresa prepara os funcionários para atender ou troca o quadro. “O problema é que a troca nesse momento pode ser um risco e custará caro. Às vezes é melhor ficar com as pessoas e treiná-las, porque fica mais barato e, de qualquer forma, aumenta a performance”, afirma Armando Dal Colletto, diretor acadêmico da Business School São Paulo (BSP). Outro ponto que influencia o estreitamento de laços entre instituições de ensino e empresas é a percepção de que os cursos de graduação não dão mais conta do recado.

Nessas parcerias, uma preocupação é pulsante e amarra a maior parte dos desafios das empresas: gestão, seja de processos ou pessoas. “Falamos de habilidades e competências comportamentais. As empresas têm dificuldade de encontrar pessoas que atendam aos requisitos mínimos e investem por conta própria”, ressalta Orlean. Para Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, de olho nas lideranças futuras, o mercado se preocupa cada vez mais com o perfil comportamental dos executivos. “As empresas querem profissionais com valores que estão de acordo com os valores delas”, afirma. “Um grande desafio é construir um pilar de liderança sólido”, completa Rodrigo Amantea, coordenador da educação executiva do Insper.

Na instituição, cursos focados em gestão já fazem parte da grade. Contudo, a tendência é aumentar a presença do tema nos programas de MBA e por meio de cursos de curta duração. A preocupação com gestão e liderança não é à toa. Com falta de pessoal, as empresas elevam profissionais aos cargos mais estratégicos cada vez mais cedo. A falta de experiência na cadeira aumenta as chances de esse executivo cometer erros que impactam nos resultados e no time. Consequências: piora do clima corporativo e aumento da rotatividade. Como em um círculo vicioso, com a saída de funcionários insatisfeitos, outros, ainda mais inexperientes, começam a subir.

Transmissão
Se os desafios das empresas são muitos, os das escolas de formação executiva são ainda maiores. Encaradas como polos de transmissão de conhecimento até pouco tempo atrás, elas agora são encaradas como a salvação dos RHs e são procuradas para resolver os dilemas da qualificação. “O Brasil está passando por um momento de oportunidades de negócios e um dos problemas é a carência de mão de obra técnica, capacitada e gerencial. As empresas estão pensando em ter pessoas que pensem corporativamente. O desafio é formar líderes por meio de equipes”, explica Antônio Batista, diretor de mercado da Fundação Dom Cabral (FDC). “Nosso papel é responder o que a empresa quer, tirar uma foto do mercado, fazer análise e traçar cenários. É trazer as empresas para dentro da escola”, afirma Furtado, da Trevisan.

Riscos
A valorização pelo mercado desse tipo de formação pode gerar um possível problema para as companhias, acredita Marina, da FGV-Eaesp. “Já vemos certa banalização do MBA. O mercado precisa começar a fazer uma triagem”, alerta. Para ela, a preocupação das empresas com a formação e treinamento dos funcionários é cada vez maior – o que não exime o funcionário da responsabilidade pela própria formação. “As empresas precisam olhar aqueles que elas querem manter e promover, mas cabe ao próprio funcionário perceber que ele pode crescer e levar para a empresa aquilo que vai ajudá-lo nesse crescimento.”

fonte: Melhor Gestão de Pessoas